Quem é Dalide Corrêa, baiana que recebeu R$ 33 milhões do Master e teve ligação com Gilmar Mendes
Fonte: muitainformacao.com.br | Data: 18/09/2026 13:06:12
Advogada de Cansanção comandou instituto fundado pelo ministro do STF e teve passagens pela Caixa, Senado, Anac e Supremo
- Dalide Corrêa é baiana de Cansanção e o escritório recebeu R$ 33 milhões do Banco Master em 2024, segundo documentos encontrados pela PF.
- Banco Master citou o escritório de Dalide como um “canal direto com o STF” em diálogo entre diretores, sem explicar o significado da expressão.
- Gilmar Mendes teve relação profissional com Dalide, que dirigiu por sete anos o IDP, instituto fundado pelo ministro.
- Dalide Corrêa nega ter atuado para o Master no STF ou procurado ministros da Corte em assuntos ligados ao banco.
- R$ 88,5 milhões em bens foram declarados por Dalide em 2022, quando apareceu como suplente de João Campos na disputa pelo Senado em Goiás.
A advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa, natural de Cansanção, no interior da Bahia, está no centro das atenções no caso envolvendo o Banco Master após documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB), encontrados pela Polícia Federal (PF), apontarem que seu escritório recebeu R$ 33 milhões da instituição financeira em 2024. Os registros fazem parte da apuração sobre contratos firmados pelo banco comandado por Daniel Vorcaro.
Além do valor milionário, Dalide foi mencionada em diálogos de diretores do Master. Em uma conversa sobre despesas, o então diretor financeiro da instituição, Ângelo Ribeiro, orientou o pagamento ao escritório e afirmou que se tratava de um “canal direto com o STF”, sem detalhar nos diálogos o significado da expressão. A trajetória da advogada também inclui uma relação profissional com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que fundou o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição que ela dirigiu por 7 anos.
Baiana teve carreira em órgãos públicos de Brasília
Aos 67 anos, Dalide é formada em Direito pelo Centro Universitário de Brasília e possui pós-graduações em Direito Tributário, Direito Constitucional e Direito Processual Civil. A carreira da baiana inclui passagens por importantes órgãos públicos. Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, ela foi diretora jurídica da Caixa Econômica Federal. Depois, atuou como assessora jurídica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, procuradora-geral na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e chefe de assessoria parlamentar no STF.
Em 2010, Dalide abriu o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, em Brasília, onde atua como advogada-sócia administradora. No mesmo ano, assumiu a direção-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), permanecendo no cargo por 7 anos.
Relação com Gilmar Mendes marcou trajetória
O IDP foi fundado pelo ministro Gilmar Mendes e a relação profissional entre os dois começou antes da criação da instituição. Eles se conheceram quando Mendes era advogado-geral da União e Dalide trabalhava na Caixa Econômica Federal. A advogada assumiu a direção-geral do instituto em 2010 e permaneceu no posto até 2017. A saída ocorreu após desentendimentos relacionados à gestão do IDP.
A assessoria de Gilmar Mendes foi procurada pelo Estadão, mas não se manifestou sobre o assunto. A interlocutores, o ministro afirmou que se afastou de Dalide após a saída dela do instituto e que não mantém relação de proximidade com a advogada. A ligação profissional entre os dois, entretanto, faz parte do histórico público da advogada e ganha relevância no contexto das apurações envolvendo os contratos do Banco Master.
Advogada nega atuação do Master no STF
A assessoria de Dalide negou que ela tenha atuado para o Banco Master no STF ou procurado ministros da Corte em assuntos relacionados à instituição.
“Sua atuação restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias”, acrescentou.
A defesa também afirmou que Dalide “jamais atuou para o Master no STF nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”.
Pagamentos milionários entram no radar da investigação
Os documentos também apontam R$ 40 milhões em pagamentos, em 2024, ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF. No caso de Dalide, os diálogos obtidos pela PF não mencionam Gilmar Mendes nem outro ministro do STF como destinatário de pagamentos ou como participante das tratativas relacionadas ao escritório. Também não há, nos elementos citados, indicação de que Gilmar Mendes seja alvo de diligências ou medidas de investigação na Operação Compliance Zero.
Em 2022, Dalide ainda apareceu como candidata a suplente de João Campos, que disputou o Senado por Goiás pelo Republicanos, mas não foi eleito. Naquele ano, declarou R$ 88,5 milhões em bens, entre imóveis, terrenos, joias e outros itens.
A trajetória da baiana de Cansanção, marcada por passagens pela administração pública, pelo setor jurídico e pela direção de uma instituição fundada por um ministro do STF, agora é analisada no contexto dos contratos milionários do Banco Master.
Redação
Equipe de jornalistas e editores do portal Muita Informação