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Ciro promete tirar a Enel do Ceará se for eleito, mas decisão final está nas mãos de Lula

Fonte: ocafezinho.com | Data: 08/09/2026 21:42:21

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O candidato ao Governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) afirmou nesta terça-feira (8) que, se eleito, não pretende apoiar a renovação do contrato de concessão da Enel Ceará, hoje válido até 2028. A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa realizada em um almoço com representantes de uma associação de jovens empresários, no bairro Meireles, em Fortaleza.

O tema surgiu depois que o candidato foi questionado sobre dados do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), que colocam o Ceará entre os estados com pior desempenho em acesso e qualidade de energia elétrica no país. No levantamento, o estado ocupa a 19ª posição entre os 27 avaliados no quesito qualidade do fornecimento — duas colocações abaixo do resultado registrado no ano anterior.

“Se depender de mim, ela vai embora, porque é um dos problemas que eu mais tenho ouvido queixas no estado do Ceará”, disse Ciro, ao criticar a prestação do serviço pela concessionária. Segundo ele, os problemas no fornecimento de energia já eram motivo de preocupação quando foi secretário de Saúde durante a gestão de seu irmão Cid Gomes (PSB) à frente do Governo do Ceará, no início dos anos 2020.

Ciro também citou o processo em curso contra a Enel em São Paulo, onde a Aneel abriu procedimento para encerrar a concessão da distribuidora por falhas no atendimento, como referência para justificar sua posição em relação ao Ceará. Ele reconheceu, porém, que a decisão final sobre a renovação ou não do contrato cabe ao governo federal, e não ao estado: “Enquanto eu for governador, se for essa a vontade do povo do Ceará, ela vai ter que se ver com a Agência Reguladora do Estado do Ceará, que infelizmente não tem atribuições sobre isso”, completou.

De fato, quem decide sobre concessões de distribuição de energia é o Ministério de Minas e Energia (MME), com base em análises técnicas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) — a agência estadual cearense não tem competência regulatória sobre o contrato. Em março deste ano, a própria Aneel recomendou a antecipação da prorrogação do contrato da Enel Ceará por mais 30 anos, avaliando que a empresa reverteu indicadores críticos e apresenta solidez para seguir operando no estado até 2058. Ainda assim, em abril, a companhia ficou de fora da primeira lista de renovações de concessões anunciada pelo MME, que contemplou 14 distribuidoras — decisão relacionada, segundo apurações da época, a um Termo de Intimação da Aneel contra a Enel em São Paulo, e não especificamente ao desempenho da empresa no Ceará.

Os números da própria Aneel sobre o desempenho da Enel Ceará mostram um quadro misto. No ranking de Desempenho Global de Continuidade (DGC), que mede duração e frequência de interrupções no fornecimento, a distribuidora aparece na 23ª posição entre 33 concessionárias avaliadas em 2025 — entre as piores do país. Ao mesmo tempo, a companhia registrou, no mesmo ano, o melhor resultado em 13 anos para a duração das interrupções, com queda acumulada de 48% desde 2020, além de redução de 25% no tempo médio de atendimento emergencial em relação a 2023. Os contratos de concessão da Enel em São Paulo e no Ceará vencem em 2028; no Rio de Janeiro, o prazo expira em 2025.

Na mesma coletiva, Ciro comentou os atrasos nas obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza, classificando como “inédito” o erro de perfuração ocorrido na altura do Colégio Militar. Disse pretender auditar os contratos das obras e retomar o traçado original do projeto, que previa ligar o Centro ao bairro Edson Queiroz — trajeto 5,1 quilômetros mais longo do que o atualmente em execução —, além de avaliar a construção de um novo trecho até o bairro da Messejana. O candidato também comentou queixas de usuários das Linhas Sul e Oeste do Metrô, atribuindo a irregularidade nos horários à divisão da via com um trem de carga a diesel que opera no mesmo trajeto.

A concessão da Enel no Ceará deve seguir como tema de debate ao longo da campanha, na medida em que o desempenho da distribuidora — e a fragilidade energética do estado, apontada por diferentes rankings recentes — permanece uma preocupação concreta do eleitorado, ainda que a decisão sobre o futuro do contrato dependa, em última instância, de Brasília.