Saúde mental: por que cuidar da mente pode fazer diferença na construção da carreira?
Fonte: diariodopara.com.br | Data: 15/09/2026 09:03:09
Veja o resumo da notícia
Veja o resumo da notícia
- A saúde mental é crucial para estudantes e profissionais enfrentarem os desafios do mercado de trabalho.
- A ansiedade e a pressão financeira são grandes desafios emocionais para quem busca construir uma carreira.
- O autoconhecimento é uma ferramenta importante para lidar com frustrações e o ritmo individual de cada um.
- Instituições de ensino podem oferecer acolhimento e orientação para estudantes em sobrecarga emocional.
- Cuidar da mente é parte essencial da formação profissional, exigindo adaptação e autoconsciência.

Construir uma carreira profissional vai muito além de aprender uma profissão. Para quem se prepara para entrar ou se reposicionar no mercado de trabalho, a rotina de estudos pode vir acompanhada de cobranças, inseguranças, pressão por resultados e dúvidas sobre o futuro.
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio e à valorização da vida, a discussão sobre saúde mental também chama atenção para a necessidade de preparar profissionais para enfrentar, de maneira saudável, os desafios da vida profissional.
Essa preocupação ganha ainda mais importância diante da rotina de estudantes que precisam conciliar curso, trabalho, família e outras responsabilidades. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos adultos em idade de trabalhar apresentam algum transtorno mental em determinado momento.
Além disso, a OMS destaca que ambientes de trabalho seguros e saudáveis podem contribuir para a saúde mental, a produtividade e a permanência dos profissionais no mercado.
Para o terapeuta e professor do Grau Técnico Belém, Arthur Cardoso, um dos principais desafios emocionais enfrentados pelos estudantes envolve a ansiedade diante da expectativa de construir uma carreira rapidamente.
“A pressão para conseguir um estágio, ingressar na área de formação e alcançar estabilidade pode fazer com que muitos jovens tenham dificuldade em compreender que, o desenvolvimento profissional é um processo gradual até conseguir chegar, de fato, na função em que se sonha”, explica.
Pressão financeira também pesa na rotina
Além da expectativa em relação à carreira, as questões financeiras também podem aumentar a pressão durante a formação. Muitos estudantes precisam trabalhar para ajudar nas despesas de casa, pagar o próprio curso ou arcar com custos de transporte.
“Muitos estudantes precisam trabalhar para contribuir com as despesas de casa, custear o próprio curso ou arcar com gastos de transporte. Há ainda alunos que precisam se deslocar diariamente entre cidades para estudar. Nesse cenário, a tentativa de conciliar todas essas demandas pode gerar cansaço físico e emocional”, destaca o terapeuta.
Por isso, reconhecer os próprios limites pode ajudar a enfrentar esse período. Para Arthur Cardoso, o autoconhecimento representa uma ferramenta importante durante a formação e também no exercício da profissão.
“Reconhecer os próprios limites, compreender que cada pessoa possui seu ritmo e saber lidar com frustrações são habilidades que podem fazer diferença tanto durante a formação quanto no exercício da profissão. Aprender a lidar com o ‘sim’ e com o ‘não’ é parte da preparação para uma trajetória profissional mais saudável”, diz Arthur.
Instituições podem ajudar no acolhimento
Nesse processo, as instituições de ensino também podem exercer um papel importante. Além da formação técnica, elas podem oferecer espaços de acolhimento e orientação para estudantes que enfrentam períodos de sobrecarga.
O professor e terapeuta destaca que uma escuta atenta pode ajudar a identificar situações de sofrimento antes que elas se agravem.
“É importante que a gente tenha essa visão e faça o acolhimento deles, porque muitas vezes uma palavra, um direcionamento, uma escuta é muito importante para esse aluno”, afirma.
Assim, o cuidado com a saúde mental dos estudantes não precisa ficar limitado ao Setembro Amarelo. A atenção aos sinais de sobrecarga e a busca por apoio podem fazer parte da rotina durante todo o ano.
Para o terapeuta, também é necessário combater a ideia de que pedir ajuda representa fraqueza.
“Ninguém precisa ser forte o tempo todo. Se você sente alguma dor, fale com alguém, não sofra sozinho, não sofra calado”, orienta Arthur Cardoso.
Formação profissional vai além do conhecimento técnico
O gestor do Grau Técnico, Rodrigo Lyra, também destaca que a preparação profissional precisa acompanhar as transformações do mercado de trabalho.
“Quando falamos em preparar um profissional, não podemos pensar apenas no conhecimento técnico. Ele também precisa desenvolver segurança, capacidade de adaptação, comunicação e consciência sobre seus próprios limites. Cuidar da saúde mental não é algo separado da carreira, mas sim uma parte importante para que esse profissional consiga construir uma trajetória sustentável”, pontua.
Dessa forma, cuidar da mente também integra a construção de uma carreira. O desenvolvimento profissional exige conhecimento técnico, mas também envolve capacidade de adaptação, comunicação, autoconhecimento e atenção aos próprios limites.
Repórter
Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. Apaixonada por gatos. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso. Dentre as coberturas externas, esteve na COP27, em Sharm el-Sheik, no Egito.
Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (Unama) desde 2007. Apaixonada por gatos. É natural de Belém (PA) e repórter do jornal Diário do Pará desde 2013. Atua em cobertura nas editorias de Cidades, Política, Economia e Cultura. Desde 2020 também redige a coluna Linha Direta, seguinte ao Repórter Diário, de terça a domingo. Prêmio Fiepa 2016 de Melhor Repórter de Jornalismo Impresso. Dentre as coberturas externas, esteve na COP27, em Sharm el-Sheik, no Egito.