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Só 21% das corridas em Congonhas cruzam cidades, contra 98% em Viracopos

Fonte: noticias.r7.com | Data: 20/09/2026 04:05:58

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Em Congonhas, apenas 21,6% das corridas cruzam limites municipais Luiz Fara Monteiro

A mobilidade por aplicativos começa a revelar uma mudança estrutural no papel dos aeroportos paulistas, menos visível na malha aérea, mas evidente no deslocamento dos passageiros em terra. Um levantamento da Machine com dados de corridas realizadas entre janeiro e julho de 2026 indica que Viracopos, em Campinas, já opera como um polo regional de acesso ao transporte aéreo, enquanto Congonhas permanece fortemente ancorado na dinâmica urbana da capital.

O contraste aparece de forma contundente na origem das viagens. Quase a totalidade das corridas ligadas a Viracopos (97,9%) conecta municípios diferentes, o que indica que o aeroporto funciona como ponto de convergência para passageiros de toda a região. Mais do que um terminal campineiro, trata-se de uma infraestrutura que absorve demanda distribuída por diferentes cidades. Em Congonhas, o cenário é outro: apenas 21,6% das corridas cruzam limites municipais, reforçando seu caráter essencialmente local.

Essa diferença não é apenas geográfica: ela revela funções distintas dentro do sistema de mobilidade, explica Júlia Camossa, estatística responsável pelo Data Machine. “Enquanto Congonhas está inserido em um tecido urbano denso, com alta oferta de transporte e proximidade entre origem e destino, Viracopos depende de fluxos mais longos e dispersos, o que amplia sua área de influência e o posiciona como alternativa regional de embarque”, diz.

Proporcionalmente, o aeroporto de Campinas tem maior peso na dinâmica local. Na cidade, 11% de todas as corridas por aplicativo estão ligadas a Viracopos, ante 7,4% em São Paulo relacionadas a Congonhas. O número sugere que o aeroporto exerce um papel mais central na mobilidade da cidade e do entorno do que o terminal da capital.

No comportamento das viagens, há um padrão comum, mas com nuances importantes. Em ambos os aeroportos, predominam deslocamentos com destino aos terminais, o que indica maior volume de passageiros em direção ao embarque. Em Congonhas, essa concentração é mais acentuada (59,7%), enquanto em Viracopos há maior equilíbrio entre chegadas e saídas (53,8% contra 46,3%), sugerindo uma dinâmica menos assimétrica.

Os horários reforçam a forte aderência entre mobilidade terrestre e operação aérea. As corridas com destino aos aeroportos se concentram na madrugada, com 29,2% ocorrendo entre 4h e 6h, pico às 4h, reflexo direto dos voos nas primeiras horas do dia. Já as viagens que partem dos terminais se intensificam no fim da tarde e início da noite (45,1% entre 16h e 21h), acompanhando a chegada de passageiros.

A distribuição ao longo da semana aprofunda essa leitura. Os deslocamentos para embarque se espalham pelos dias úteis, com maior intensidade na terça-feira, indicando viagens ligadas à rotina corporativa. Já as saídas dos aeroportos têm pico na quinta-feira, o que pode refletir ciclos de viagens mais curtos ou retornos antecipados, padrão compatível com deslocamentos profissionais.

O que emerge desse conjunto de dados é uma divisão clara de papéis. Congonhas permanece como um aeroporto urbano, integrado à lógica da cidade de São Paulo. Viracopos, por sua vez, consolida-se como um hub regional de acesso ao transporte aéreo, conectando municípios e ampliando seu raio de influência.

“Mais do que acompanhar o fluxo aéreo, a mobilidade por aplicativos ajuda a tornar visível essa reorganização e sugere que o eixo de deslocamento de passageiros no estado já não está restrito à capital”, afirma.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.