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Likinha: heroína da vida real

Fonte: brasil247.com | Data: 15/09/2026 07:24:21

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Há uma história que nenhum coach de camarote, vestindo bermuda e empunhando um copo Stanley, reproduziria nem como inspiração, porque ela contraria frontalmente seu preconceito e sua cartilha do privilégio. É a história de Likinha. Uma trajetória de queda, abandono, rua e sofrimento.

Sua história desmonta discursos inteiros sem precisar de economistas sabujos do capital, coach de meritocracia ou daquele sujeito que, depois de herdar dois imóveis do pai, descobriu que pobreza é falta de esforço. Basta uma pessoa. Likinha é uma dessas pessoas. Seu nome é Evelin Samanta de Souza Cornia, conhecida como Likinha, entregadora, trabalhadora de aplicativo, estudante de Serviço Social e representante de trabalhadores que vivem sobre duas rodas, entre o trânsito, a chuva, os buracos, o aplicativo que apita e uma remuneração insuficiente para quem trabalha e dá lucro radical às plataformas bilionárias.

No dia 14 de setembro de 2026, ela estava no Palácio do Planalto, diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de sanção da ampliação do Move Brasil Táxi e Aplicativos, programa destinado a facilitar o financiamento de veículos para motoristas de aplicativo, entregadores, taxistas e trabalhadores do transporte escolar. Até aí, teríamos apenas mais uma solenidade de governo, com autoridades, discursos, números, assinaturas, fotografias e a liturgia republicana funcionando conforme o figurino. Só que Likinha resolveu levar para aquele salão uma coisa que normalmente não entra em cerimônia oficial: a vida real.

Ela contou de onde tinha vindo. Antes da motocicleta houve a rua; antes da faculdade houve a Cracolândia; antes da trabalhadora houve a dependência; antes da cidadã que falava ao microfone houve uma mulher que passou 14 anos vivendo naquele universo de crack e extrema vulnerabilidade. Quatorze anos não são quatorze dias de desventura. São tempo suficiente para uma criança nascer, crescer, aprender a ler, descobrir o mundo, apaixonar-se, desapaixonar-se, fazer vestibular e começar a reclamar dos professores. Likinha gastou esse tempo tentando sobreviver. E aqui começa a parte da história que deveria incomodar aqueles que repetem, com a segurança de quem nunca precisou escolher entre comer e dormir, que “cada um é responsável pelo próprio destino”. Sim, cada um é responsável pelo próprio destino, mas há destinos que começam com uma porta aberta e outros que começam com uma porta batendo na cara. É fácil falar de liberdade para quem tem recursos, de disciplina para quem nunca passou fome e de escolhas para quem teve escolhas. É particularmente divertido ouvir sermões sobre meritocracia de quem recebeu a herança antes de receber a primeira lição sobre meritocracia. A história de Likinha nos lembra de algo que o individualismo de almanaque prefere esquecer: o ser humano é responsável pela própria vida, mas ninguém constrói uma vida sozinho.

É justamente aí que entra o Estado. Não como pai, babá ou dono da consciência do cidadão, mas como instrumento coletivo da sociedade. Quando uma pessoa está no fundo do poço, não basta dizer a ela que precisa subir; é preciso, às vezes, colocar uma escada. E uma escada custa dinheiro. Chama-se política pública. Foi esse o sentido do De Braços Abertos, programa implantado durante a gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, que procurou enfrentar a dependência química a partir de uma perspectiva de redução de danos e reinserção social, articulando moradia, alimentação, trabalho, capacitação, assistência social e saúde. Pode-se criticar o programa, e deve-se fazê-lo quando houver razões para isso, porque política pública não é sacramento e prefeito não é santo. Mas existe uma pergunta incômoda que costuma desaparecer quando a discussão política começa: e se funcionou para alguém? E se, entre relatórios, críticas, erros, acertos e controvérsias, uma pessoa conseguiu voltar a viver? E se aquela pessoa tivesse sido justamente aquela que nós já havíamos condenado? Dados divulgados em 2016 pela Câmara Municipal de São Paulo apontavam que 88% dos beneficiários pesquisados afirmavam ter reduzido drasticamente o consumo de crack, enquanto o consumo médio entre os participantes pesquisados havia caído de 42 para 17 pedras por semana. O programa também registrava centenas de pessoas trabalhando em frentes de zeladoria e milhares de atendimentos de saúde. Isso não transforma o De Braços Abertos em experiência perfeita, nem elimina as controvérsias em torno da política. Significa apenas algo que deveria ser óbvio: políticas públicas podem produzir resultados concretos na vida de pessoas concretas.

