Cresce o uso de cigarro eletrônico entre adolescentes; 29,6% já experimentaram, segundo pesquisa do IBGE, enquanto o consumo de cigarros convencionais diminui.
Fonte: reportermaceio.com.br | Data: 14/09/2026 17:52:36
Um estudo recente revela que a popularidade dos cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros tem crescido de maneira alarmante, com quase um em cada três jovens de 13 a 17 anos já tendo experimentado essa forma moderna de nicotina. Os dados indicam que a porcentagem saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, conforme apontado na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024. Em contrapartida, a utilização de cigarros convencionais entre os jovens dessa faixa etária caiu de 22,6% para 18,5% no mesmo período.
Especialistas alertam que essa mudança de comportamento pode estar associada à percepção de menor risco que os vapes parecem transmitir. A nova forma de consumo, com sabores atrativos e um design discreto, parece seduzir os jovens que, muitas vezes, ainda não reconhecem a gravidade do que estão consumindo. Roberto Rangel, médico de Família e Comunidade, destaca que “a embalagem pode ter mudado, mas o risco de dependência continua presente”. Essa modificação na forma de contato com a nicotina é acompanhada por um aumento no uso entre jovens adultos: a pesquisa Vigitel 2024 mostrou que o uso de cigarros eletrônicos entre pessoas de 18 a 24 anos subiu de 7,4% para 10,1%.
Entretanto, a ideia de que os vapes produzem apenas vapor de água é uma falácia. Os líquidos utilizados nos dispositivos frequentemente contêm nicotina, aromatizantes e outras substâncias tóxicas, que, quando aquecidas, geram um aerossol prejudicial aos pulmões. Essa situação é ainda mais preocupante para os jovens, cujos cérebros estão em desenvolvimento e podem sofrer consequências adversas em áreas relacionadas à atenção, aprendizado e controle emocional.
Diante do crescimento do uso de vapes, algumas famílias podem se deparar com sinais de dependência, como o desejo intenso de usar o dispositivo, irritabilidade e dificuldade de concentração ao ficar sem ele. Rangel aconselha que, ao descobrirem que um adolescente está usando vapes, os pais devem buscar criar um diálogo aberto, evitando abordagens que possam levar o jovem a esconder seu uso.
No Brasil, a fabricação e a venda de cigarros eletrônicos são proibidas, e quem apresenta sinais de dependência é orientado a procurar uma Unidade Básica de Saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte e orientação para aqueles que desejam deixar a nicotina para trás. Rangel reforça que é fundamental articular uma resposta abrangente a essa questão, que deve incluir educação nas escolas e uma fiscalização efetiva do comércio ilegal. O aumento do uso dos cigarros eletrônicos demanda uma ação coordenada em diversos níveis da sociedade para proteger as novas gerações dos riscos à saúde associados a essa forma de consumo.