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RN acelera corrida pela IA com ações entre governo, empresas e universidade

Fonte: diariodorn.com.br | Data: 16/09/2026 05:10:46

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Por Ana Beatryz Fernandes

O Rio Grande do Norte busca ampliar sua participação no desenvolvimento da inteligência artificial (IA) por meio de iniciativas que aproximam governo, universidades, empresas e instituições do Sistema S. As ações envolvem capacitação profissional, automação de serviços públicos, pesquisas e desenvolvimento de soluções voltadas a problemas específicos do estado.

Para Alberto Castro, líder do CIIA e criador do método IA45, especialista em inteligência artificial aplicada a negócios, o desafio é fazer com que empresas e instituições deixem de apenas utilizar ferramentas de IA e passem a incorporá-las aos próprios modelos de trabalho.

“As pessoas falam que estão usando, mas a gente tem visto muitas empresas que remontaram a forma de trabalhar, remodelaram o modelo de negócio. Acho que essa é a grande oportunidade desse debate”, afirmou.

Regulação e uso responsável da inteligência artificial
A expansão da tecnologia também coloca em discussão a necessidade de regulamentação. Para Castro, as regras precisam equilibrar inovação e segurança, sem impedir o desenvolvimento da tecnologia.

“A regulação tem que ser com muito equilíbrio, porque não pode nem privar de não ter utilização, mas também deixar totalmente aberta, porque muito aberta acaba gerando muito risco”, disse.

Entre os riscos, ele cita o uso da inteligência artificial para golpes e disseminação de notícias falsas. Na avaliação do especialista, o debate precisa envolver diferentes setores da sociedade.

No Governo do Estado, a discussão também passa pela proteção de dados. Segundo Emília Casanova, secretária da Junta da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (SEDEC), a pasta trabalha na capacitação de servidores para utilização da IA e na definição de critérios para o uso de informações governamentais.

“A gente precisa pensar em toda a questão de LGPD, que são dados sensíveis, dados do governo que a gente não pode colocar em qualquer inteligência artificial”, explicou.

A secretaria também estuda a automatização de processos, como a concessão de benefícios, que atualmente exige grande volume de conferências manuais.

Outra iniciativa da SEDEC é o DEC, assistente de inteligência artificial desenvolvido para disponibilizar informações econômicas do estado. A ferramenta poderá responder perguntas sobre temas como geração de energia eólica e balança comercial, além de comparar dados de diferentes períodos.

“Ele tem esse subsídio, ele tem essa inteligência para poder analisar os dados e poder dizer para a gente qual foi essa alteração”, explicou Emília.

A secretária afirma que o sistema passa por treinamento contínuo para melhorar a qualidade das respostas. A ferramenta está temporariamente indisponível em razão da suspensão do site da secretaria durante o período eleitoral, mas deverá voltar a funcionar posteriormente.

Universidade desenvolve soluções para problemas locais
Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Metrópole IA, Núcleo de Pesquisa em Inteligência Artificial do Instituto Metrópole Digital (IMD), trabalha para aproximar pesquisa e setor produtivo.

Segundo Daniel Sabino, vice-coordenador do núcleo, desenvolver tecnologia local é estratégico porque permite criar soluções considerando as características e os dados do próprio estado.

“Quase toda a tecnologia que usamos vem pronta de fora e não foi pensada para a nossa realidade. Se a pesquisa é local, os dados também são, e a solução tende a servir melhor”, explicou.

O Metrópole IA concentra projetos em áreas como saúde, indústria, negócios, setor público, cidades inteligentes, cibersegurança e educação.

Entre as aplicações estão sistemas para identificar pontos de alagamento em Natal a partir de câmeras e dados pluviométricos, ferramentas de apoio à saúde pública, análise de dados para fiscalização e investigação e soluções para segurança viária e mobilidade.

O núcleo também desenvolve projetos voltados à produtividade da indústria e do comércio, com agentes de IA aplicados a sistemas empresariais e automação de processos.

O Metrópole IA funciona em prédio próprio inaugurado em julho de 2026. A estrutura possui laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, salas de reunião, espaço de ideação e auditório.

De acordo com Sabino, cerca de 70 pesquisadores foram credenciados no ciclo de 2026. A infraestrutura física recebeu aproximadamente R$ 5,5 milhões em investimentos, além da contratação de dez novos docentes.

O núcleo também possui integração com a estrutura de supercomputação da UFRN, utilizada em pesquisas que demandam alto poder computacional.

A aproximação com empresas é outro eixo da iniciativa. Segundo Sabino, aproximadamente metade dos projetos desenvolvidos atualmente envolve empresas, principalmente de Natal.

Capacitação, negócios e a disputa por novos investimentos
Para Alberto Castro, a formação de profissionais é uma das principais condições para que o estado consiga aproveitar as oportunidades criadas pela IA. Ele destaca uma unidade móvel do Sistema FIERN que leva capacitações gratuitas sobre inteligência artificial aos municípios potiguares.

Segundo o especialista, a iniciativa pretende atender mais de 170 municípios e já passou por mais de 15 cidades.

“A única forma das pessoas melhorarem os seus trabalhos, sua organização, é ter conhecimento.

A capacitação é a primeira parte, a primeira camada que a gente tem que dar atenção”, afirmou.

A iniciativa também é vista pelo Governo do Estado como uma ferramenta para ampliar a competitividade de micro e pequenos empreendedores.

“Esses parceiros são essenciais”, afirmou Emília, ao destacar a atuação conjunta entre Estado, FIERN, SENAI e Sebrae.

O avanço tecnológico também é relacionado pelo governo à possibilidade de atrair novos empreendimentos para o estado, como data centers. Emília afirma que a instalação dessas estruturas poderia ajudar a enfrentar o problema do curtailment, caracterizado pelo corte da geração de energia.

“Além de resolver um problema que existe, a gente também quer trazer desenvolvimento econômico”, afirmou.

Na avaliação da secretária, a atração de empresas poderia gerar empregos, impostos e receitas de licenciamento, aumentando a capacidade do estado de investir em ciência, tecnologia e inovação.

Para Daniel Sabino, o objetivo de longo prazo é fazer com que o RN deixe de ser apenas consumidor de tecnologia e passe a desenvolver soluções próprias.

“O RN não será apenas um estado que consome IA. Será um estado que produz IA, forma quem a desenvolve e atrai empresas por causa disso”, projetou.

A consolidação desse cenário, porém, dependerá da continuidade dos investimentos, da formação de profissionais e da integração entre universidades, governo e setor produtivo.

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