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Ramal ferroviário da Arauco avança em Inocência e ponte de 270 metros marca obras da primeira shortline do Brasil

Fonte: maisfloresta.com.br | Data: 08/09/2026 20:12:24

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Com cerca de 47 quilômetros de extensão, ferrovia ligará diretamente a fábrica de celulose do Projeto Sucuriú à Malha Norte e integra uma estrutura logística bilionária para levar a produção até o Porto de Santos; complexo industrial de US$ 4,6 bilhões avança para entrar em operação em 2027

As obras do ramal ferroviário que atenderá o Projeto Sucuriú, da Arauco, avançam em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, e começam a ganhar estruturas de grande porte ao longo do traçado. Entre elas está uma ponte de aproximadamente 270 metros sobre o Córrego São Mateus, uma das principais obras de engenharia da linha férrea que terá cerca de 47 quilômetros de extensão.

A ferrovia será exclusiva para atender à nova fábrica de celulose da companhia e fará a conexão direta do complexo industrial com a Malha Norte, operada pela Rumo. A partir dessa ligação, a produção poderá seguir pelos trilhos até o Porto de Santos (SP), de onde será embarcada para o mercado internacional.

O empreendimento representa também um marco para o setor ferroviário nacional. A linha do Projeto Sucuriú é apresentada pela Arauco como a primeira shortline do Brasil implantada após o novo marco regulatório das ferrovias. A pedra fundamental da ferrovia foi lançada em fevereiro de 2026, em Inocência, dando início a uma nova etapa da estrutura logística associada à fábrica.

No modelo shortline, uma ferrovia de menor extensão funciona como ligação estratégica entre uma unidade produtiva e uma malha ferroviária de maior alcance. No caso da Arauco, o ramal permitirá que a celulose saia praticamente da linha de produção conectada ao sistema ferroviário que dá acesso ao principal porto do país.

O investimento no sistema ferroviário é bilionário. Valores divulgados sobre o empreendimento variam de acordo com os itens considerados no cálculo. Estimativas relacionadas à infraestrutura do ramal ficam na casa de R$ 1,2 bilhão, enquanto o pacote ferroviário ampliado, considerando material rodante e outros componentes necessários à operação, alcança cifras superiores a R$ 2 bilhões. Em fevereiro, durante o lançamento da ferrovia, foi divulgado investimento de aproximadamente R$ 2,4 bilhões considerando também locomotivas e vagões.

PONTE DE 270 METROS AVANÇA NO TRAÇADO

Uma das estruturas de maior destaque no canteiro ferroviário é a ponte sobre o Córrego São Mateus. Com aproximadamente 270 metros, a obra integra o conjunto de estruturas especiais necessárias para vencer obstáculos naturais e garantir a continuidade do traçado.

A execução envolve o lançamento e posicionamento de grandes vigas, além de fundações, pilares e demais componentes projetados para suportar a operação ferroviária de cargas. A solução também permite atravessar o curso d’água com menor necessidade de grandes movimentações de terra nas proximidades da área de drenagem.

Além da ponte, a implantação dos aproximadamente 47 quilômetros da ferrovia exige uma sequência de intervenções em áreas rurais de Inocência. O traçado seguirá, em boa parte do percurso, próximo às rodovias MS-377 e MS-240 e envolve propriedades rurais localizadas entre o complexo industrial e o ponto de conexão com a Malha Norte.

O projeto contempla ainda passagens inferiores e superiores, adequação de acessos, remanejamentos viários e estruturas destinadas à circulação segura da fauna. São intervenções necessárias para compatibilizar a ferrovia com estradas, propriedades e atividades produtivas existentes ao longo do corredor.

CELULOSE SEGUIRÁ DE TREM ATÉ SANTOS
A construção do ramal é considerada estratégica para a operação da fábrica porque estabelece uma conexão ferroviária direta entre Inocência e o corredor de exportação pelo Porto de Santos.

Com capacidade prevista de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, a futura unidade exigirá uma estrutura logística de grande escala. A opção ferroviária permite concentrar nos trilhos uma parcela expressiva desse volume e reduzir a necessidade de transporte de longa distância por caminhões.

