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Brasileiro prevê que terá que cortar gastos quando se aposentar, mostra pesquisa da Fenaprevi

Fonte: valor.globo.com | Data: 16/09/2026 12:40:06

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Entre os que pretendem contar com o INSS como fonte de renda, expectativa de manter o padrão de vida atual é de apenas 25%

Aplicativo do Meu INSS
Aplicativo do Meu INSS — Foto: Divulgação/INSS

O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) é a principal fonte de renda esperada por grande parte da população, mas a maioria não sabe quanto vai receber e acredita que terá que cortar gastos para se manter. Além disso, 59% dos trabalhadores que ainda estão no mercado gostariam de sair da ativa até os 60 anos, no entanto, apenas 28% acreditam que realmente conseguirão parar de trabalhar nessa faixa etária. Os números estão na quarta edição da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, encomendada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) ao Datafolha.

“O resultado mostra que o brasileiro tem consciência do risco, mas não consegue conectá-lo a uma solução”, afirmou Carlos Eduardo Gondim, diretor da entidade e diretor-executivo de Soluções de Acúmulo da Porto Seguro, durante painel no XII Fórum Nacional de Seguros de Vida e Previdência Privada, em São Paulo. Segundo ele, para estimular essa conexão é preciso aumentar o conhecimento da previdência privada e adequar a forma como é ofertada. “Quando vou começar a poupar para a aposentadora e quanto eu preciso? São outras duas questões que, quanto mais cedo for trazida à discussão, melhor.”

De acordo com o estudo, entre os 38% que pretendem contar com o INSS como fonte de renda na aposentadoria, apenas 35% sabem informar qual valor vão receber e, entre os que pretendem contar com o INSS na aposentadoria, 56% acreditam que terão que cortar gastos para se manter. A expectativa de manter o padrão de vida atual recua para 25%.

O estudo quantitativo — que ouviu 1.908 pessoas no país — mostra ainda que 32% dos trabalhadores estimam que só conseguirão se aposentar a partir dos 61 anos, enquanto 11% acreditam que nunca conseguirão parar e outros 12% não têm a intenção de se aposentar.

Ângela Assis, vice-presidente da Fenaprevi e CEO da Brasilprev, afirmou durante o painel que a comunicação sobre os produtos de previdência e vida é fundamental, porque o público vulnerável precisa saber que há coberturas disponíveis para perda de renda temporária, por exemplo. Ela citou o exemplo de motoristas de aplicativos de entrega e transporte, com os quais estão em estudo novas formas de informação, como por meio de parceria com os próprios aplicativos, e com uma linguagem mais objetiva.

“É importante mostrar essa visão de recompensa que também pode vir no curto prazo e encontrar formas de nos associar a novos players para ajudar na distribuição, construindo produtos híbridos e combos mais simples.”

Ainda conforme a pesquisa Datafolha/Fenaprevi, a falta de acesso a atendimento médico em caso de doença é a situação relatada como mais temida (72% dos entrevistados). Contudo, apenas 28% disseram ter adotado alguma medida preventiva para evitá-la. A morte de um familiar também preocupa (70% dos participantes), mas somente 22% se preparam efetivamente para esse momento. Outrio temor mencionado por 63% dos brasileiros consultados é o de contrair uma doença grave. Entretanto, somente 34% informaram tomar alguma atitude efetiva para se proteger.

De forma espontânea, apenas 13% da amostra entrevistada responderam lembrar de seguros e previdência privada como meios de proteção contra imprevistos. A principal forma indicada para se proteger contra as adversidades é poupar ou investir, segundo 42% dos respondentes.

Entretanto, quando estimulados sobre coberturas modernas que possam ser usadas ainda em vida, 80% dos brasileiros declararam que contratariam um produto multifuncional que combine aposentadoria, indenização para doenças graves, internações e despesas de planos de saúde.

A pesquisa também revela que 41% dos respondentes possuem algum seguro ou plano de previdência privada. O seguro funeral segue como o produto de maior penetração, com 30%, seguido pelo seguro de vida, com 18%. Já os seguros por invalidez, contra doenças graves e prestamista cobrem, respectivamente, 10%, 7% e 6% dos entrevistados, enquanto só 9% deles disseram ter algum plano de previdência privada.

O estudo mostrou ainda que apenas 12% dos brasileiros sabem o significado correto do termo ‘prêmio’ no mercado de seguros (que se refere ao preço mensal pago pelo segurado à seguradora). Os outros 88% confundiram o jargão técnico com outros significados.

Entre os 82% que não possuem seguro de vida no Brasil, 13% alegam que o produto é caro, mesmo que apenas 27% deles tenham, de fato, pesquisado ou possuem conhecimento real de custos com o seguro. Quase metade delas (45%) não sabe o valor do produto, baseando-se apenas em uma percepção pessoal de que essa proteção não caberia no orçamento mensal.

Assis ressaltou, durante o painel, que é preciso ampliar incentivos para as empresas oferecerem planos de previdência privada para seus funcionários. “Não vamos democratizar a previdência sem isso, é questão de política pública. Os estudos mostram que em 2051 o INSS terá mais beneficiários do que contribuintes. A conta não fecha. É preciso trazer entes privados, que foi o modelo usado em todos os países desenvolvidos para ampliar a proteção securitária.”

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