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BRB afasta cinco funcionários após suspeitas de envolvimento no esquema do caso Master

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 14/09/2026 19:29:16

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Joédson Alves / Agência Brasil
PF concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o BRB somaram cerca de R$ 17 bilhões.

O Banco de Brasília (BRB) afastou, de forma cautelar, cinco funcionários da instituição por suspeitas relacionadas às fraudes do Banco Master.

Os empregados — que não tiveram os nomes nem os cargos divulgados — foram citados durante investigações internas relacionadas a transações com o banco do empresário Daniel Vorcaro.

A decisão foi tomada pela corregedoria do banco, com aval do Conselho de Administração, conforme divulgou o BRB em nota.

“O banco reforça que os afastamentos são cautelares e não representam antecipação de juízo em relação ao mérito das investigações”, declarou a instituição.

De acordo com o g1, em agosto deste ano, acionistas do BRB permitiram que o banco acionasse ex-gestores considerados responsáveis pelos prejuízos na Justiça. A instituição tem 90 dias para definir essa lista a partir da aprovação.

Fraude de R$ 17 bilhões

A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram “estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos” e utilização de uma empresa de fachada.

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos.

Segundo a PF, “as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa”.

Especificamente sobre o BRB, a PF apontou “prática de corrupção explícita” pelo ex-presidente da instituição e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez do banco.

O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.

Daniel e os leões”

Segundo a PF, Vorcaro tinha um grupo no WhatsApp com seus advogados para encaminhar documentos relacionados ao Master e ao BRB. O grupo se chamava “Daniel e os leões”.

Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos (como do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master).