A sexta-feira (11) reserva aos investidores uma agenda de alto peso informacional, com a divulgação simultânea dos índices de inflação ao consumidor no Brasil e nos Estados Unidos. O IPCA de agosto sai às 9h, enquanto o CPI americano, referente ao mesmo mês, é publicado às 9h30. Os números chegam em um ambiente de volatilidade elevada, marcado pela escalada do petróleo no exterior e pela iminência da reunião do Federal Reserve, agendada para os dias 15 e 16 de setembro.

No caso brasileiro, a leitura predominante entre analistas aponta para deflação no mês. O Bradesco projeta variação mensal de -0,26% para o IPCA, movimento explicado sobretudo pelo recuo nos preços da energia elétrica, impulsionado pelo bônus de Itaipu. A equipe do banco também avalia que os núcleos do índice devem permanecer estáveis na margem, em linha com a tendência de melhora observada nas últimas divulgações.

Do lado americano, a atenção recai sobre a trajetória dos preços após o payroll mais forte do que o esperado. Os contratos futuros de juros embutem cerca de 70% de probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa básica americana já na próxima semana, o que amplifica a relevância do CPI para a precificação dos ativos globais.

IPCA de agosto e o alívio vindo da conta de luz

O dado brasileiro é o principal termômetro da macroeconomia nacional neste momento e deve capturar com clareza o efeito do bônus de Itaipu sobre a tarifa de energia elétrica. Esse componente, sozinho, responde por boa parte da expectativa de queda de 0,26% no índice cheio, segundo a projeção do Bradesco. A leitura reforça a percepção de que choques pontuais de preços administrados vêm sendo absorvidos sem contaminação relevante para o restante da cesta.

A avaliação do banco é de que os núcleos — medidas que excluem itens mais voláteis e servem de bússola para a política monetária — devem se manter estáveis na margem. Essa estabilidade, segundo os analistas, está alinhada com a melhora gradual verificada nos últimos meses e é o ponto que o mercado observará com mais atenção, já que o índice cheio pode mascarar pressões subjacentes.

Inflação americana coloca o Fed no centro das atenções

Nos Estados Unidos, a divulgação do CPI de agosto surge em um momento delicado para a calibragem da política monetária. Após os números fortes do relatório de emprego (payroll), o Bradesco destaca que será importante averiguar se os níveis de preço seguem em desaceleração. Caso a inflação mostre resiliência, a leitura pode reforçar a aposta em aperto adicional pelo Federal Reserve.

O mercado de juros futuros já precifica cerca de 70% de chance de uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião dos dias 15 e 16 de setembro. O dado desta manhã, portanto, funciona como um dos últimos testes antes da decisão, podendo deslocar com força as curvas de rendimento, o dólar e os índices acionários em Wall Street.

Ibovespa, petróleo e o teste eleitoral

Na sessão anterior, o Ibovespa fechou em alta de 1,42%, aos 188.268,59 pontos, voltando a superar o patamar dos 188 mil. O movimento foi sustentado principalmente pelas ações de bancos, em um dia no qual uma nova pesquisa eleitoral corroborou o cenário disputado para a eleição presidencial de outubro.

Os papéis da Petrobras também forneceram apoio relevante ao índice, na esteira do salto de mais de 6% do barril de petróleo no mercado internacional. O avanço reflete a escalada de ataques a petroleiros no Oriente Médio, que reacendeu o prêmio de risco geopolítico embutido na commodity.

O Brent superou a marca de US$ 107, enquanto o WTI acompanhou o movimento e também atingiu os três dígitos, seu maior valor em três meses. A combinação de petróleo caro com juros ainda incertos nos EUA tende a manter a volatilidade elevada ao longo do pregão.

Agenda de Lula e compromissos em Brasília e no Rio Grande do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, às 10h, no Palácio da Alvorada. Às 14h30, participa de reunião sobre o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos, tema que ganhou centralidade na agenda federal.

Mais tarde, às 15h50, o presidente visita o Campus Viamão do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Às 16h40, participa de intervenções no contexto da visita ao campus, encerrando a agenda pública do dia fora de Brasília.

Sanções dos EUA e tensão nuclear no Oriente Médio

O governo americano anunciou nesta quinta-feira novas sanções contra empresas e indivíduos que, segundo Washington, estariam auxiliando o Hezbollah e outros grupos ligados ao Irã no Oriente Médio. A medida faz parte da ofensiva do Departamento do Tesouro, anunciada em 24 de agosto, que visa cortar o financiamento de Teerã para a guerra, a construção de mísseis, os ataques cibernéticos e a Guarda Revolucionária.

Do outro lado, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que as manobras políticas da agência nuclear da ONU levarão países a se retirarem do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). A declaração veio um dia depois de a Diretoria da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), composta por 35 países, aprovar uma resolução denunciando o Irã ao Conselho de Segurança da ONU por violar obrigações de não proliferação.

Greve nos bancos públicos e subvenção a combustíveis

No front doméstico, os bancários da Caixa Econômica Federal iniciaram greve nacional nesta quinta-feira (10). A mobilização ocorre após a rejeição da proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos empregados da Caixa e deve ser mantida por tempo indeterminado, até que novas assembleias tomem uma decisão. No Banco do Brasil, a paralisação é parcial e afeta apenas as bases sindicais que não aprovaram acordo, como Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.

Na área de combustíveis, o governo federal publicou medida provisória que destina R$ 6,6 bilhões para subvenções à produção e importação de combustíveis, em meio à alta dos preços no mercado internacional afetado por conflitos. A medida busca amenizar os impactos no mercado brasileiro antes da eleição.

A MP foi seguida do anúncio da assinatura de um decreto que reduz temporariamente em R$ 0,63 as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o litro da gasolina e zera as contribuições sobre o etanol hidratado. Paralelamente, a Petrobras busca realizar um aumento de cerca de R$ 1 por litro no preço do diesel vendido em refinarias, mas aguarda a publicação das medidas do governo federal que evitariam impactos para os consumidores. O reajuste ajudaria a estatal a reduzir a defasagem entre os preços domésticos e as cotações internacionais do derivado, ampliada após a recente alta do petróleo no exterior.

Indicadores de confiança e resultado fiscal completam o dia

Além dos índices de preços, a agenda americana traz às 11h o índice de confiança da Universidade de Michigan referente a setembro, termômetro relevante do humor do consumidor na maior economia do mundo.

No Brasil, às 15h, será divulgado o resultado fiscal mensal de agosto, dado que ganha peso em um contexto de acompanhamento atento das contas públicas e de discussão sobre a trajetória da dívida. Juntos, os indicadores desta sexta devem definir o tom dos mercados na reta final da semana e calibrar as expectativas para a decisão do Fed na próxima terça e quarta-feira.