A expressão “De Braços Abertos” parecia, para alguns, ingenuidade, como se abraçar fosse fraqueza, conversar fosse covardia e oferecer trabalho fosse passar a mão na cabeça. O velho Brasil da pancada sempre teve uma vantagem administrativa: bater é mais simples do que reconstruir. Dá manchete, dá fotografia e produz aquela sensação maravilhosa de que alguém está “fazendo alguma coisa”. O problema é que cacetete não alfabetiza, sirene não cria vínculo, algema não produz emprego e retirar um dependente químico da calçada não significa necessariamente retirá-lo da dependência química. Às vezes, muda-se apenas o endereço do problema. O De Braços Abertos partia de uma ideia muito menos cinematográfica e muito mais difícil: é preciso devolver alguma dignidade à pessoa antes de exigir dela a reconstrução completa da própria vida. Moradia, comida, trabalho, renda, atendimento de saúde, documentação e capacitação podem parecer coisas banais para quem as possui; para quem perdeu tudo, são frequentemente a infraestrutura mínima necessária para que a vontade de mudar deixe de ser apenas uma recomendação moral e possa transformar-se em possibilidade concreta.

Likinha não ficou simplesmente abstinente. Essa distinção é fundamental. Ela concluiu a escola, entrou na faculdade de Serviço Social, comprou sua própria motocicleta, tornou-se entregadora, organizou-se politicamente e chegou ao Palácio do Planalto para falar em nome de outros trabalhadores. A mulher que esteve no lugar onde muitos brasileiros gostariam de colocá-la para sempre voltou para dizer: eu saí. Mas há mais: ela não voltou ao Palácio do Planalto para pedir que alguém cuidasse dela pelo resto da vida; voltou para reivindicar direitos. É aí que aparece a diferença entre assistência e emancipação. O objetivo de uma política pública decente não é transformar o cidadão em cliente permanente do Estado, mas criar condições para que ele reconquiste autonomia. O Estado oferece a ponte; o indivíduo atravessa; depois, se a ponte estiver mal construída, o cidadão tem todo o direito de voltar para reclamar. E foi exatamente o que Likinha fez. Ela reconheceu a importância das políticas públicas, mas também cobrou uma reivindicação concreta dos entregadores: uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega. Isso se chama cidadania. O cidadão não assina um contrato de gratidão eterna quando recebe um direito. Democracia não deveria produzir súditos agradecidos; deveria produzir cidadãos inconvenientes, daqueles que reconhecem quando uma coisa funciona e reclamam quando não funciona.

