ARMANDO AVENA – O BANCO CENTRAL ERROU DE NOVO
Fonte: bahiaeconomica.com.br | Data: 17/09/2026 05:21:00
O Banco Central errou ao reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto porcentual, levando a taxa básica de juros para 13,75% ao ano e, novamente, fez uma escolha excessivamente conservadora.
O Copom – Comitê de Política Monetária, que é capitaneado pelo Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não foi capaz de perceber que a conjuntura econômica permitia um corte maior.
A economia brasileira já apresenta sinais claros de desaceleração. O PIB perdeu força e cresceu apenas 0,5% no segundo semestre, o mercado começa a sentir os efeitos de dois anos de política monetária restritiva e a inflação está cedendo. O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,22%, abaixo do teto da meta, de 4,5%.
É verdade que ainda existem problemas. A inflação de serviços resiste, as expectativas para 2027 estão acima da meta e o cenário internacional tornou-se mais complicado com a alta do petróleo e as incertezas geopolíticas. Mas esses riscos não justificam, por si só, uma política monetária tão restritiva.
O problema é que o Banco Central do Brasil é extremamente ágil na hora de subir os juros, mas extremamente lento na hora baixar, mesmo quando já submeteu a economia brasileira por dois anos a uma taxa de juros reais da ordem de 10%, uma das maiores taxas de juros do mundo.
Com a redução pífia de 0,25%, a política monetária vai continuar produzindo um forte efeito contracionista sobre o consumo, o crédito e principalmente o investimento. E vai aumentar o número de famílias inadimplentes, que já é recorde, e o número de empresas em recuperação judicial, que só faz aumentar.
E vai comprometer o futuro, pois aumento de juros tem efeito com delay. Ou seja, os juros que estão sendo elevados agora continuarão produzindo efeitos sobre a economia durante os próximos meses. A manutenção de uma taxa elevada quando a inflação já apresenta sinais de acomodação pode produzir uma desaceleração maior do que a desejada. É um típico caso em que a dose do remédio aumenta sobremaneira os efeitos colaterais.
O Banco Central argumenta que é preciso esperar uma convergência mais clara da inflação para a meta, mas se o Banco Central for esperar que todos os indicadores estejam perfeitamente alinhados para começar a reduzir os juros de maneira mais significativa, poderá descobrir tarde demais que manteve a economia sob pressão por tempo excessivo.
É aí que aparece a diferença entre uma política monetária prudente e uma política monetária excessivamente conservadora. O BC poderia ter cortado os juros em 0,50% e, ainda assim, uma taxa Selic de 13,5% seria suficientemente elevada para manter as expectativas sob controle.
O pior é que o Brasil carrega uma dívida pública alta e uma parcela extraordinariamente grande dessa dívida é diretamente afetada pela Selic. Em julho, 51% da Dívida Pública Federal estava vinculada à taxa básica, o maior percentual desde 2003.
Se o Copom tivesse reduzido a Selic em 0,50% em vez de 0,25%, a economia potencial no custo anual da dívida seria de aproximadamente R$ 11,5 bilhões. Ou uma economia de quase R$ 1 bilhão por mês.
Com a taxa Selic elevada, o Tesouro precisa pagar mais juros sobre essa parcela da dívida. Esses juros aumentam o gasto público, elevam a necessidade de financiamento e dificultam a estabilização da relação dívida/PIB.
Com isso, o serviço da dívida fica mais caro, a dívida pública aumenta, crédito para pessoas e empresas permanece caro, o investimento se reduz e o crescimento do PIB cai, mesmo com os preços em deflação.
Um corte de 0,50 ponto percentual seria mais compatível com a conjuntura. Seria uma tentativa de suavizar a mais longa e profunda política monetária contracionista da história recente do país. Infelizmente, mais uma vez o Banco Central satisfez o mercado financeiro e prejudicou o setor produtivo.
TEMPORADA DE CRUZEIROS
A temporada brasileira de cruzeiros 2026/2027 começa no dia 23 de outubro e segue até 9 de abril, trazendo novas embarcações, roteiros e experiências para os passageiros. A capital baiana integra o grupo de sete portos brasileiros com operações de embarque e desembarque na temporada, ao lado de Santos, Rio de Janeiro, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá. Há cruzeiro também para Ilhéus e Porto Seguro. Salvador também fará parte dos roteiros do navio Buenavista, da espanhola Corazul Cruceros, que terá uma parada com pernoite na cidade. Na temporada do ano passado, 230 mil turistas desembarcaram na Bahia, via cruzeiros. E só em Salvador foram 56 navios, cerca de 170 mil pessoas.