O planeta em alerta: o que explica tantos eventos extremos ao mesmo tempo?
Fonte: abcmais.com | Data: 11/09/2026 07:05:58
Enchentes no Rio Grande do Sul, no Chile e nos Estados Unidos, frio histórico na Patagônia, calor extremo na América do Norte durante a Copa do Mundo, incêndios florestais sobre países da Europa, tornados no Brasil e terremotos na Ásia e na América do Sul, além de avalanches jamais vistas, chamam a atenção para uma sucessão de eventos que levanta uma pergunta: o que está acontecendo com o planeta?
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Há pouco mais de dois anos, o Rio Grande do Sul viveu a maior tragédia climática de sua história. Em maio de 2024, uma enchente sem precedentes inundou centenas de cidades, deixou milhares de famílias fora de casa, tirou quase 200 vidas e mudou a relação dos gaúchos com a chuva.

Foto: Cléber/FX Produções
“Quando o tempo está assim, eu fico doente. Fico com dor de cabeça, quero dormir mas não consigo. Passo noites acordada, porque foi horrível o que passei na enchente de 2024”, relata Rosa da Silva Alves, 71 anos, moradora do bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo.
Neste inverno, bastaram novos dias de chuva intensa para reacender um sentimento conhecido. Os rios voltaram a subir, cidades registraram alagamentos e cheias, houve queda de barreiras, bloqueios em rodovias e até tornados. Embora os impactos tenham sido incomparavelmente menores do que os de 2024, a lembrança da maior catástrofe climática do Estado continua presente.
“Perdi tudo em casa, tudo. E muitas coisas eu ainda não consegui recuperar”, relembra a aposentada que precisou deixar a própria casa e passar 51 dias abrigada.
Extremos e tragédias ao redor do mundo
Enquanto isso acontece no Sul do Brasil, o restante do planeta parece escrever, ao mesmo tempo, capítulos igualmente marcantes da força da natureza. Na Patagônia argentina, uma intensa massa de ar polar derrubou as temperaturas para perto dos -25°C, congelando rios e estabelecendo recordes de frio.
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Na América do Norte, Estados Unidos e Canadá enfrentaram uma onda de calor acima da média para o verão do Hemisfério Norte. Em algumas cidades, a combinação entre temperatura e umidade levou a sensação térmica para perto dos 40°C. Na Europa, incêndios florestais avançaram sobre áreas de países como Espanha, Portugal, Grécia e Itália, impulsionados por altas temperaturas, seca prolongada e ventos intensos.
O verão de 2026 foi o mais quente já registrado na Europa Ocidental. E, especificamente na França, o verão foi oficialmente o mais quente desde o início das medições, em 1900. A temperatura média de junho a agosto chegou a 24°C, quase 1°C acima do antigo recorde de 2003. A França registrou 53 dias em condições de onda de calor, com temperaturas acima de 40°C em 45% do território em algum momento do verão.

Foto: Lilian Auffret/Hans Lucas/Hans Lucas via AFP
Em lados opostos do planeta, terremotos deixaram milhares de mortos na Colômbia, milhares na Venezuela e dezenas de milhares desaparecidos, enquanto no Japão, tremores quase tão fortes quanto os registrados na América do Sul também tiraram vidas — embora as consequências tenham sido muito menores graças à infraestrutura do país asiático.
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No dia 26 de agosto, um colapso de gelo e rocha em uma região de alta montanha provocou uma enorme onda de detritos e enchentes que atingiu o Nepal e o Tibete. O desastre, com imagens impressionantes e jamais vistas antes, registra mais de 1.350 mortos e um número superior a 5.000 desaparecidos.

