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IPCA registra deflação em agosto com recuo na energia elétrica e nos alimentos diz IBGE

Fonte: fakebola.com.br | Data: 11/09/2026 21:07:18

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Esta reportagem apresenta André Valério, economista do Banco Inter, e sua leitura sobre o IPCA de agosto, que mostrou deflação puxada pela energia elétrica. Ele afirma que esse recuo se deve principalmente à energia e a quedas em itens de alimentação, mantendo a inflação sob controle e abrindo espaço para a continuidade dos cortes na Selic. O texto ancora a expectativa para a decisão do Copom na próxima reunião, que tende a seguir com cautela em direção a novos ajustes graduais da política monetária.

  • IPCA caiu em agosto, a primeira deflação mensal desde o ano passado
  • A energia elétrica foi o principal fator de queda do IPCA
  • Alimentação e bebidas também recuaram, ajudando a inflação a ficar mais contida
  • O BC deve seguir com cortes graduais da Selic, mantendo a inflação sob controle
  • Riscos como El Niño, volatilidade de commodities e petróleo podem trazer pressão, mas o cenário ainda permite mais ajustes

IPCA cai 0,32% em agosto; energia elétrica e alimentação ajudam a deflação, aponta IBGE

Resultados principais

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,32% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho, o índice havia subido 0,07%. Trata-se da primeira deflação mensal desde agosto do ano passado e da menor variação para agosto desde agosto de 2022 (quando caiu 0,36%). O mercado estimava uma queda menor, de cerca de 0,28%.

No acumulado em 12 meses, o IPCA avança 4,22%, ainda dentro da banda de tolerância do objetivo de inflação do Banco Central, que tem como teto 3%, com margem de ±1,5 ponto percentual. No acumulado do ano, o indicador acumula queda de 3,11%.

Contribuições setoriais

A principal alavanca de queda veio da energia elétrica residencial, com recuo de 7,63%. O grupo Alimentação e bebidas também mostrou queda, de 0,34%. Por outro lado, o grupo Habitação registrou recuo menor, em torno de 1,87% no mês, o que, segundo especialistas, é o menor para agosto desde o Plano Real.

Essa leitura foi fortemente influenciada pelo que ficou conhecido como Bônus de Itaipu, que, em julho, gerou um crédito na conta de luz de consumidores com menor consumo no ano de 2025. O efeito é temporário: as tarifas devem voltar a subir, o que deve pressionar o IPCA novamente nos próximos meses.

Contexto econômico e política monetária

Para o viés anual, o IPCA de julho a agosto mostra que a inflação continua sob controle, ainda que os preços da energia tenham distorções temporárias associadas ao crédito de Itaipu. A grande discussão entre analistas é como isso influenciará a trajetória da política monetária.

A agência reguladora de energia elétrica ressaltou que, embora o crédito tenha reduzido a conta de luz neste mês, o impacto inflacionário efetivo será temporário. Analistas destacam que o resultado de agosto, apesar de fraco, não deve alterar a perspectiva de continuidade do ciclo de cortes graduais na taxa Selic, que atualmente está em 14% ao ano. A próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorre na próxima quarta-feira.

Segundo um economista do Banco Inter, o efeito pontual da energia pode distorcer agosto e setembro, mas o conjunto de dados sugere inflação sob controle. Ele afirma que o componente qualitativo da inflação ganha importância e que esse quadro sustenta novos ajustes lentos na Selic. Um representante do IBGE também aponta que, fora a energia, houve recuos em alguns alimentos, queda nas passagens aéreas e redução nos preços de combustíveis, com destaque para a gasolina.

Conclusão

A leitura do IPCA de agosto mostra uma deflação de 0,32%, impulsionada pela energia elétrica e por recuos em Alimentação e bebidas, com o crédito temporário de Itaipu atuando como fator pontual. Mesmo diante dessa oscilação, a inflação permanece sob controle e dentro da meta, o que sustenta a continuidade de cortes graduais da Selic. A decisão do Copom na próxima reunião deve manter a cautela, ajustando a política monetária de forma gradual conforme novos dados confirmem esse cenário. Riscos como El Niño, volatilidade de commodities e petróleo podem exercer pressão, mas o horizonte permanece favorável a mais ajustes desde que a trajetória da inflação se mantenha estável.

Perguntas frequentes

  • O IPCA registrou deflação em agosto: qual foi o recuo?
    Resposta: O IPCA caiu 0,32% em agosto.
  • Qual foi o principal fator de queda do IPCA em agosto?
    Resposta: A energia elétrica residencial caiu 7,63%.
  • Como ficou o grupo Alimentação e bebidas em agosto?
    Resposta: Alimentação e bebidas recuou 0,34%.
  • Qual o papel do bônus de Itaipu na deflação de agosto?
    Resposta: O bônus gerou crédito na conta de luz, ajudando a reduzir a energia e impactando o IPCA em cerca de -0,33 ponto percentual.
  • O que isso significa para a política de juros do BC?
    Resposta: Mostra inflação sob controle e pode manter cortes graduais na Selic, mas a decisão depende da próxima reunião do Copom.