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Enem 2026: Inep lança cartilha oficial com regras da redação

Fonte: agoralitoral.com.br | Data: 19/09/2026 05:28:04

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Manual traz textos nota mil comentados, critérios de correção e materiais adaptados para candidatos com autismo, dislexia e surdez.

Os estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio em 2026 já têm acesso ao documento oficial com todas as orientações para a produção textual. O guia A Redação do Enem 2026 – Cartilha do Participante foi disponibilizado para download pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O teste dissertativo-argumentativo, estruturado em até 30 linhas a partir de uma proposta temática e textos de apoio, será aplicado no primeiro domingo de provas, em 8 de novembro — a segunda etapa do exame ocorre no dia 15 de novembro.

Orientações práticas e versões acessíveis

O material divulgado pelo Inep tem a finalidade de esclarecer a Matriz de Referência e direcionar o processo de preparação dos estudantes. Uma das principais ferramentas pedagógicas do manual é a inclusão de redações que obtiveram pontuação máxima na edição de 2025, acompanhadas de observações detalhadas dos avaliadores para exemplificar o que se espera dos textos.

A publicação também enfatiza a importância do hábito de leitura frequente como estratégia para expandir o vocabulário, consolidar a bagagem cultural e qualificar a formulação das propostas de intervenção. Para garantir a inclusão, o Inep disponibilizou versões específicas da cartilha voltadas a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), participantes com dislexia e candidatos surdos ou com deficiência auditiva.

As cinco competências e o cálculo da nota

A avaliação do texto é conduzida por dois corretores de maneira independente. Cada profissional atribui de zero a 200 pontos para cada uma das cinco competências obrigatórias, totalizando até 1.000 pontos. A pontuação final corresponde à média aritmética simples das notas de ambos os corretores.

Para alcançar a pontuação máxima, o candidato precisa cumprir exigências divididas em cinco eixos:

  • Língua culta: domínio da norma padrão escrita do português;
  • Tema e repertório: compreensão plena do tema proposto, articulada a conceitos de diferentes áreas do saber dentro de uma estrutura dissertativa;
  • Projeto de texto: seleção, interpretação e articulação lógica de argumentos em torno de uma tese bem definida;
  • Coesão textual: utilização adequada de mecanismos gramaticais e conectivos para garantir a fluidez e o encadeamento das ideias;
  • Intervenção social: elaboração de medidas práticas para solucionar ou mitigar o problema apresentado, mantendo total respeito aos direitos humanos.

Nesta última competência, o órgão educacional reforça a necessidade de compromisso com a dignidade da pessoa humana, igualdade de direitos, valorização da diversidade, laicidade do Estado, práticas democráticas na educação e sustentabilidade socioambiental.

O perigo do repertório memorizado

Um dos destaques da nova cartilha é a advertência contra o uso inadequado do chamado repertório de bolso — citações decoradas e alusões genéricas inseridas sem conexão real com a discussão em pauta. Segundo o documento:

“É como se fosse um repertório guardado no bolso para ser usado com qualquer tema, mesmo que não seja totalmente adequado ou pertinente”.

O Inep esclarece que o bom desempenho exige argumentos pertinentes e bem concatenados, apresentados com progressão temática coerente para sustentar a posição escolhida pelo estudante.

Critérios que levam à nota zero

O regulamento prevê a anulação imediata da redação em cenários específicos de desrespeito às normas do exame. Receberão nota zero os textos que apresentarem:

  • Fuga integral do tema, sem abordagem do assunto central nem do tema proposto;
  • Trechos deliberadamente desconectados do corpo do texto;
  • Extensão insuficiente, caracterizada por até sete linhas na folha manuscrita ou até dez linhas na prova em Braille;
  • Redação desenvolvida exclusivamente ou de forma predominante em língua estrangeira;
  • Letra ilegível, que impeça a compreensão por dois examinadores independentes;
  • Assinatura ou qualquer elemento de identificação do participante fora do local demarcado.

Linhas copiadas dos textos motivadores ou do caderno de questões não são computadas para a contagem mínima exigida e acabam desconsideradas na avaliação.

Importância ampliada do exame nacional

Porta de entrada tradicional para o ensino superior no país, a avaliação abastece programas do governo federal como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), além de ser aceita em convênios com universidades de Portugal. Desde 2025, o exame também recuperou a função de certificar a conclusão do ensino médio para maiores de 18 anos que alcancem notas mínimas. Em 2026, o teste assume ainda o papel inédito de mensurar a qualidade geral da etapa final da educação básica brasileira.