O novo Move Brasil se encaixa nessa mesma lógica de autonomia econômica. O programa foi ampliado para alcançar R$ 30 bilhões em crédito, com financiamento de veículos novos e seminovos, teto de até R$ 200 mil, prazo de até 84 meses e seis meses de carência. Na cerimônia, os dados divulgados apontavam aproximadamente 48 mil automóveis e 19 mil motocicletas financiados, com cerca de R$ 5,1 bilhões desembolsados. São números importantes, mas números são criaturas frias: não sabem o que significa comprar uma motocicleta quando ela é simplesmente um bem de consumo e quando ela é o instrumento através do qual uma pessoa reconquista a própria independência. Para Likinha, uma moto não é apenas uma moto. É ferramenta de trabalho, mobilidade, renda, autonomia e uma pequena máquina contra a dependência. Mas o próprio episódio mostra que crédito, sozinho, não basta. Se o trabalhador precisa pagar combustível, manutenção, seguro, alimentação e ainda entregar durante horas para descobrir que quase todo o dinheiro ficou pelo caminho, temos um fenômeno econômico bastante curioso: a tecnologia ficou moderna, mas a exploração resolveu continuar usando roupa antiga. Mudamos a carroça pelo aplicativo; em alguns casos, o chicote virou algoritmo e o patrão ganhou a elegante aparência de uma plataforma. O aplicativo pode oferecer trabalho e renda, evidentemente, mas trabalho não deveria ser sinônimo de submissão econômica.

É por isso que a fala de Lula naquele encontro merece atenção para além da fotografia política. Ao falar sobre a economia dos aplicativos, o presidente observou que as empresas ganham, os estabelecimentos de alimentação ganham, enquanto quem efetivamente realiza o trabalho frequentemente fica com a menor parcela. E defendeu uma política que não se limitasse a financiar veículos, mas contribuísse para melhorar social e economicamente a vida desses trabalhadores. Lula também afirmou, ao abordar a reinserção social, que uma passagem pela polícia não deveria condenar uma pessoa para sempre e defendeu a possibilidade de recuperação e ressocialização. Essa ideia merece ser levada a sério porque toca numa das maiores contradições da nossa sociedade: exigimos que o indivíduo mude, mas frequentemente construímos um sistema destinado a impedir que ele consiga mudar. Queremos que o ex-dependente trabalhe, mas muitas vezes o estigmatizamos; queremos que o egresso do sistema prisional se ressocialize, mas dificultamos sua contratação; queremos que o morador de rua abandone a rua, mas não lhe oferecemos moradia; queremos que o pobre seja empreendedor, mas negamos crédito; queremos que o jovem não entre no tráfico, mas oferecemos muito pouco quando a escola, a família e o mercado de trabalho não conseguem oferecer perspectivas.

Há uma espécie de sadismo burocrático nessa lógica: primeiro retiramos as condições para que a pessoa possa escolher; depois culpamos a pessoa pelas escolhas que fez sem condições. E ainda chamamos isso de responsabilidade individual. É como colocar alguém dentro de um poço, entregar-lhe um manual de escalada e, do lado de fora, fazer uma palestra sobre força de vontade. O problema não é exigir responsabilidade do indivíduo. O problema é fingir que responsabilidade individual elimina responsabilidade coletiva. Uma sociedade civilizada entende que as duas coisas caminham juntas. O Estado não pode viver a vida por ninguém, mas pode oferecer educação, saúde, assistência, moradia, crédito, qualificação, segurança e oportunidades. Pode reduzir os danos antes que eles se transformem em tragédias. Pode criar condições para que uma pessoa volte a ser autora da própria história. E, sobretudo, pode impedir que o passado seja convertido em sentença perpétua.

A história de Likinha é particularmente poderosa porque desmonta dois erros opostos. O primeiro é imaginar que basta criar um programa de governo e esperar que tudo se resolva. Não basta. Política pública precisa de gestão, avaliação, recursos, continuidade e correção de rumos. O segundo é acreditar que, como a pessoa precisa fazer esforço para reconstruir a vida, o Estado não tem papel relevante. Também não basta. Foi Likinha quem precisou lutar contra a dependência, levantar-se, voltar à escola, estudar, trabalhar, comprar a moto, entrar na faculdade e subir naquele palco. Mas seria igualmente desonesto contar essa história como se ela tivesse feito tudo sozinha. Ninguém se salva completamente sozinho. Nem o empresário que se gaba de ter construído sua fortuna “sem ajuda” nasceu sozinho, foi alfabetizado sozinho, atravessou a infância sozinho, utilizou estradas, hospitais, escolas, leis, moeda, instituições e mercados construídos coletivamente sem jamais depender da sociedade. A fantasia da autossuficiência é uma das grandes ficções da modernidade. Até para sermos individualistas precisamos dos outros.

