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Caso Master: entenda a crise que levou Moraes ao plenário do STF

Fonte: brasil247.com | Data: 15/09/2026 05:03:07

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247 – A crise do Banco Master chega nesta terça-feira (15) ao plenário do Supremo Tribunal Federal após uma sequência de revelações sobre mensagens de Daniel Vorcaro, um contrato de R$ 130 milhões, acusações trocadas entre ministros e disputas pelo acesso às provas. A seguir, a cronologia apresenta os principais acontecimentos desde a origem do caso até o julgamento envolvendo Alexandre de Moraes.

Investigações alcançam o Banco Master

O caso começou nas apurações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, então comandado por Daniel Vorcaro, destaca reportagem do G1. A Polícia Federal passou a investigar as atividades da instituição e suas relações com agentes públicos, empresários, entidades culturais e produtoras.

Parte das investigações analisou o possível direcionamento de emendas parlamentares a organizações ligadas ao filme “Dark Horse”. Entre as entidades citadas estavam o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura e a Go Up Entertainment, da produtora Karina Ferreira da Gama.

Os documentos também mencionaram o ex-deputado Mario Frias, o deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. Segundo a PF, Flávio teria atuado como interlocutor na cobrança de repasses de R$ 62,8 milhões a Vorcaro. Uma lista com nomes de parlamentares foi encontrada na churrasqueira do senador Ciro Nogueira.

Em desdobramentos no exterior, o ministro André Mendonça autorizou o bloqueio de R$ 1,7 bilhão em bens e ativos de bancos relacionados a Vorcaro. A medida atingiu imóveis, embarcações de luxo e obras atribuídas a Pablo Picasso e Jean-Michel Basquiat.

Toffoli deixa a relatoria

As apurações também citaram o ministro Dias Toffoli e a relação dele com uma empresa pertencente à sua família. Diante das referências, Toffoli deixou a relatoria do caso no início de 2026 e declarou-se suspeito para atuar em procedimentos conexos.

A relatoria passou para André Mendonça, que assumiu a condução dos processos relacionados ao Banco Master e das investigações derivadas do material apreendido pela Polícia Federal.

PF identifica encontros entre Moraes e Vorcaro

A crise chegou diretamente ao Supremo no início de setembro de 2026, quando relatórios da PF tiveram o sigilo levantado.

De acordo com a corporação, Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro encontraram-se presencialmente oito vezes. O banqueiro teria pedido ajuda ao ministro para conter investigações da PF e do Ministério Público Federal contra o Banco Master.

Ainda segundo o relatório, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil.

O documento também afirmou que o ministro participou da análise e da edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.

Moraes reage à divulgação dos documentos

Após a liberação dos relatórios, Moraes enviou ofícios ao presidente do STF, Edson Fachin, nos quais questionou a forma como Mendonça tornou públicos os documentos.

Moraes acusou o relator de realizar um “levantamento seletivo” e promover um “direcionamento subjetivo”. De acordo com o ministro, Mendonça disponibilizou parcialmente apenas 15 procedimentos e manteve fora da divulgação 180 peças e arquivos digitais registrados no sistema eletrônico da Corte.

Para Moraes, a liberação fracionada buscou assegurar a “proteção ostensiva de determinado grupo político”. Ele também acusou Mendonça de direcionar acordos de colaboração premiada e investigações contra alvos previamente definidos.

Moraes pediu a Fachin o levantamento integral do sigilo de todos os procedimentos ligados ao caso Master. Também solicitou que a discussão sobre suas mensagens com Vorcaro fosse julgada junto com as acusações apresentadas contra Mendonça.

O terceiro pedido foi a intimação dos ministros do STF e demais magistrados mencionados nos autos, para que prestassem informações e pudessem defender as prerrogativas do Poder Judiciário.

Mendonça nega seleção de informações

André Mendonça rebateu as acusações e negou ter escolhido seletivamente quais documentos seriam divulgados.

O ministro afirmou que tornou públicos todos os procedimentos principais relacionados às conversas de Moraes. Segundo ele, determinados trechos permaneceram sob sigilo para proteger investigações ainda em andamento, além de dados pessoais, fiscais e bancários de terceiros.

Mendonça declarou ainda que a cópia dos dados do celular de Vorcaro mantida em seu gabinete funcionava como uma contraprova lacrada, destinada a preservar a cadeia de custódia do material.

Moraes acusa Mendonça formalmente

O confronto entre os dois ministros avançou quando Moraes apresentou acusações formais contra Mendonça.

