Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Seu smartwatch diz que sua pressão está normal. Dá para confiar?

Fonte: bluestudio.estadao.com.br | Data: 18/09/2026 16:17:50

🔗 Ler matéria original

Tecnologia pode ajudar a acompanhar a saúde cardiovascular, mas Departamento de Hipertensão Arterial da SBC alerta que os dados do relógio não substituem a aferição adequada da pressão

O comportamento do consumidor acompanha o avanço da tecnologia. A cada momento, novas tendências surgem e passam a fazer parte da rotina dos brasileiros. É o caso dos smartwatches (relógios inteligentes), que reúnem em um único dispositivo informações que ajudam a monitorar diferentes recursos da rotina. Não é à toa que em 2024, houve um aumento de 37% no volume de relógios inteligentes vendidos no varejo brasileiro em relação a 2023, segundo dados da consultoria Nielsen IQ GfK. Entre as funcionalidades mais comuns estão o monitoramento do sono, o acompanhamento de exercícios e a contagem de passos. Alguns modelos passaram a oferecer também recursos para medir a pressão arterial, mas a inovação não substitui o acompanhamento médico nem os cuidados necessários para o controle da hipertensão.

Diante dessa popularização crescente, o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC) alerta que, embora o smartwatch seja promissor e um aliado no acompanhamento da saúde, é insuficiente como estratégia única de rastreamento da hipertensão. “Relógios inteligentes podem auxiliar no monitoramento da atividade física, do sono e da saúde cardiovascular, mas não substituem aparelhos de medição da pressão arterial calibrados e nem consultas médicas. Registros persistentes de alterações devem servir de alerta para confirmação em um equipamento adequado e avaliação com um cardiologista”, explica o Dr. Rodrigo Pedrosa, médico cardiologista e diretor financeiro do DHA/SBC.

A hipertensão é conhecida como uma “doença silenciosa” porque, na maioria das vezes, não provoca sintomas até que cause complicações mais graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. Por isso, a investigação começa com a aferição adequada da pressão no consultório e pode incluir novas medições em casa, sempre com aparelhos validados com certificação do INMETRO e garantia de registro ou regularização junto à ANVISA. O médico também pode solicitar exames como eletrocardiograma, teste ergométrico e análises laboratoriais e, quando necessário, avaliações mais específicas, como MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), Holter de 24 horas e ecocardiograma.

“O smartwatch pode ser um aliado porque, mesmo sem fornecer um diagnóstico definitivo, pode ajudar a despertar a atenção para possíveis alterações e estimular uma investigação mais precoce, principalmente entre os mais jovens. Quanto antes a hipertensão é identificada, maiores são as chances de controlar a pressão e evitar complicações. Por outro lado, a ausência de alertas no dispositivo não significa que está tudo bem, especialmente no caso de idosos ou pessoas com fatores de risco ou histórico familiar de hipertensão. Nessas situações, o check-up cardiológico deve fazer parte da rotina”, destaca o Dr. Rodrigo Pedrosa.

Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou obesidade, além de fumantes e indivíduos com histórico familiar de doenças cardiovasculares, devem redobrar os cuidados preventivos. “Os recursos tecnológicos são bem-vindos, mas a prevenção continua dependendo de informação, avaliação médica e cuidados regulares”, conclui o cardiologista.

A OESP não é(são) responsável(is) por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da Markable Comunicação | Homework

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe