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Motoristas de aplicativo encaram jornada maior para alcançar a mesma renda, revela IBGE

Fonte: melhorinvestimento.net | Data: 21/09/2026 16:49:44

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Os motoristas de aplicativo precisam trabalhar, em média, 5,4 horas a mais por semana para alcançar uma renda mensal praticamente igual à de outros trabalhadores do setor privado. O dado faz parte de um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o trabalho realizado por meio de plataformas digitais em 2025.

Segundo a pesquisa, a renda média mensal dos trabalhadores de aplicativos ficou em R$ 3.147 no trabalho principal, enquanto os demais ocupados do setor privado receberam R$ 3.148. Apesar da proximidade nos valores mensais, a diferença aparece quando o rendimento é calculado por hora trabalhada.

Os trabalhadores de aplicativos receberam, em média, R$ 16,20 por hora, contra R$ 18,40 entre os demais empregados do setor privado. A diferença é de aproximadamente 12%.

Motoristas de aplicativo têm jornada maior para alcançar renda semelhante

A jornada é um dos principais fatores que ajudam a explicar a diferença. Em 2025, os trabalhadores que atuavam por meio de plataformas digitais declararam uma média de 44,7 horas de trabalho por semana.

Entre os demais trabalhadores do setor privado, a jornada média foi de 39,3 horas semanais. Na prática, isso representa uma diferença de 5,4 horas por semana.

Assim, embora a remuneração mensal dos dois grupos seja praticamente igual, quem trabalha por plataformas dedica mais tempo à atividade para alcançar esse nível de renda.

O levantamento do IBGE considera o cenário do mercado de trabalho brasileiro em 2025 e mostra como a expansão das plataformas digitais vem alterando a forma de inserção de parte da população ocupada.

Trabalho por aplicativo já envolve quase 2 milhões de brasileiros

O levantamento identificou 1,96 milhão de pessoas que utilizaram plataformas digitais para trabalhar em 2025. O contingente corresponde a 1,9% da população ocupada do país.

A maior parte desse grupo tinha o trabalho por aplicativo como principal atividade. Eram aproximadamente 1,805 milhão de pessoas nessa situação. Outras 182 mil utilizavam as plataformas como uma fonte complementar de renda.

O número de trabalhadores que têm as plataformas como atividade principal cresceu 36,8% desde 2022. O avanço mostra que esse modelo de ocupação ganhou espaço no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos.

O fenômeno inclui diferentes tipos de serviços, desde transporte individual de passageiros até entregas e atividades profissionais realizadas por meio de plataformas digitais.

Transporte de passageiros concentra a maior parcela

O transporte individual de passageiros representa a maior fatia do trabalho realizado por aplicativos. De acordo com o IBGE, 58,9% dos trabalhadores de plataformas estavam nessa atividade em 2025.

O percentual corresponde a aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. Os aplicativos de entrega aparecem na sequência, concentrando 29,9% dos trabalhadores.

Já os serviços gerais e profissionais reuniam aproximadamente 313 mil pessoas.

Considerando as diferentes atividades analisadas, o setor de transporte, armazenagem e correios concentrava cerca de três quartos do trabalho realizado por meio de plataformas digitais no país.

O resultado evidencia o peso de motoristas e entregadores na expansão desse modelo de trabalho.

Plataformas definem valores das corridas para a maioria dos motoristas

Além da jornada e dos rendimentos, o estudo do IBGE analisou a relação entre trabalhadores e plataformas.

Entre os motoristas de transporte por aplicativo, 80,2% afirmaram que o valor cobrado pelas corridas é totalmente determinado pela plataforma. O dado mostra o grau de participação das empresas na definição das condições econômicas da atividade.

A pesquisa também apontou que uma parcela relevante dos trabalhadores depende de um número limitado de aplicativos para obter sua renda.

Essa dependência é um dos aspectos observados pelo levantamento para compreender como as plataformas digitais interferem na organização do trabalho e na remuneração dos profissionais.

Flexibilidade e falta de oportunidades influenciam entrada no setor

O IBGE também perguntou aos trabalhadores, pela primeira vez, quais foram os motivos para começar a trabalhar por meio de plataformas digitais.

Entre as principais razões citadas estão a possibilidade de ter horários mais flexíveis e a dificuldade de encontrar outras oportunidades de trabalho.

Esses fatores aparecem com destaque especialmente entre motoristas e entregadores. Dessa forma, o trabalho por aplicativo pode funcionar tanto como uma alternativa para quem busca maior autonomia sobre a própria jornada quanto como uma opção diante de dificuldades de inserção em outras ocupações.

A combinação desses fatores ajuda a explicar por que o número de trabalhadores que dependem das plataformas como atividade principal aumentou nos últimos anos.

Informalidade entre motoristas de aplicativo supera a do setor privado

Outro ponto destacado pelo levantamento é a diferença na formalização. A taxa de informalidade entre os motoristas de aplicativo chegou a 72,1% em 2025.

No restante do setor privado, o índice foi de 42,7%. A diferença indica que uma parcela significativamente maior dos profissionais que atuam como motoristas por plataformas está fora de relações formais de trabalho.

A situação também aparece nos dados de contribuição previdenciária. Enquanto 63% dos demais trabalhadores do setor privado contribuíam para a Previdência, a proporção entre os trabalhadores de aplicativos ficou em 34%.

Esse cenário tem impacto sobre a proteção previdenciária dos profissionais, já que a contribuição está relacionada ao acesso a benefícios previstos pelo sistema de Previdência Social, conforme as regras aplicáveis a cada trabalhador.

Dados mostram contraste entre renda mensal e tempo trabalhado

Os números do IBGE traçam um retrato de um mercado que cresceu nos últimos anos, mas apresenta diferenças importantes em relação ao restante do setor privado.

Os trabalhadores de aplicativos tiveram renda mensal média praticamente igual à dos demais ocupados do setor privado em 2025. No entanto, o valor recebido por hora foi menor e a jornada semanal foi mais extensa.

No caso dos motoristas de aplicativo, o cenário é acompanhado ainda por uma elevada taxa de informalidade e por uma proporção menor de contribuintes para a Previdência.

Ao mesmo tempo, a flexibilidade de horários e a dificuldade de encontrar outras oportunidades aparecem entre os fatores que levam profissionais a optar pelas plataformas.

Com quase 2 milhões de brasileiros utilizando aplicativos para trabalhar, os dados do IBGE mostram a dimensão que esse modelo já alcançou no mercado de trabalho nacional e ajudam a explicar os principais desafios enfrentados por quem depende dessa atividade para obter renda.