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Brasil tem 2ª maior reserva de terras raras e pode gerar 750 mil empregos até 2050

Fonte: brasil247.com | Data: 06/09/2026 07:00:00

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247 – Dono de uma das maiores reservas de terras raras do planeta, o Brasil ainda transforma apenas uma pequena parcela desse patrimônio mineral em produção industrial. O país reúne cerca de 21 milhões de toneladas desses recursos, volume inferior apenas ao da China, mas permanece distante da liderança mundial quando o critério é a extração e o processamento.

Os dados foram destacados em reportagem do UOL, com base em informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e em estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Segundo o USGS, a China possui aproximadamente 44 milhões de toneladas em reservas, pouco mais do dobro do estoque brasileiro.

A posição coloca o Brasil no centro da disputa internacional por matérias-primas fundamentais para setores tecnológicos e industriais considerados estratégicos. Terras raras são utilizadas, entre outras aplicações, na fabricação de equipamentos eletrônicos, sistemas de geração de energia, veículos elétricos e componentes empregados pela indústria de defesa.

Apesar da abundância geológica, a distância entre reservas e produção permanece elevada. Em 2025, o Brasil extraiu aproximadamente 2 mil toneladas de terras raras. No mesmo período, a China produziu cerca de 270 mil toneladas.

Na prática, embora as reservas brasileiras representem quase metade do volume estimado no território chinês, a participação do Brasil na oferta mundial ainda é reduzida.

Processamento pode ampliar ganhos

O principal desafio econômico está na capacidade de impedir que o país permaneça apenas como fornecedor de matéria-prima e passe a realizar etapas de processamento e transformação industrial em território nacional.

Estudo da Amcham Brasil traçou dois cenários para a exploração dos chamados minerais críticos e das terras raras. No primeiro, baseado principalmente na exportação dos recursos com baixo nível de transformação interna, o impacto acumulado sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia alcançar R$ 128,7 bilhões até 2050.

Nesse modelo, a atividade teria potencial para gerar aproximadamente 304 mil empregos ao longo do período.

O cenário muda de dimensão quando o país incorpora processamento, investimentos industriais e utilização dos minerais pelas cadeias produtivas brasileiras. Nesse caso, o impacto acumulado estimado sobre o PIB sobe para R$ 192,1 bilhões.

A geração de postos de trabalho poderia alcançar 750 mil vagas até 2050.

Diferença supera R$ 63 bilhões

Entre os dois modelos avaliados, a diferença projetada é de R$ 63,4 bilhões em impacto econômico e de 446 mil empregos.

Os números indicam que o tamanho das reservas, isoladamente, não determina o retorno econômico obtido pelo país. O resultado depende da capacidade de beneficiar os minerais, desenvolver tecnologia e integrar esses insumos a setores industriais de maior valor agregado.

Também é importante distinguir terras raras de minerais críticos. Os dois conceitos não são equivalentes.

Minerais críticos formam uma categoria mais ampla, que reúne recursos considerados essenciais para atividades estratégicas e sujeitos a riscos de abastecimento. Além das próprias terras raras, o grupo pode incluir lítio, níquel, cobre e grafita.

Esses materiais ganharam importância mundial com a expansão de cadeias ligadas a baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, transição energética e defesa.

Nesse contexto, o Brasil reúne uma vantagem geológica expressiva, mas o aproveitamento econômico desse patrimônio dependerá principalmente da expansão da produção, do processamento doméstico e da capacidade de construir uma cadeia industrial que vá além da simples extração mineral.

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