O candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), intensificou sua agenda com lideranças evangélicas na última semana, buscando atrair um segmento que tradicionalmente se alinha à direita e ao seu principal rival, Douglas Ruas (PL). Paes tem participado de encontros estratégicos, como o realizado com o bispo Abner Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, onde reforçou sua ligação histórica com o setor e destacou ações de sua gestão, como a regularização fundiária de templos religiosos.
A estratégia de aproximação inclui a escolha de sua vice, Jane Reis, que é evangélica e casada com um pastor da Baixada Fluminense. Segundo o candidato, essa composição não é apenas uma manobra eleitoral, mas um reflexo de sua convivência e apoio a eventos de diversas denominações, como a Marcha para Jesus e o Dia de Iemanjá. Paes busca consolidar uma imagem de gestor que dialoga com todas as crenças, visando reduzir a resistência do eleitorado conservador.
Paralelamente, uma pesquisa realizada pela Quaest aponta que a influência de líderes religiosos no voto é menor do que se imagina. Segundo o levantamento, 79% dos eleitores católicos e evangélicos afirmam que a opinião de suas lideranças não impacta sua escolha na urna. O estudo indica que, embora os candidatos busquem o apoio formal de pastores e bispos, o eleitorado demonstra uma tendência de independência política em relação à orientação religiosa.
O cenário para as eleições de 2026 mostra uma disputa acirrada por esse nicho, com candidatos do PL e do PSOL também buscando brechas para dialogar com os fiéis. Enquanto Paes utiliza sua estrutura de governo e alianças para pavimentar o caminho, a pesquisa sugere que o foco das campanhas deve ir além do apoio institucional das igrejas, atingindo diretamente as demandas individuais dos eleitores.