Seca severa e incêndios em disparada ameaçam o ambiente e a rede elétrica no Norte
Fonte: radiowebcoopnews.com.br | Data: 18/09/2026 17:04:22
Amazonas e Pará registram alta expressiva nos focos de queimadas e ocorrências de incêndio com o agravamento da estiagem.
A combinação do período de estiagem com os efeitos do fenômeno Super El Niño tem provocado um aumento alarmante nas ocorrências de incêndios e queimadas nos estados do Amazonas e do Pará. Apenas na capital amazonense, as ocorrências subiram 153% em 2026, com forte disparada em áreas de vegetação e terrenos baldios. No Pará, a proliferação de focos de calor coloca o estado entre os líderes nacionais de queimadas, acendendo um alerta crítico para a segurança da infraestrutura de distribuição de energia elétrica. Quando as chamas atingem equipamentos como cabos, postes e transformadores, o calor intenso pode provocar o rompimento de fiação e interrupções emergenciais. O impacto atinge diretamente a rotina de moradores e o funcionamento de serviços essenciais, a exemplo de hospitais, escolas e sistemas de captação de água. Diante desse cenário de alto risco para o meio ambiente e a população, órgãos de segurança e concessionárias de energia reforçam orientações de prevenção e destacam a urgência de não utilizar o fogo para a limpeza de terrenos ou descarte de resíduos.
Estiagem e queimadas no Amazonas
O avanço da estiagem no estado do Amazonas tem gerado um salto expressivo nos números de incêndios. Em Manaus, dados registrados de 1º de janeiro a 9 de agosto de 2026 apontam um total de 1.230 ocorrências. O volume representa um crescimento de 153% na comparação com o mesmo período de 2025, ano em que foram contabilizados 486 registros.
Do total de casos na capital amazonense, 666 foram classificados como incêndios urbanos e 564 ocorreram em áreas florestais ou de vegetação. A disparada mais acentuada ocorreu em matas e terrenos baldios, impulsionada pela severidade do período seco.
Em todo o território estadual, o pico de queimadas foi registrado no mês de agosto de 2026, com 1.445 focos contabilizados — o maior número do ano até aquele momento. No entanto, o ritmo continuou intenso no início de setembro: nos primeiros dez dias do mês, o Amazonas somou 1.377 novos focos de calor, o equivalente a aproximadamente 61% de tudo o que queimou ao longo de todo o mês anterior. No ranking dos municípios mais afetados do estado, Apuí lidera a lista com 532 focos de queimada, seguido por Novo Aripuanã, que contabilizou 214 registros. A Defensoria Pública do Estado do Amazonas reforçou a cobrança por medidas efetivas para mitigar os efeitos das queimadas na capital.
Risco à rede elétrica e ranking no Pará
No estado do Pará, a proliferação das chamas também traz sérias preocupações ambientais e de infraestrutura. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), extraídos da plataforma Terra Brasilis, mostram que o Pará registrou 3.112 focos de incêndio entre janeiro e agosto de 2026. O resultado coloca o estado na quinta posição do ranking nacional de queimadas.
No mesmo período, o Brasil acumulou 29.618 focos. O Mato Grosso lidera o ranking nacional com 4.553 ocorrências, seguido por Tocantins (4.141), Bahia (3.256) e Maranhão (3.121). Juntos, esses cinco estados concentram cerca de 62% de todos os focos do país. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Pará figura entre as unidades da federação com maior probabilidade de incêndios no trimestre de agosto a outubro, cenário agravado pelo fenômeno Super El Niño.
Além dos impactos ecológicos, os incêndios em áreas próximas à rede elétrica representam uma ameaça direta à infraestrutura e à segurança pública. O calor intenso gerado pelo fogo pode danificar componentes do sistema, romper cabos de alta tensão e comprometer a estrutura de postes e transformadores. Dependendo do porte da ocorrência, equipes técnicas precisam realizar desligamentos de emergência para conter os riscos de acidentes graves.
Essas interrupções resultam em prejuízos financeiros para substituição de equipamentos e causam transtornos diretos à população. Elton Lucena, executivo de segurança da Equatorial Pará, ressalta a gravidade da situação ao destacar que, quando as chamas atingem a fiação, comunidades inteiras ficam sem energia, afetando instalações cruciais como unidades de saúde, estações de captação e distribuição de água, instituições de ensino e residências por períodos prolongados.
Medidas de prevenção e orientações
Para evitar acidentes e interrupções no serviço, a Equatorial Pará recomenda que a população não pratique queimadas perto da fiação e evite usar o fogo para queimar lixo, folhas secas ou vegetação em terrenos próximos à rede. Em áreas rurais, o cuidado deve ser redobrado durante a seca, mantendo materiais inflamáveis distantes da infraestrutura de energia.
Em caso de incêndios próximos à rede elétrica, a orientação é não tentar combater as chamas por conta própria, não jogar água sobre os fios e jamais tentar remover galhos ou objetos em contato com a fiação. A recomendação é afastar crianças e animais do local e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, além de avisar a concessionária pelo 0800-091-0196 para os procedimentos de segurança.
PALAVRAS-CHAVE – Principal – Queimadas – Secundária – Rede elétrica
Fonte – Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), INPE (Terra Brasilis), Equatorial Pará e Corpo de Bombeiros do Amazonas
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/Equatorial Pará