Foto: Reprodução
Cada um desses episódios possui características próprias. Alguns pertencem ao campo da meteorologia. Outros são fenômenos geológicos. Ainda assim, a concentração de acontecimentos em um intervalo tão curto desperta uma pergunta inevitável: estamos diante de uma coincidência, de uma maior percepção causada pela velocidade da informação ou de um planeta que realmente passa por uma fase de extremos cada vez mais frequentes?
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Nem todos esses eventos possuem a mesma origem. Terremotos, por exemplo, decorrem do movimento das placas tectônicas e não têm relação com as mudanças climáticas. Já ondas de calor, chuvas extremas, secas, incêndios e outros fenômenos atmosféricos fazem parte de um sistema climático que vem sendo profundamente alterado pelo aquecimento global. Aquilo que ouvíamos na escola sobre as consequências climáticas futuras, parece ter se tornado realidade. Mas afinal, existe alguma ligação entre esses acontecimentos?

Foto: Reprodução
O que dizem os especialistas?
Para o climatologista Francisco Eliseu Aquino, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e pesquisador com mais de três décadas dedicadas ao estudo do clima, especialmente da relação entre a Antártica e o Sul do Brasil, a resposta é clara: o planeta já vive uma nova realidade climática. “Os últimos cinco anos são a tendência de 2050”, afirma.
Segundo ele, o aumento da temperatura média da Terra intensificou os eventos meteorológicos extremos em praticamente todo o mundo. Não significa que todos os lugares enfrentarão os mesmos fenômenos, mas que praticamente todas as regiões estarão mais expostas a episódios de grande intensidade.
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E uma das regiões que mais têm sido afetadas é justamente o Sul do Brasil, como observado em cada enchente desde 2023. “Esse é o novo normal do Rio Grande do Sul”, resume o diagnóstico do pesquisador.

Foto: UFRGS/Divulgação
Na avaliação do climatologista, os modelos climáticos que projetavam um cenário mais extremo para meados do século parecem estar sendo confirmados muito antes do previsto. Esperava-se que boa parte dessas mudanças fosse percebida entre as décadas de 2040 e 2050. Para Aquino, porém, os sinais já estão diante dos nossos olhos. “Estamos aprendendo como seria 2050 olhando para o que aconteceu entre 2023 e 2026”, resume.
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Um planeta mais quente significa um planeta mais extremo
A explicação começa nos oceanos. Segundo o pesquisador, cerca de 90% do calor adicional provocado pelas mudanças climáticas foi absorvido pelos mares ao longo das últimas décadas. Esse calor funciona como uma gigantesca reserva de energia para o sistema climático.
Conforme dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, agosto de 2026 empatou com julho de 2023 como o mais quente já registrado no planeta, com temperatura média global de 16,96°C — 1,65°C acima da média estimada para o período pré-industrial. Foi também o agosto mais quente já registrado na superfície dos oceanos fora das regiões polares, com média de 21,07°C.
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Por isso, mesmo que a humanidade interrompesse hoje todas as emissões de gases de efeito estufa, os oceanos continuariam liberando calor lentamente durante muitos anos. “Os oceanos levarão décadas para esfriar”, afirma Aquino.
É justamente essa energia acumulada que ajuda a explicar por que ondas de calor se tornam mais intensas, por que as secas se prolongam e por que as chuvas tendem a ser cada vez mais concentradas. “Um planeta mais quente gera mais ondas de calor, mais estiagens, mais secas e mais chuva extrema”, resume Aquino.
Com chuvas mais intensas, aumentam também as condições favoráveis para granizo, vendavais, microexplosões atmosféricas e tornados. Entre quarta e quinta-feira (10), dois tornados atingiram o Paraná em meio às instabilidades associadas à formação de um ciclone extratropical na Região Sul. Ao todo, as chuvas afetaram 583 pessoas em 11 municípios, segundo a Defesa Civil paranaense. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta vermelho para o Estado, com possibilidade de chuva superior a 100 milímetros por dia, ventos acima de 100 km/h e granizo.
O pesquisador ressalta que a atmosfera não apenas ganha mais energia, mas também altera seus padrões de circulação. Frentes frias permanecem estacionadas por mais tempo, bloqueios atmosféricos tornam-se mais persistentes e sistemas meteorológicos passam a produzir volumes de chuva muito acima da média em intervalos cada vez menores.

