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Campanhas de Marília e Aécio apostam em voto “Marécio” para isolar o bolsonarismo em Minas

Fonte: brasil247.com | Data: 05/09/2026 12:46:00

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247 – Uma articulação eleitoral em Minas Gerais tem aproximado antigos adversários nacionais em torno de um objetivo comum: evitar que a direita conquiste mais cadeiras no Senado em 2026. O movimento, batizado nos bastidores de voto casado “Marécio”, combina os nomes de Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem, e Aécio Neves (PSDB), deputado federal e ex-governador mineiro.

Segundo o jornal Estado de São Paulo, existe de um esforço no campo progressista e entre tucanos mineiros para estimular o voto conjunto nos dois candidatos mais competitivos na disputa. Segundo a coluna, Marília lidera todos os cenários testados, enquanto Aécio aparecia em segundo lugar na última pesquisa em que seu nome foi incluído.

A estratégia coloca PT e PSDB, partidos que protagonizaram a principal rivalidade presidencial do país por décadas, do mesmo lado em Minas. A lógica do movimento é pragmática: concentrar votos em Marília e Aécio para tentar impedir a eleição de nomes da direita no terceiro maior colégio eleitoral do Brasil.

Entre os principais representantes desse campo na disputa estão o deputado Domingos Sávio (PL), partido da família Bolsonaro; o senador Carlos Viana (PSD), que aparece melhor posicionado entre os nomes conservadores nos levantamentos; e Marcelo Aro (PP), ex-secretário do governo Romeu Zema (Novo), hoje rompido com o ex-governador e candidato à Presidência.

Nos bastidores, as campanhas de Marília e Aécio veem com simpatia a movimentação. De acordo com a Coluna do Estadão, os dois mantêm boa relação desde o período em que suas trajetórias se cruzaram na política mineira, a partir de 2005. À época, Aécio governava Minas Gerais, enquanto Marília havia sido eleita, em 2004, a primeira mulher prefeita de Contagem, cargo para o qual seria reeleita em 2008.

Aécio chegou ao governo mineiro em 2002 e conquistou novo mandato em 2006. Marília, por sua vez, construiu sua base política em Contagem, uma das principais cidades da região metropolitana de Belo Horizonte. A aproximação atual, portanto, se apoia tanto em cálculo eleitoral quanto em uma relação política construída ao longo dos anos.

O peso maior da operação, segundo dirigentes mineiros ouvidos pela coluna, pode recair sobre Aécio. Embora seja amplamente conhecido no estado, o tucano também carrega a maior rejeição entre os nomes avaliados, em torno de 52%, de acordo com levantamento Datafolha de julho citado pelo Estadão. Marília, por outro lado, ainda é menos conhecida em Minas, mas aparece como a segunda mais rejeitada, em parte pelo desempenho historicamente difícil do PT no estado.

Nesse cenário, o voto “Marécio” funcionaria como tentativa de transferência cruzada de força eleitoral. Marília poderia se beneficiar da estrutura e da capilaridade de Aécio no interior mineiro, enquanto o tucano buscaria reduzir resistências em setores mais progressistas e anti-bolsonaristas.

A candidatura de Aécio ao Senado também passou por idas e vindas. O ex-governador havia anunciado que não disputaria novos cargos eletivos após quatro décadas de mandatos, mas voltou ao páreo depois da renúncia de nomes da coligação formada por PDT e Federação PSDB-Cidadania.

Com a saída de Gustavo Galassi (PSDB) e Marcelo Heringer (PDT), irmão do deputado federal Mário Heringer (PDT), Aécio tornou-se o único candidato ao Senado na chapa do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que disputa o governo de Minas.

A composição amplia o peso da disputa mineira para o Senado, já que a eleição de 2026 renovará dois terços da Casa. Em Minas, o resultado poderá ter impacto direto no equilíbrio de forças entre esquerda, centro e direita em Brasília.

Para petistas e tucanos envolvidos na articulação, o objetivo central é impedir que o eleitorado conservador concentre forças em nomes ligados ao bolsonarismo ou ao campo político de Zema. O voto “Marécio”, nesse sentido, nasce como uma aliança informal, sem apagar as diferenças históricas entre PT e PSDB, mas orientada por uma disputa concreta: a composição da bancada mineira no Senado.

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