Caixa segue em greve após mais de 80% dos funcionários rejeitarem nova proposta do banco
Fonte: extra.globo.com | Data: 21/09/2026 21:55:19
Os empregados públicos da Caixa Econômica Federal seguem em greve após rejeitarem, nesta segunda-feira (dia 21), por maioria, a nova proposta apresentada pelo banco para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para 2027. A paralisação teve início no último dia 10. A votação, que terminou às 18h, contou com 2.771 bancários e bancárias, o que equivale a mais de 78% da base no estado do Rio. Destes, 82,33% rejeitaram a proposta.
O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira, acredita que a questão do Saúde Caixa, um dos principais impasses na negociação, pode ter influenciado a rejeição.
— Boa parte de nós, quando fomos contratados na empresa, tínhamos uma relação de custeio do plano de 70% custeado pela empresa, e 30% pelos empregados. A Caixa fez alterações hoje, por exemplo, e agora esse custeio está 55% para a empresa e 45% para o empregado. A proposta que a Caixa faz não consegue dar segurança de que ira, assim, reestabelecer os 70% e 30% de forma perene — pontuou.
Além de manter o plano no ACT e de derrubar a cobrança por faixa etária, mantendo o modelo solidário, a nova proposta aumentou de 6,5% o teto de participação do banco para 9% da folha. O aumento foi de quase 40% na participação do banco. Antes, essa porcentagem era de 8%.
O presidente também menciona o caso em que uma fatia dos empregados, que ingressaram na instituição após 2018, quando passarem para a inatividade, vão custear todo o plano, diferentemente da regra anterior, o chamado “pós-emprego”.
Mais cedo, o sindicato, bem como o Comando Nacional e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro-CUT orientaram pela aprovação. A ideira era evitar o tribunal e um eventual julgamento de dissídio coletivo, o que costuma ser ruim para os trabalhadores.
— Nossa indicação pela aprovação, era menos sobre a proposta da Caixa, que a gente acha realmente que é insuficiente, e mais pelo impasse parar no Tribunal Superior do Trabalho. Se entrar com dissídio, sai da nossa mão — observou.
A votação foi realizada digitalmente, por meio do aplicativo VotaBem, a fim de permitir maior participação dos empregados públicos. A última mesa de negociação ocorreu na quarta-feira (dia 16), quando o novo acordo foi apresentado.
O próximo passo, explica Ferreira, é comunicar formalmente a Caixa os resultados das assembleias e, então, aguardar o caminho que a instituição seguirá, “se vai aceitar retornar à mesa e pensar alternativas, ou se vai considerar esgotada a negociação e apostar no caminho do tribunal”. O EXTRA procurou a Caixa, e segue no aguardo do retorno.
Saúde Caixa
De acordo com o ACT proposto pelo banco, para os empregados ativos, a contribuição do titular seria de 3,7% enquanto a cobrança por dependente ficou de: R$ 560 para dependente direto, R$ 660 para dependente indireto (filho de 21 a 24 anos), e de R$ 900 para filhos de 24 a 27 anos e pais e mães remanescentes. O limite do grupo familiar será de 9%, considerando titular e dependentes diretos.
Também em relação à proposta anterior, a atual prometia reduzir de R$ 150 para R$ 120 a cobrança de consulta em pronto atendimento, além de manter a isenção de coparticipação na telemedicina.
O banco também propôs colocar ao menos um empregado por Gerência de Pessoas (Gipes) e Representações Regionais de Pessoas (Repes) para trabalhar exclusivamente com o Saúde Caixa.
Vale mencionar que o acordo não previa reajustes nas mensalidades para 2026, e a Caixa assumiria o déficit do plano.
Outros pontos
A nova proposta mantinha o pagamento de R$ 3 mil por empregado, em reconhecimento ao atingimento do IEO em junho de 2026. Previa ainda, em caso de aprovação, PLR, Super Caixa e o abono de R$ 3 mil em 30 de setembro.
Além disso, havia também novidades no Super Caixa, o programa de remuneração variável e premiação por desempenho, e no Fitgal (modelo operacional híbrido que une atendimento físicos das agências ao suporte digital integrado por meio de plataformas).
Quanto aos acordos para compensação, determinava que o dia 20 de agosto seja abonado e os demais dias úteis, compensados em até 180 dias. Os trabalhadores da Caixa estão em greve por tempo indeterminado desde o último dia 10.