Foto: Arquivo Pessoal
É exatamente essa combinação que ajuda a explicar os episódios recentes vividos pelo Rio Grande do Sul. Em muitos casos, meses de chuva abaixo da média foram seguidos por poucos dias suficientes para concentrar praticamente todo o volume esperado para várias semanas. “O problema não é apenas quanto chove. É como chove, tudo de uma vez”, explica o pesquisador.
Segundo ele, a tendência para as próximas décadas é que essa irregularidade aumente. O Rio Grande do Sul deverá continuar registrando grandes volumes anuais de precipitação, distribuídos de forma muito mais desigual. Em vez de uma chuva constante ao longo do mês, a tendência é que ela se concentre em poucos episódios extremamente intensos, elevando rapidamente os rios e ampliando o risco de enchentes, enxurradas e deslizamentos.
É justamente esse comportamento que, para Aquino, caracteriza o novo normal climático vivido pelo Estado.
El Niño já está consolidado
Se as mudanças climáticas explicam porquê o planeta passou a produzir eventos meteorológicos mais extremos, há outro fator que ajuda a entender por que o Sul do Brasil voltou a enfrentar semanas seguidas de chuva intensa: o retorno do El Niño — fenômeno natural, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar a circulação atmosférica em diferentes partes do planeta.
O fenômeno ocorre há milhares de anos e continuará existindo. O que mudou, segundo Aquino, foi o ambiente em que ele atua. “O El Niño se soma à mudança do clima, dando mais intensidade aos fenômenos aqui no Sul”, afirma. Em outras palavras, o pesquisador compara a mudança climática ao palco onde os eventos acontecem. O El Niño entra em cena como um amplificador.

Foto: Noaa/MetSul Meteorologia/Divulgação
E o fenômeno que já preocupava os meteorologistas ganhou uma nova dimensão nesta semana. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a 2,7°C na primeira semana de setembro, um dos maiores valores já registrados. É também a primeira vez, na era moderna, que um El Niño atinge a categoria de “muito forte” tão cedo no calendário. Em 2015, ano do mais intenso episódio registrado nas últimas décadas, o patamar de 2°C só foi alcançado em setembro; em 1997, também em setembro; e em 1982, apenas em novembro.
As projeções mais recentes são ainda mais expressivas. Modelos analisados pela MetSul Meteorologia apontam para um pico de intensidade entre novembro e dezembro, com a mediana das previsões próxima de 4°C de anomalia na região Niño 3.4. Caso a projeção se confirme, seria um nível sem precedente nos cerca de 170 anos de observações. A NOAA também estima que há 69% de probabilidade de o episódio entre outubro e dezembro ser histórico, superando a intensidade dos eventos registrados desde 1950.
O cenário também é acompanhado pelos órgãos brasileiros. O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por Inpe, Inmet, Ana, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil, aponta mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte entre setembro e novembro e indica que o fenômeno deve persistir pelo menos até o início de 2027. Para a Região Sul, a previsão climática para setembro, outubro e novembro indica maior probabilidade de chuvas acima da média.
Isso não significa, ressalta o pesquisador, que o Rio Grande do Sul repetirá a tragédia de 2024. “Eventos climáticos nunca são cópias exatas uns dos outros”. Mas as condições atmosféricas apontam para um cenário favorável à ocorrência de chuva intensa, temporais, granizo, rajadas de vento e elevação rápida dos rios.
A Organização Meteorológica Mundial também projeta que o fenômeno atinja sua maior intensidade no fim do ano e permaneça atuante até o início de 2027.
Inverno com cara de primavera
Quem vive no Sul associa o inverno a dias frios e chuvosos. Mas, para Aquino, esse padrão vem mudando, sendo cada vez mais comum a chegada de frentes frias acompanhadas por calor, abafamento, tempestades elétricas e granizo, características muito mais típicas da primavera do que do inverno.
Segundo ele, isso acontece porque massas de ar frio vindas da Antártica encontram uma atmosfera mais quente sobre a América do Sul. Ao mesmo tempo, bloqueios atmosféricos dificultam o deslocamento das frentes frias, fazendo com que elas permaneçam praticamente estacionárias sobre o Sul do Brasil por vários dias.
Enquanto isso, correntes de ar quente e úmido vindas da Amazônia — os chamados rios atmosféricos — continuam alimentando esses sistemas. É essa combinação que favorece a formação de tempestades mais vigorosas.
Hoje, diz o pesquisador, episódios de chuva acompanhados por intensa atividade elétrica, granizo e vendavais deixaram de ser incomuns na estação mais fria do ano. “Nossos avós raramente ouviam trovoadas tão fortes durante o inverno.” O próprio tornado registrado nas cidades gaúchas de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho em julho, é um exemplo desse novo comportamento da atmosfera. De acordo com a MetSul Meteorologia, o cenário de destruição pode ter sido provocado por ventos de até 300 km/h.

