Menos de 30% das pessoas com deficiência trabalham no Brasil, diz IBGE
Fonte: imprensapublica.com.br | Data: 18/09/2026 12:57:41
Apenas 29% das pessoas com deficiência estavam empregadas em 2022, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado em 18 de junho de 2025.
Esse número é muito menor comparado aos 55,8% da população sem deficiência que tinham emprego, revelando uma diferença de quase 27 pontos percentuais na taxa de ocupação.
A dificuldade para conseguir trabalho é maior quanto mais severa é a deficiência. Para pessoas com deficiência profunda, apenas 21,2% tinham emprego, enquanto entre aquelas com deficiência severa o índice subia para 30,5%.
A menor taxa de emprego foi observada em pessoas com limitações mentais (12,9%), e a maior em pessoas com dificuldade de visão (35,9%).
Diferenças por gênero e cor
Mulheres com deficiência apresentam menor taxa de emprego (24,4%) comparadas a homens com a mesma condição (35,4%) e a mulheres sem deficiência (47%).
Mulheres em casas com crianças deficientes têm uma taxa de emprego de 43,1%, que é 12 pontos percentual menor do que mulheres em residências onde as crianças não têm deficiência (55,2%).
Entre as mulheres com deficiência, negras ou pardas têm maior proporção de emprego (25,6%) do que mulheres brancas (22,7%).
Entre homens com deficiência, pretos ou pardos também apresentam maior taxa de emprego (36%) em comparação com brancos (34,6%).
Impacto na renda
A desigualdade no emprego resulta em menos ganhos. Em 2022, a renda média mensal dos trabalhadores com deficiência foi de R$ 2.053, cerca de 71% do salário médio dos profissionais sem deficiência, que era R$ 2.890.
Considerando a renda total das famílias, domicílios com pessoas com deficiência tinham rendimento médio de R$ 3.626 por mês, equivalente a 76,4% da renda média de famílias sem pessoas com deficiência (R$ 4.748).
Perfil da população
O Brasil contava com 14,407 milhões de pessoas com deficiência em 2022, representando 7,3% da população com 2 anos ou mais, segundo o IBGE.
O IBGE considera pessoa com deficiência quem tem muita dificuldade ou impossibilidade de realizar ao menos uma das atividades avaliadas.
As maiores categorias são pessoas com dificuldade para enxergar (7,948 milhões), para caminhar ou subir degraus (5,173 milhões), seguidas por quem tem dificuldade para pegar objetos pequenos (2,727 milhões), limitações mentais (2,689 milhões) e problemas de audição (2,555 milhões). Cerca de 3,966 milhões de entrevistados apresentavam duas ou mais dessas dificuldades.
Estadão Conteúdo.