Além do impacto sobre os custos logísticos, a ferrovia deverá aliviar o tráfego pesado nas rodovias que cortam o chamado Vale da Celulose. Estimativas divulgadas durante o lançamento do projeto apontaram potencial para retirar das estradas milhares de viagens mensais de caminhões quando o sistema estiver em plena operação.

A estratégia também está associada à redução das emissões no transporte da produção. Em trajetos de grande volume e longa distância, como o corredor entre Mato Grosso do Sul e o litoral paulista, o modal ferroviário permite transportar grandes quantidades de carga com menor consumo de combustível por tonelada movimentada.

A estrutura ferroviária começou a receber também os equipamentos que futuramente serão utilizados no transporte da produção. O planejamento logístico prevê uma frota de centenas de vagões para movimentar a celulose de Inocência até o porto, consolidando uma operação desenhada desde a fábrica até o embarque para exportação.

RODOVIAS COMPLETAM NOVO CORREDOR LOGÍSTICO

Enquanto os trilhos avançam, a infraestrutura rodoviária no entorno da fábrica também recebe investimentos para absorver o crescimento da circulação de trabalhadores, fornecedores, equipamentos e cargas.

O Governo de Mato Grosso do Sul contratou obras para implantação e pavimentação de acessos à unidade industrial a partir da MS-377. O investimento informado para dois dispositivos é de R$ 26,89 milhões.

O acesso principal está previsto no quilômetro 94 da rodovia, com interseção em dois níveis e dispositivo do tipo trombeta, incluindo faixas destinadas à aceleração e desaceleração dos veículos. Outro acesso, no quilômetro 97, contará com uma rótula alongada.
As intervenções foram planejadas principalmente para organizar a movimentação de carretas, bitrens, tritrens, ônibus, veículos de fornecedores e trabalhadores. Com o aumento da atividade industrial em Inocência, a MS-377 passa a exercer papel ainda mais relevante como um dos corredores de acesso ao novo polo de celulose.

PROJETO SUCURIÚ AVANÇA EM INOCÊNCIA

A ferrovia faz parte da estrutura logística montada para atender ao Projeto Sucuriú, maior investimento da história da Arauco. A companhia informa investimento de US$ 4,6 bilhões na implantação da unidade industrial, localizada a aproximadamente 50 quilômetros da área urbana de Inocência.
A fábrica terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano e é apresentada como a maior planta do setor construída em etapa única no mundo. O cronograma mantém o início da operação previsto para 2027. Informações recentes sobre o andamento do empreendimento apontam que as obras civis já chegaram à faixa de 70% de execução.
O impacto do projeto já pode ser observado na mobilização de mão de obra, fornecedores e serviços. A previsão da Arauco é alcançar mais de 14 mil oportunidades de trabalho no pico da construção. Depois da entrada em operação, aproximadamente 6 mil empregos deverão estar vinculados às atividades industrial, florestal e logística.
A dimensão do empreendimento vai além da produção de celulose. A unidade terá capacidade de geração própria superior a 400 megawatts de energia. Aproximadamente 200 MW serão destinados ao consumo interno e o excedente poderá ser disponibilizado ao sistema nacional.
Com fábrica, geração de energia, acessos rodoviários e ferrovia própria sendo implantados de forma integrada, o Projeto Sucuriú cria um novo eixo industrial e logístico no leste de Mato Grosso do Sul. A ferrovia de aproximadamente 47 quilômetros é uma das peças centrais dessa estrutura: ligará diretamente a produção de Inocência à malha ferroviária nacional e, a partir dela, ao Porto de Santos.

O avanço de estruturas como a ponte de 270 metros sobre o Córrego São Mateus transforma em obra física uma etapa decisiva desse planejamento. Enquanto a fábrica caminha para a montagem e conclusão dos sistemas industriais, a primeira shortline brasileira estruturada após o novo marco ferroviário começa a tomar forma no interior de Mato Grosso do Sul.

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