Supercélula que gerou tornado visto no noroeste do RS
Reprodução/Redes sociais

Supercélula que gerou tornado visto no Noroeste do RS
Reprodução/Redes sociais

Tornado deixou casas destruídas em Giruá, no noroeste gaúcho
Reprodução/Redes sociais

Tornado atingiu a zona rural de três municípios da região Noroeste do RS
Reprodução/Redes sociais
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Frio recorde na Patagônia
As temperaturas próximas dos -25°C na Patagônia enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta chuva intensa e temperaturas acima da média para o inverno fazem parte do mesmo “rearranjo da circulação atmosférica provocado pelo El Niño”, conforme Aquino.
Durante esses episódios, uma área de alta pressão costuma se posicionar entre o sul do Chile, a Argentina e a Península Antártica. Essa configuração favorece o avanço do ar polar sobre o extremo sul do continente, aumentando a ocorrência de ondas de frio e de neve na Patagônia.
Ao mesmo tempo, ciclones e áreas de baixa pressão permanecem mais próximos do Uruguai e do Rio Grande do Sul, favorecendo a chegada constante de ar quente e úmido vindo da Amazônia. O encontro dessas massas de ar cria um ambiente ideal para temporais e chuvas persistentes sobre o Estado.

Foto: Nasa/Metsul
Assim, o frio extremo registrado no extremo sul do continente e as enchentes no Rio Grande do Sul não representam fenômenos opostos, mas diferentes manifestações de um mesmo sistema atmosférico reorganizado.
E os terremotos?
A sequência de eventos registrada nas últimas semanas também incluiu terremotos de grande magnitude na Venezuela, Colômbia, Peru e Japão. Nesse caso, porém, a ciência faz uma distinção importante: ao contrário das ondas de calor, secas, enchentes e tempestades, terremotos são fenômenos geológicos.

