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Joinville

‘Mulher má’, vultos e assombrações: a história da família que morou no casarão mais misterioso de JoinvilleA história da família que morou no casarão mais misterioso de JoinvilleFoto: Arquivo Histórico de Joinville/ND Mais

Janelas quebradas, telhas arrancadas, paredes cobertas por pichações e um portão que tenta impedir a entrada de curiosos. Por trás da aparência de abandono, um casarão centenário no bairro Bucarein, em Joinville, no Norte de Santa Catarina, guarda uma história que com o passar das décadas, ganhou uma camada de mistério.

Construído em 1913, o imóvel conhecido como Vila Maria foi residência de Procópio Gomes de Oliveira, comerciante e político que participou de importantes momentos do desenvolvimento de Joinville. Depois de deixar de ser usado pela família, o casarão passou a alimentar histórias sobre vultos, aparições e acontecimentos considerados sobrenaturais.

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    Casal Procópio Gomes de Oliveira e sua esposa Maria Balbina Gomes de Oliveira - Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

    Casal Procópio Gomes de Oliveira e sua esposa Maria Balbina Gomes de Oliveira – Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

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    O nome Vila Maria é uma homenagem à esposa de Procópio Gomes - Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

    O nome Vila Maria é uma homenagem à esposa de Procópio Gomes – Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

A casa de uma família importante de Joinville

O nome Vila Maria é uma homenagem à esposa de Procópio Gomes, Maria Balbina de Miranda Gomes de Oliveira, e ainda pode ser visto na fachada do imóvel. O casarão fica na avenida que também recebeu o nome do ex-prefeito.

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Segundo Dilney Cunha, coordenador do Arquivo Histórico de Joinville, em entrevista ao ND Mais em 2023, a residência fazia parte da vida social da família e recebeu encontros e visitantes importantes durante o período em que Procópio Gomes viveu ali. Entre os visitantes está o bispo Duarte Leopoldo Silva, da Diocese de Santa Catarina, que na época tinha sede em Curitiba.

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    Membros da Família Gomes de Oliveira reunidos em evento familiar - Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

    Membros da Família Gomes de Oliveira reunidos em evento familiar – Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

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    Evento religioso, visita do Bispo Duarte Leopoldo Silva, da Diocese de Santa Catarina, com sede em Curitiba, em Joinville - Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

    Evento religioso, visita do Bispo Duarte Leopoldo Silva, da Diocese de Santa Catarina, com sede em Curitiba, em Joinville – Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

A casa permaneceu ligada à família mesmo depois da morte de Procópio Gomes, em 1934, aos 75 anos. Um dos filhos mais novos, o farmacêutico Moacir, continuou vivendo no imóvel até morrer, na década de 1980. Depois, a esposa e os filhos dele ainda permaneceram no local por algum tempo.

De residência histórica a casa de festas

Com a saída definitiva da família, a Vila Maria ganhou outros usos ao longo das décadas. O imóvel chegou a funcionar comercialmente como espaço para festas infantis, antes de entrar no período de abandono.

Segundo o historiador Dilney Cunha, coordenador do Arquivo Histórico de Joinville, esse foi o último uso da casa. Em entrevista ao ND Mais, em 2023, ele explicou: “Era uma casa de festas infantis. Este foi o último uso. Está há mais ou menos 10 anos desocupado”.

Atualmente, casarão está abandonadoFoto: Carlos Jr/ND MaisAtualmente, casarão está abandonadoFoto: Carlos Jr/ND Mais

Desde então, o casarão ficou exposto ao tempo e a intervenções externas. Em 2018, um incêndio atingiu principalmente o primeiro andar e contribuiu para deteriorar ainda mais a estrutura. Mesmo abandonado, o imóvel continua tendo proprietário e seu futuro está relacionado a questões judiciais envolvendo a família e a propriedade.

Com o abandono do imóvel, a Vila Maria também ganhou fama de casa mal-assombrada. Vultos e aparições passaram a fazer parte das histórias sobre o casarão, que também virou alvo de curiosos nas redes sociais.

Com o abandono do imóvel, a Vila Maria também ganhou fama de casa mal-assombradaVídeo: Divulgação/JDRONE FILMES/ND Mais

Uma das histórias mais conhecidas envolve a mãe de Procópio Gomes, descrita pelo imaginário popular como uma mulher cruel, principalmente com pessoas negras. A ela também é atribuída a fama de “mulher má” e a suposta presença no casarão após sua morte.

Outra história diz que pessoas escravizadas teriam morrido no imóvel. O historiador Dilney Cunha, porém, contesta a versão. A Vila Maria foi construída em 1913, após a abolição da escravidão no Brasil. “À época, já não era permitido ter pessoas escravizadas”, explica Dilney. Segundo o historiador, também não há registros de que Procópio Gomes tenha mantido pessoas escravizadas ilegalmente.

Registro feito no século 20Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/NDRegistro feito no século 20Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

Quem foi Procópio Gomes?

Procópio Gomes de Oliveira nasceu em 1859, em Paraty, atual Araquari, e ainda jovem foi para o Rio de Janeiro trabalhar no comércio. Ao retornar, entrou para o ramo da erva-mate e ajudou a formar a Companhia Industrial, uma das principais empresas do Norte de Santa Catarina no período.

Sua atuação também chegou ao setor de energia. Em 1906, fundou com Alexandre Schlemm a Companhia Luz e Força de Joinville, responsável pela geração de energia elétrica na região.

Na política, Procópio foi superintendente municipal de Joinville, cargo equivalente ao atual prefeito, em dois períodos: de 1903 a 1907 e de 1911 a 1914. Entre as obras de suas gestões estão o primeiro prédio do Mercado Municipal, do Cemitério Municipal e do Hospital de Caridade, atual Hospital São José.

Yasmin Rech

Yasmin Rech Repórter

Yasmin Rech é jornalista em formação, integrante da equipe do ND Mais na redação de Joinville. Acompanha temas factuais da região Norte de Santa Catarina, como segurança, cidadania e infraestrutura, cobrindo cidades como Joinville, São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul. Estudante da Faculdade Ielusc (Instituto Superior e Centro Educacional Luterano), atua no Jornalismo desde 2024 e escreve reportagens que contextualizam desafios locais, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, gestão pública e segurança. Acompanha as notícias da política catarinense e participa da cobertura das Eleições 2026 no ND Mais.

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