Por isso, Likinha não é um troféu de Lula, e Lula não é o autor individual de sua transformação. Haddad também não é. Uma vida humana jamais cabe na biografia de um governante. Mas governos podem abrir ou fechar portas, construir pontes ou erguer muros, tratar o dependente como cidadão ou exclusivamente como caso de polícia, enxergar o trabalhador como sujeito de direitos ou apenas como custo de uma plataforma. Podem financiar a autonomia ou limitar-se a financiar a sobrevivência. E é justamente por isso que política importa tanto. Importa porque a diferença entre uma sociedade que recupera pessoas e uma sociedade que simplesmente as descarta pode estar numa decisão administrativa aparentemente pequena: oferecer ou não uma oportunidade, financiar ou não uma capacitação, garantir ou não uma moradia, tratar ou não uma dependência, contratar ou não alguém que carrega um passado difícil.

Há quem imagine que Estado bom é Estado ausente. É uma teoria muito bonita, sobretudo quando se possui herança, plano de saúde, carro próprio, reserva financeira, escola particular para os filhos e um apartamento para enfrentar os meses difíceis. Para quem vive no limite, o Estado ausente costuma ter outro nome: abandono. Quando falta escola pública de qualidade, alguém paga; quando falta saúde, alguém paga; quando falta moradia, alguém paga; quando falta assistência social, alguém paga; quando falta oportunidade de trabalho, alguém paga. E frequentemente paga-se muito mais caro depois. O Estado pode gastar para prevenir uma tragédia ou pode gastar para administrar suas consequências; pode oferecer uma política de reinserção ou construir mais presídios; pode oferecer tratamento ou multiplicar emergências; pode oferecer trabalho ou assistir à expansão do tráfico; pode criar uma porta de saída ou gastar milhões tentando impedir que as pessoas entrem. A conta sempre chega. A diferença é quem paga e quanto paga.

É por isso que a trajetória de Likinha merece ser vista não como uma exceção curiosa, mas como uma pergunta dirigida ao Brasil. Quantas pessoas poderiam ter reconstruído suas vidas se tivessem encontrado uma política pública no momento em que ainda havia alguma coisa para reconstruir? Quantas histórias terminam na rua porque a ajuda chegou tarde demais? Quantas crianças crescem em famílias destroçadas pela dependência porque o atendimento não chegou? Quantos jovens entram no tráfico porque o crime ofereceu aquilo que o Estado não ofereceu: dinheiro, pertencimento, proteção e uma perspectiva, ainda que criminosa, de futuro? A prevenção é menos cinematográfica que a repressão, mas costuma ser muito mais inteligente. O problema é que prevenção raramente rende a fotografia de um helicóptero sobrevoando uma operação. Escola funcionando não produz a mesma adrenalina televisiva que sirene. Um jovem que não entrou no tráfico não vira estatística. Uma overdose que não aconteceu não aparece no jornal. Uma família que não se desintegrou não rende manchete. O sucesso da política social, muitas vezes, consiste justamente naquilo que deixou de acontecer.

Essa é a grandeza silenciosa de uma política pública: ela pode interferir na biografia de alguém sem jamais aparecer como protagonista dela. Uma pessoa recebe tratamento, consegue moradia, encontra trabalho, volta à escola, entra numa universidade e, anos depois, ninguém se lembra mais de qual programa tornou aquilo possível. O Estado desaparece da fotografia porque cumpriu sua função. E talvez esse seja o melhor elogio que se possa fazer a uma política pública: ela deixa de ser necessária quando a pessoa recupera autonomia.

