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Arquivo Vivo resgata trajetória de Vincent Carelli

Fonte: cenariomt.com.br | Data: 10/09/2026 16:56:34

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O CineSesc, em São Paulo, exibe nesta quinta-feira (10), às 20h, o documentário Arquivo Vivo, dirigido por Vincent Carelli e Ana Carvalho. A sessão integra a programação do festival Amor ao Cinema e apresenta a trajetória de Carelli e a formação de um acervo dedicado aos povos originários brasileiros, que reúne mais de 70 filmes.

As informações são da Agência Brasil, responsável pelo conteúdo que serviu de base para esta reportagem.

Franco-brasileiro, Carelli teve os primeiros contatos com o indigenismo ainda jovem, influenciado por um missionário dominicano de seu colégio em São Paulo. O religioso, que também era filósofo, mantinha contato com comunidades Mẽbengôkre Xikrin, conhecidos também como Kayapó Xikrin, no Pará.

A aproximação começou pelas apresentações de slides que o missionário levava às aulas. Aos 16 anos, Carelli pediu autorização para acompanhá-lo em uma viagem e foi atendido. Era sua primeira experiência em um avião. Depois do voo, desembarcou na floresta e entrou em uma aldeia, experiência que, segundo ele, o marcou definitivamente.

Carelli recorda a emoção daquele primeiro contato e o impacto de presenciar a recepção de indígenas que retornavam à comunidade. Filho parisiense do ceramista, desenhista e pintor Antônio Carelli e de mãe brasileira, ele também é irmão da atriz e diretora teatral Chica Carelli.

Depois de retornar à região por dois anos consecutivos e cursar um ano na Universidade de São Paulo (USP), decidiu que viveria entre os indígenas. Já considerado uma pessoa de confiança pelos Xikrin, foi convidado a permanecer na aldeia após concluir uma formação de indigenista em Brasília.

A criação do Vídeo nas Aldeias

A permanência na aldeia, porém, foi impedida durante a ditadura. Segundo Carelli, havia resistência militar à sua aproximação com o movimento indígena porque ele era considerado muito próximo dos povos originários. Naquele período, organizações não governamentais e associações indígenas enfrentavam forte rejeição.

Na década de 1970, Carelli trabalhou na então Fundação Nacional do Índio (Funai) e participou da fundação do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), ao lado de antropólogos. Foi também nesse período que conheceu o cineasta Andrea Tonacci. Os dois desenvolveram o projeto Inter Povos, pensado para a Guggenheim.

Tonacci defendia o uso do vídeo como ferramenta para aproximar diferentes povos indígenas. A chegada do VHS ampliou essa possibilidade e ajudou a concretizar a ideia de que os próprios indígenas poderiam produzir registros sobre suas comunidades, em vez de apenas serem filmados por pessoas de fora.

Em 1986, Carelli estruturou oficialmente o projeto Vídeo nas Aldeias ao lado de sua esposa, a antropóloga Virgínia Valadão. A iniciativa passou a incentivar a produção audiovisual indígena e a ampliar o controle dos próprios povos sobre suas imagens e memórias.

Memória, imagem e povos indígenas

O projeto continuou durante a pandemia de covid-19. Para Carelli, o registro audiovisual ganhou ainda mais importância naquele período, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por comunidades indígenas durante o governo de Jair Bolsonaro.

O indigenista também chama atenção para as diferentes dimensões relacionadas à apropriação da imagem. Além do direito de cada pessoa sobre a própria representação, ele destaca a importância de preservar a memória de vidas marcadas por transformações intensas e pela passagem das gerações.

Além de atuar como realizador audiovisual e educador, Carelli trabalhou como jornalista e repórter fotográfico freelancer para as revistas IstoÉ e Repórter Três e para o jornal Movimento. Também exerceu as funções de editor fotográfico e pesquisador no Projeto Povos Indígenas no Brasil, do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), instituição que posteriormente deu lugar ao Instituto Socioambiental (ISA).

Entre os questionamentos levantados por Carelli está a autonomia dos povos indígenas sobre suas próprias imagens e memórias. Ele também questiona a participação indígena na administração de instituições do Estado e o papel dos museus na preservação e no acesso a esse patrimônio.

Serviço

Festival Amor ao Cinema | CineSesc

Arquivo Vivo

Direção: Vincent Carelli e Ana Carvalho

País: Brasil

Ano: 2026

Duração: 2h17min (137 minutos)

Classificação indicativa: Livre

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