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Queimadas aumentam risco de interrupções de energia na Região Norte

Fonte: portal8viu.com.br | Data: 15/09/2026 18:39:42

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O avanço das queimadas durante o período de estiagem voltou a acender o alerta para o sistema elétrico da Região Norte. Além dos impactos ambientais e da piora na qualidade do ar, os incêndios próximos às redes de distribuição e linhas de transmissão podem provocar desligamentos, afetando o fornecimento de energia para milhares de consumidores.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), analisados pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), apontam que setembro historicamente concentra um dos maiores volumes de interrupções provocadas por queimadas. Somente em 2024 e 2025, foram registradas 19.674 ocorrências no mês, o maior número entre os meses analisados.

A situação preocupa especialmente na Região Norte, que concentrou 31,04% das interrupções provocadas por queimadas registradas no Brasil nos anos de 2024 e 2025. O Pará aparece entre os estados com maior número de ocorrências. Em 2025, foram contabilizadas 48.822 interrupções relacionadas às queimadas no estado, segundo os dados divulgados.
Fogo próximo à rede pode provocar desligamentos
Quando as chamas avançam para áreas próximas à infraestrutura elétrica, o calor e a fumaça podem comprometer o funcionamento dos equipamentos. A vegetação em combustão também pode atingir postes, cabos e outros componentes da rede, além de provocar condições que favorecem falhas elétricas.
Em situações de risco, sistemas de proteção podem desligar automaticamente determinados trechos da rede para evitar danos maiores e preservar a segurança da população e dos próprios equipamentos.
O problema não é restrito às áreas rurais. Incêndios próximos a regiões urbanizadas também podem provocar interrupções e exigir o deslocamento de equipes para inspeção e reparos.
Amazonas também sente os efeitos das queimadas
No Amazonas, o período de seca tem sido acompanhado pelo aumento da presença de fumaça na atmosfera. Em Manaus, a Defesa Civil Municipal registrou, em setembro, concentração de partículas finas de 87,6 microgramas por metro cúbico, nível classificado como “muito ruim” para a qualidade do ar.
Segundo o órgão municipal, a fumaça que chegou à capital era proveniente de áreas de queimadas no sul do Amazonas, norte de Mato Grosso e Rondônia, sendo transportada pelos ventos em baixos níveis da atmosfera.
O cenário ocorre em meio a temperaturas elevadas e a um período de menor ocorrência de chuvas, condições que favorecem a propagação do fogo e dificultam o controle dos incêndios.
Número de interrupções cresce no país
O impacto das queimadas sobre o fornecimento de energia vem aumentando em escala nacional. Entre 2020 e 2025, o número de interrupções provocadas por incêndios passou de 24.994 para 85.674 ocorrências, um crescimento de 242,8%.
Na comparação entre 2024 e 2025, o aumento foi de 11,12%, passando de 77.101 para 85.674 registros.
Os números reforçam a preocupação das distribuidoras e dos órgãos responsáveis pelo setor elétrico com a chegada do período mais crítico da temporada de queimadas.
Mudanças climáticas ampliam preocupação
O cenário também está relacionado às condições climáticas observadas na Amazônia. Documento oficial do Governo do Amazonas cita projeções de redução das precipitações, elevação das temperaturas, prolongamento da estação seca e aumento do risco de incêndios florestais na Região Norte.
O mesmo documento menciona análises do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) sobre a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño em 2026/2027, com potencial para agravar condições de seca, incêndios florestais e escassez hídrica.
Prevenção é considerada essencial
Diante do avanço das queimadas, órgãos públicos e empresas do setor elétrico reforçam a necessidade de prevenção. A orientação é evitar o uso do fogo para limpeza de terrenos e áreas rurais e comunicar rapidamente às autoridades qualquer foco de incêndio que possa se aproximar de redes elétricas.
Além dos riscos para o meio ambiente e para a saúde, as queimadas próximas à infraestrutura elétrica podem provocar interrupções no fornecimento, danos materiais e riscos à segurança de moradores e trabalhadores.
Com setembro entre os períodos historicamente mais críticos, a combinação de calor, seca e avanço dos incêndios mantém a Região Norte em estado de atenção para possíveis impactos no abastecimento de energia.
Por Débora Alcântara