A história de Likinha não absolve o crack, não romantiza a Cracolândia, não transforma sofrimento em poesia barata e não promete que todo dependente químico terá o mesmo destino. Ela mostra algo mais simples e mais profundo: a pessoa é maior do que sua pior fase. O dependente não precisa ser dependente para sempre; o morador de rua não precisa morrer na rua; o jovem que errou não precisa transformar o erro numa identidade permanente; o trabalhador que começou a vida em condições precárias não precisa terminar nela. Um ser humano não deveria ser obrigado a carregar eternamente o pior capítulo de sua biografia como se a vida fosse um livro escrito por um burocrata sem direito a revisão.

Durante 14 anos, provavelmente houve quem olhasse para Likinha e pensasse que sua história estava encerrada. A Cracolândia seria o ponto final. O crack seria o ponto final. A rua seria o ponto final. O passado seria o ponto final. Só esqueceram de perguntar à própria personagem. Ela aparentemente não havia terminado de escrever. E essa talvez seja a coisa que mais incomoda os donos das certezas: a vida humana é uma péssima respeitadora de prognósticos. Às vezes, o sujeito que todos enterraram aparece vivo. Às vezes, a mulher que ninguém esperava ver numa universidade chega à faculdade. Às vezes, quem dormia na rua compra uma moto. Às vezes, quem precisava de ajuda torna-se aquele que cobra direitos. E, às vezes, aquela pessoa que a sociedade havia transformado em estatística entra no Palácio do Planalto e pega um microfone.

É por isso que a fotografia de Lula ao lado de Likinha é maior do que uma fotografia política. É um encontro entre uma cidadã que conseguiu reconstruir a própria vida e um gestor humano e sensível do Estado que, naquele momento, assumia publicamente a responsabilidade de criar condições para que outros trabalhadores também pudessem reconstruir as suas. A política pública não substitui a coragem individual, assim como a coragem individual não torna a política pública dispensável. Uma coisa pode precisar da outra. O Estado pode abrir a porta, mas ninguém pode atravessá-la pelo cidadão. Entretanto, exigir que alguém atravesse uma porta enquanto todas as demais estão trancadas não é defender liberdade; é praticar crueldade com vocabulário liberal.

O depoimento de Likinha emociona porque não pede piedade. Ela apenas estava contando que sobreviveu. Não estava pedindo para ser tratada como vítima. Estava reivindicando ser tratada como pessoa, como cidadã, como trabalhadora. Não estava dizendo que o Estado deveria fazer tudo. Estava mostrando que, quando uma sociedade decide não abandonar completamente uma pessoa, a própria pessoa pode fazer o resto de um trabalho extraordinário.

A pergunta não deveria ser apenas se determinado programa funcionou perfeitamente. A pergunta deveria ser quantas vidas foram melhores porque ele existiu, quantas pessoas tiveram uma oportunidade que não teriam tido e quantas delas conseguiram transformar essa oportunidade em autonomia. Likinha é uma resposta concreta. Não é uma abstração estatística. É uma mulher que passou 14 anos na Cracolândia, voltou à escola, entrou na universidade, comprou sua moto, encontrou no trabalho uma forma de reconstrução e chegou ao centro do poder político brasileiro para falar por si e pelos outros. O Estado não fez isso sozinho. Ela também não fez isso sozinha. Foi a combinação entre oportunidade pública e esforço humano que tornou possível a travessia.

Talvez seja essa a pergunta que deveríamos levar para casa: não apenas quantas pessoas conseguiram vencer, mas quantas poderiam ter vencido se o Estado tivesse chegado antes, se a escola tivesse funcionado antes, se o tratamento tivesse chegado antes, se a moradia tivesse chegado antes, se o trabalho tivesse chegado antes e se a sociedade tivesse decidido enxergar a pessoa antes de enxergar o rótulo… 

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.