A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) impôs uma multa de R$ 32,5 milhões a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, e ao Banco Master, em decorrência de uma operação fraudulenta relacionada ao fundo imobiliário Brazil Realty. A punição, anunciada em 8 de setembro de 2026, se baseou em um esquema que envolveu a hipervalorização de ativos, com a instituição financeira sendo condenada a pagar R$ 12,5 milhões, enquanto Vorcaro, na qualidade de sócio-administrador da Viking Participações e diretor do Banco Master, recebeu a penalidade de R$ 20 milhões.

O caso em questão analisou a terceira emissão do Brazil Realty, que conseguiu levantar R$ 139,1 milhões. Deste montante, aproximadamente 78% (cerca de R$ 109 milhões) foram alocados em ativos como ações de empresas, terrenos e cotas de outras sociedades. A investigação apontou que os valores atribuídos a esses ativos estavam artificialmente inflacionados, sustentados por laudos considerados falsos ou inadequados.

De acordo com o relatório do diretor da CVM, João Accioly, a fraude ocorreu em três etapas. Primeiro, ativos foram incorporados ao fundo a preços inflacionados, seguidos pela negociação das cotas no mercado secundário por empresas ligadas aos envolvidos, que criaram liquidez para o fundo. Por fim, investidores absorveram prejuízos de R$ 5,8 milhões ao adquirirem esses papéis. Um exemplo citado foi a Talent Construções, que registrou uma valorização de 22,2% em apenas um dia, resultando em um ganho de R$ 6,1 milhões.

Além disso, o Banco Master reportou aportes de R$ 16,8 milhões na emissão, mas a CVM encontrou incongruências nas subscrições que totalizavam R$ 2,65 milhões, algumas das quais não foram comprovadas. Durante o julgamento, defesas de Vorcaro e do banco contestaram as alegações de fraude, afirmando que as negociações estavam dentro dos preços de mercado e que a acusação falhou em demonstrar um conluio fraudulento.

O processo também incluiu Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, e Felipe Cançado Vorcaro, primo do empresário, além de outras empresas. A CVM também investiga potenciais violações de deveres fiduciários e a obstrução da fiscalização, complicando ainda mais o quadro de irregularidades e questionamentos legais em torno das operações financeiras do Banco Master e seus associados.

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