Fachin solicita a Mendonça abertura de inquérito do Banco Master em meio à crise no STF
Fonte: noticiasdoes.com.br | Data: 11/09/2026 06:45:44
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um período de intensa turbulência, com os ministros Edson Fachin e André Mendonça no centro de uma disputa envolvendo o sigilo de um inquérito. Fachin, presidente da Corte, solicitou formalmente a Mendonça que levante o sigilo da investigação sobre supostas fraudes cometidas por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A medida visa, em parte, conter uma escalada de atritos e decisões conflitantes que têm marcado o cenário judicial nos últimos dias.
A solicitação de Fachin, divulgada em despacho, também inclui o pedido para que os autos do processo sejam compartilhados com os demais ministros do Tribunal. Este movimento ocorre em um contexto de crescente tensão, desencadeada por revelações que expuseram a proximidade de figuras importantes do judiciário com o banqueiro investigado, gerando uma série de reações e contra-reações entre os membros da mais alta corte do país.
A escalada da crise e as decisões controversas no STF
A crise atual no STF foi precipitada após o ministro André Mendonça decidir retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal. Esses documentos, uma vez tornados públicos, indicavam uma suposta proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. A divulgação desses relatórios acendeu o estopim para uma série de embates jurídicos e institucionais.
Em resposta à ação de Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes incluiu seu colega no inquérito das Fake News, alegando parcialidade e direcionamento nas investigações. Moraes argumentou que Mendonça estaria utilizando o processo para fins que não condizem com a imparcialidade exigida de um magistrado, transformando a disputa em um confronto direto entre os ministros.
Intervenções e reversões: o papel de Fachin e Dino
Diante do agravamento da situação, o ministro Edson Fachin interveio, retirando Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das Fake News. Este inquérito, aberto de ofício há sete anos, tem sido uma ferramenta de aplicação de atos por Moraes, e a decisão de Fachin representou uma tentativa de reequilibrar as forças dentro da Corte.
Ainda no desenrolar dos acontecimentos, André Mendonça acusou Moraes de ter se baseado em um relatório secreto da Polícia Federal, que posteriormente se revelou apócrifo e sem valor probatório, para justificar suas decisões. Em consequência, Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, de seu cargo. Contudo, o ministro Flávio Dino, por meio de uma decisão cautelar, reconduziu o delegado ao posto, criticando abertamente a postura de Mendonça. Em um novo capítulo, Fachin reverteu os atos tanto de Mendonça quanto de Dino, buscando restaurar a ordem e a coesão interna.
Preparativos para a sessão plenária e busca por consenso
Com a complexidade da situação, o presidente do STF, Edson Fachin, agendou uma sessão plenária para o próximo dia 15, onde os ministros deliberarão sobre eventuais medidas a serem tomadas em relação a Alexandre de Moraes. A pauta incluirá o pedido de André Mendonça para que Moraes seja investigado por suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em um esforço para promover um consenso, Fachin tem mantido conversas com os demais ministros da Corte e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele liberou a íntegra do processo que envolve Moraes para todos os gabinetes, buscando transparência e uma discussão informada. Embora Fachin tenha previsto inicialmente que a sessão seja presencial e aberta ao público, parte dos ministros defende que a discussão ocorra a portas fechadas, evidenciando as diferentes visões sobre a gestão da crise.
O inquérito do Banco Master e o sigilo dos documentos
No despacho mais recente, Edson Fachin ponderou que André Mendonça tem a prerrogativa de preservar o sigilo de documentos que ainda estejam diretamente relacionados a investigações em andamento. Essa ressalva visa evitar que a publicidade de certas informações possa comprometer a apuração dos fatos. A decisão de Fachin reflete a delicadeza do caso e a necessidade de equilibrar a transparência com a eficácia das investigações.
A investigação sobre as supostas fraudes do Banco Master, cujo proprietário é Daniel Vorcaro, permanece como o epicentro dessa crise. A complexidade das relações e a gravidade das acusações exigem uma análise minuciosa por parte do STF, que busca resolver os impasses internos e garantir a integridade de seus processos. Para mais informações sobre o caso, consulte fontes confiáveis como o Estadão.
Fonte: folhavitoria.com.br