O processo passou a reunir questionamentos sobre a conduta do relator nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Os documentos apontavam suspeitas de assimetria na condução das investigações, abuso de autoridade e direcionamento contra Moraes e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Moraes pediu que essas acusações fossem analisadas no mesmo julgamento destinado ao relatório sobre suas mensagens com Vorcaro.

Ministros cobram acesso ao celular de Vorcaro

Com a proximidade do julgamento, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral às informações retiradas do celular de Daniel Vorcaro.

Os ministros sustentaram que o plenário não deveria deliberar com base em “sínteses parciais” do material reunido pela Polícia Federal.

Mendonça argumentou inicialmente que possuía apenas uma cópia criptografada de segurança e que o compartilhamento naquele momento poderia “tumultuar o julgamento”.

Cristiano Zanin decidiu então determinar diretamente à Polícia Federal a entrega de uma cópia idêntica do acervo digital aos gabinetes interessados.

PGR defende anulação do relatório

A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela anulação e pelo arquivamento do relatório da Polícia Federal que reuniu as informações sobre Moraes.

Para a PGR, o documento apresentava um vício de origem porque teria sido produzido a pedido de Mendonça sem provocação do Ministério Público ou da própria PF e sem comunicação à Presidência do Supremo.

O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também apareceu no relatório liberado por Mendonça. Delegados da Polícia Federal chegaram a pedir que Gonet se declarasse impedido de atuar no caso.

Em razão dessa citação, manifestações importantes da PGR passaram a ser assinadas pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, responsável por atuar na apuração em conjunto com Gonet.

A Procuradoria também se posicionou favoravelmente ao acesso integral dos ministros às mídias apreendidas e à retirada do sigilo sobre a rede de pagamentos do Banco Master.

Fachin separa as acusações contra Mendonça

No fim de semana anterior ao julgamento, Edson Fachin reorganizou a pauta e rejeitou o pedido para que as acusações contra Mendonça fossem analisadas junto com o caso de Moraes.

O presidente do STF concluiu que o procedimento contra Mendonça ainda tinha prazos de instrução em andamento. Por isso, marcou sua apreciação para 23 de setembro.

Com a separação, a sessão desta terça ficou concentrada na validade do relatório e na análise dos elementos relacionados às mensagens de Moraes com Vorcaro.

Sigilo da rede de pagamentos é retirado

Na etapa seguinte, Moraes solicitou o levantamento do sigilo da PET 15645, processo que detalha a rede de pagamentos vinculada ao Banco Master.

A PGR deu parecer favorável à divulgação. Mendonça atendeu ao pedido e retirou o sigilo do procedimento na segunda-feira (14), véspera da sessão do STF.

Moraes sustenta que a abertura completa das provas permitirá demonstrar que não houve irregularidade em sua conduta.

PF entrega dados completos aos gabinetes

Também na segunda-feira, a Polícia Federal confirmou o compartilhamento da cópia integral dos dados do celular de Vorcaro com os gabinetes de Zanin, Gilmar Mendes e Moraes.

A entrega encerrou, ao menos provisoriamente, a disputa sobre o acesso ao material. Os dados passaram a poder ser usados pelos ministros na análise da origem do relatório e da eventual existência de indícios contra Moraes.

O conteúdo também abriu espaço para novos questionamentos sobre impedimentos, pedidos de adiamento e a necessidade de uma análise complementar antes de qualquer investigação formal.

Caso chega ao plenário nesta terça

Após a divulgação dos relatórios, a reação de Moraes, a resposta de Mendonça, as manifestações da PGR e a entrega das provas, o caso chegou ao plenário do STF nesta terça-feira.

A Corte deverá definir se o relatório é inválido por falhas formais e se as mensagens reunidas pela Polícia Federal justificam algum tipo de apuração contra Moraes. Mesmo que reconheça a nulidade do documento, o Supremo poderá determinar que os dados sejam encaminhados a outro integrante do Ministério Público para uma avaliação independente.

A participação dos ministros envolvidos ainda constitui um dos pontos sensíveis do processo. Moraes e Mendonça podem deixar de votar por estarem diretamente ligados à controvérsia. Toffoli, que já se declarou suspeito em desdobramentos do caso Master, também não deve participar da decisão.

O julgamento representa, assim, a etapa mais recente de uma crise iniciada nas investigações financeiras do Banco Master, ampliada pelo conteúdo do celular de Vorcaro e transformada em confronto institucional dentro do próprio Supremo.

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