Foto: Voluntersul/Divulgação
Eles resultam do movimento natural das placas tectônicas e não possuem relação com as mudanças climáticas. Para Aquino, associar esses episódios ao aquecimento global seria um erro. “É uma terrível coincidência, pois tremores e erupções ocorrem todos os dias”, resume.
Segundo ele, quando se analisam os registros históricos das últimas décadas, terremotos e erupções vulcânicas mantêm comportamento relativamente estável. Já os desastres relacionados ao clima apresentam uma tendência completamente diferente, crescendo de forma consistente em praticamente todos os continentes, gerando impactos humanos muito maiores.
Embora terremotos possam provocar tragédias de enormes proporções, os eventos climáticos extremos afetam, ano após ano, milhões de pessoas, comprometendo o abastecimento de água, produção agrícola, geração de energia, infraestrutura urbana, saúde pública e economia.
Cidades precisam se adaptar
Por isso, afirma o pesquisador, a principal mensagem da comunidade científica deixou de ser apenas reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Adaptar cidades, melhorar sistemas de alerta, investir em infraestrutura resiliente e preparar a população para conviver com uma realidade mais instável tornaram-se medidas igualmente urgentes.
“O clima continuará mudando e o planeta aquecido. A diferença estará na capacidade da sociedade de reduzir seus impactos. Porque, se os modelos científicos estiverem corretos, aquilo que hoje parece excepcional tende, cada vez mais, a fazer parte do cotidiano” finaliza.
Do diagnóstico à ação
A mudança também começa a aparecer na forma como os investimentos públicos são planejados. Depois da experiência no Rio Grande do Sul, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou a desenvolver o projeto Cidades Resilientes, que mapeia investimentos necessários para adaptar áreas urbanas às mudanças climáticas e reduzir vulnerabilidades.
O banco cita a atuação no Estado como um modelo que pode ser reproduzido em outras regiões do país. No balanço de 2025, publicado em junho deste ano, o BNDES informa ainda que R$ 1,6 bilhão, equivalente a 35% dos recursos do programa BNDES Invest Impacto, foi direcionado a projetos de mitigação, adaptação climática e redução de vulnerabilidades socioeconômicas.
Em maio de 2026, o banco também atualizou o Fundo Clima Automático, incluindo entre os projetos financiáveis iniciativas de redução de riscos de desastres, ao lado de ações para diminuir emissões de carbono e metano. A mudança indica que a adaptação deixou de ser tratada apenas como resposta posterior às tragédias e passou a integrar, de forma mais explícita, o planejamento dos investimentos.
Entre as iniciativas apoiadas no Rio Grande do Sul também está a usina de biometano de São Leopoldo, que recebeu R$ 76,4 milhões do BNDES, dos quais R$ 61,1 milhões são recursos do Fundo Clima. A unidade utiliza o biogás gerado no aterro sanitário da CRVR para produzir 34 mil metros cúbicos de biometano por dia.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
O BNDES mantém uma linha específica para investimentos em adaptação climática, destinada a projetos que aumentem a resiliência, a capacidade de adaptação e reduzam riscos relacionados a desastres climáticos. O banco também disponibiliza um painel público com as operações do Fundo Clima por Estado e finalidade, permitindo identificar onde os recursos estão sendo aplicados.
A preparação para esse novo cenário também passou a fazer parte da atuação do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Por meio do Gabinete de Mudanças Climáticas (GabClima), o MPRS acompanha políticas públicas de prevenção, adaptação e resposta a desastres.
No mês passado, o órgão recebeu pesquisadores da Ufrgs para discutir os resultados preliminares de um estudo sobre a capacidade das Defesas Civis municipais de enfrentar eventos climáticos extremos. A pesquisa analisa, entre outros pontos, a estrutura das equipes, a elaboração de planos de contingência e os mecanismos de financiamento da prevenção.
Em maio, o GabClima divulgou uma nota técnica sobre os possíveis impactos do El Niño 2026-27, recomendando planejamento preventivo, atualização dos planos de contingência e monitoramento permanente das condições climáticas. Para o Ministério Público, a adaptação exige que municípios e Estado conheçam suas áreas de maior vulnerabilidade e estejam preparados antes da ocorrência dos eventos extremos.
“Somos capazes de reduzir os impactos, anulá-los é impossível”

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Se a comunidade científica aponta que os eventos extremos tendem a se tornar cada vez mais frequentes, o poder público trabalha para reduzir seus impactos. Foi essa a mensagem transmitida pelo governador Eduardo Leite recentemente, ao lado da Defesa Civil estadual, para apresentar as projeções meteorológicas para o Rio Grande do Sul.
Ao comentar a sucessão de desastres registrados em diferentes partes do planeta e o novo cenário climático enfrentado pelo Estado, Leite reconheceu que episódios como enchentes, tempestades e temporais passarão a exigir uma capacidade permanente de resposta dos governos. “Somos capazes de reduzir os impactos. Anulá-los é absolutamente impossível, mesmo países mais ricos, com tecnologia de ponta, sofrem esses impactos.”
Segundo o governador, é necessário uma combinação entre monitoramento meteorológico, sistemas de alerta, obras de infraestrutura, planejamento urbano e mobilização da sociedade. “A proteção às pessoas dependerá diretamente da coordenação de esforços na ação, na informação e na mobilização de todos”, afirmou.