ECONOMIA – Desaceleração do Comércio Varejista Brasileiro em Julho é Influenciada por “Ressaca” pós Copa do Mundo, aponta pesquisa do IBGE.
Fonte: reportermaceio.com.br | Data: 15/09/2026 11:01:36
O comércio varejista brasileiro apresentou uma queda de 0,8% na passagem de junho para julho deste ano. Esse desempenho foi influenciado por uma espécie de “ressaca” da Copa do Mundo, conforme apontam os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (15). A média móvel trimestral, que busca suavizar oscilações pontuais, também registrou uma variação negativa de 0,1%.
No acumulado de 2026, o setor varejista avançou 1,8%, porém, em 12 meses, a taxa de crescimento desacelerou para 1,2%. Esses números evidenciam uma redução no ritmo de expansão do comércio, já que em março o acumulado em 12 meses era de 2,3%. O resultado de julho coloca o comércio brasileiro 10,6% acima do nível pré-pandemia de covid-19, em fevereiro de 2020, e 1,5% abaixo do recorde alcançado em março de 2026.
Segundo o analista da pesquisa, Cristiano Santos, o comércio encontra-se no mesmo patamar equivalente a dezembro de 2025. Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, cinco apresentaram retração na passagem de junho para julho deste ano. Destaque para os setores de móveis e eletrodomésticos (-4,9%), livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%) e tecidos, vestuário e calçados (-2,7%).
Essas quedas estão diretamente ligadas ao impacto da Copa do Mundo, que estimulou a venda de itens como TVs e álbuns de figurinhas nos meses anteriores ao evento, concentrando o consumo desses produtos principalmente em maio. No entanto, em 12 meses, a venda de móveis e eletrodomésticos registrou um avanço de 3,9%.
No comércio varejista ampliado, que engloba atividades de atacado, como veículos, motos, partes e peças, material de construção, e produtos alimentícios, bebidas e fumo, o indicador apresentou um crescimento de 0,4% de junho para julho, acumulando uma variação positiva de 1,2% em 12 meses.
Esses dados da PMC se somam aos demais levantamentos conjunturais divulgados recentemente pelo IBGE, que revelaram que o setor de serviços ficou estável em julho, com uma alta de 2,4% em 12 meses, e que a indústria teve um crescimento de 0,2% no mês e 0,6% em 12 meses. Assim, o panorama econômico do país continua sendo marcado por uma recuperação gradual em diferentes setores.