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Ela conduziu IPO, M&A e liderou 5 mil pessoas: os 37 anos de carreira da CFO Denise Francisco

Fonte: exame.com | Data: 18/09/2026 16:23:09

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Denise Francisco não começou em finanças. Formou-se engenheira química, passou dois anos analisando investimentos em novos negócios e fez mestrado em engenharia de produção com foco em projetos industriais. Quando o Plano Collor interrompeu o fluxo de investimento produtivo no país, ela migrou para o mercado financeiro e entrou no banco de investimento do Banco Nacional. Foi dessa virada que nasceram quase quatro décadas de carreira.

A década como banker e a primeira diretoria

“Ali eu comecei a entender o que era a gestão financeira de uma empresa”, diz ela, recordando como aprendeu a lidar com estruturas de capital distintas, de negócios de dono a multinacionais em que a decisão não passava pelo Brasil. 

Ao perceber que precisaria de repertório técnico para sustentar a posição, fez uma pós-graduação em mercado de capitais e, em seguida, um MBA em finanças. O objetivo era entender como o C-level decide. Em 2000 foi transferida do Rio para São Paulo, no BBVA, e um ano depois assumiu uma diretoria.

Passou a ter time próprio, responsabilidade pela área administrativa e metas negociadas com a tesouraria, as áreas de produto e a operação de Nova York. Foi também quando descobriu que gostava de gestão de pessoas, não apenas de negócios.

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A troca do banco pela economia real

Depois da compra do BBVA pelo Bradesco, ela participou da montagem de uma estrutura para atender clientes brasileiros interessados na Europa. Pouco depois, com dois filhos pequenos, aceitou deixar o mercado financeiro para atuar como executiva de finanças em uma empresa de açúcar e etanol.

Passou a executar o que antes apenas oferecia aos clientes. Estruturou o financiamento de um projeto greenfield, endereçou a sucessão de uma companhia já na terceira geração, com mais de 140 acionistas, e preparou o negócio para a abertura de capital.

Conduziu roadshow na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, contratou assessores, selecionou escritórios de advocacia e montou a área de relações com investidores. No período, cursou também um MBA em fusões e aquisições, que abriu espaço para operações de consolidação.

Reestruturação, energia e private equity

Voltou ao banco como senior banker de agronegócio no Santander e, na sequência, assumiu uma companhia muito alavancada após a crise de 2008.

Nessa operação implantou ERP, integrou dados, montou conselho consultivo, atraiu investidor, estruturou o valuation e liderou uma equipe de 5 mil pessoas, com jurídico, comunicação, suprimentos e gestão patrimonial sob sua responsabilidade. Foi a primeira diretora estatutária de fora da família de controle na empresa.

Depois vieram infraestrutura e energia. Em um fundo de private equity, participou da compra de ativos em recuperação judicial, montou escritório e time do zero, conduziu o handover contratual e negociou revisão tarifária junto à Aneel, em parceria com Eletronorte e Eletrobras.

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Do executivo ao conselho

Desde 2017 ela acumula assentos em conselhos de administração, incluindo duas joint ventures no setor de transmissão de energia. A distinção entre os papéis é clara na sua leitura: o executivo executa o plano estratégico e lidera o time; o conselho faz as perguntas que faltam, estrutura a governança e sustenta a agenda de longo prazo, incluindo formação de sucessores e retenção de talentos.

“A missão do conselho é trazer as perguntas necessárias para o processo de tomada de decisão, o que falta na empresa que os executivos ainda não estão vendo.”

Em um processo de desinvestimento conduzido com seis players estratégicos, o valor gerado na saída foi dez vezes o investido na aquisição original. Desde 2016 atua também como mentora executiva de profissionais em transição para o C-level.

Denise Francisco. Arquivo Pessoal.

Por que finanças virou uma área de dados

Para ela, o transacional já está praticamente todo robotizado. O que permanece é a capacidade de analisar, criticar, questionar e construir cenários a partir do que já foi executado. 

A inteligência de dados é crítica para o CFO, e a parceria com a área de tecnologia deixou de ser opcional. O raciocínio vale também para relações com investidores, onde a IA ajuda a mapear como o investidor decide e em que momento compra ou vende. A consequência prática é a formação de times orientados a dados, em vez de equipes dedicadas a processos repetitivos.

O que ela diria para quem está começando

O conselho é direto: “Busque bons mentores, trabalhe com quem admira e não atue sem propósito”. Denise também destaca a importância de manter a formação em movimento. Ela nunca ficou mais de dois anos sem estudar, passou por IBGC, programas de CEO na FGV, Columbia, Stanford e Bocconi, e segue em educação executiva.

A formação, no seu argumento, é o que dá segurança para se posicionar e ser ouvida, especialmente para mulheres em áreas historicamente masculinas.

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