Rio de Janeiro registra caso de raiva canina após contato com morcego
Fonte: imagemnews.com.br | Data: 21/09/2026 22:22:35
Um caso de raiva canina confirmado na Zona Oeste do Rio de Janeiro acendeu o alerta para os riscos associados ao contato entre animais domésticos e morcegos. Em agosto, um cão que vivia em área urbana do bairro de Santa Cruz foi diagnosticado com a doença e precisou ser sacrificado. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) divulgou um alerta em 18 de setembro, destacando que o animal tinha histórico de interação com morcegos, principais vetores da raiva no estado.
Contexto e histórico da raiva no Rio
A raiva é uma zoonose viral que afeta o sistema nervoso central e tem letalidade próxima de 100% após o surgimento dos sintomas. No Rio de Janeiro, os últimos casos de raiva humana foram registrados em 2006, em São José do Vale do Rio Preto, e em 2020, em Angra dos Reis, ambos transmitidos por morcegos. Embora a doença esteja controlada em humanos graças à vacinação e medidas preventivas, o caso recente em Santa Cruz serve como lembrete de que a raiva ainda representa uma ameaça, especialmente para animais não vacinados.
Medidas emergenciais e prevenção
Após a confirmação do caso, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio realizou uma investigação epidemiológica. Pessoas que tiveram contato com o cão receberam profilaxia antirrábica e foram monitoradas, sem registro de transmissão para humanos. No entanto, o episódio reforça a necessidade de manter a vacinação de cães e gatos em dia. A campanha anual de vacinação antirrábica no estado está programada para o próximo sábado (26), e a participação dos tutores é fundamental para ampliar a cobertura vacinal.
Além da vacinação, autoridades recomendam que os animais sejam mantidos em ambientes seguros, evitando o contato com morcegos e outros animais silvestres. Para cães, o uso de coleira e guia durante passeios é essencial, enquanto gatos devem ser mantidos em casa, preferencialmente com telas de proteção. Médicos-veterinários e profissionais que lidam com animais também devem usar equipamentos de proteção individual durante o manejo.
O papel dos morcegos e cuidados necessários
Morcegos desempenham um papel ecológico crucial, contribuindo para a polinização, dispersão de sementes e controle de insetos. No entanto, alguns podem ser portadores do vírus da raiva. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) alerta que morcegos encontrados durante o dia, em locais incomuns ou caídos no chão, podem estar infectados. A orientação é não tocar no animal, vivo ou morto, e acionar o serviço de zoonoses para o recolhimento.
Diogo Alves, presidente do CRMV-RJ, enfatiza: “A raiva continua sendo uma preocupação de saúde pública, e a prevenção deve fazer parte da rotina. A vacinação e o cuidado com morcegos são medidas simples, mas eficazes para evitar tragédias”.
O que fazer em caso de contato com animais suspeitos
Em caso de mordedura, arranhadura ou lambedura por qualquer mamífero, doméstico ou silvestre, a pessoa deve lavar o local imediatamente com água e sabão e procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. A equipe médica avaliará a necessidade de vacina antirrábica, soro ou imunoglobulina. Situações envolvendo morcegos são consideradas graves, independentemente da extensão da lesão.
Para animais domiciliados envolvidos em agressões, a recomendação é mantê-los em observação por 10 dias. Se houver mudança de comportamento, doença ou morte, o serviço de saúde municipal deve ser informado imediatamente.
Perspectivas e próximos passos
O caso em Santa Cruz serve como um alerta para a importância da vigilância e prevenção contínua. Com a campanha de vacinação antirrábica às portas, espera-se que a adesão dos tutores seja alta, garantindo a proteção dos animais e, consequentemente, da população humana. Além disso, a conscientização sobre os riscos associados a morcegos e a necessidade de preservar esses animais, sem colocar a saúde pública em risco, é fundamental para o equilíbrio ecológico e sanitário.