Fazendas solares instalam sistemas de segurança para evitar ocorrências
Fonte: ipesi.com.br | Data: 22/09/2026 00:42:12
A expansão da geração de energia solar no Brasil vem acompanhada de novos desafios relacionados à proteção de ativos e à continuidade operacional. Em usinas fotovoltaicas, que normalmente ocupam grandes extensões territoriais e podem estar localizadas em regiões afastadas dos centros urbanos, a segurança eletrônica tem papel estratégico para apoiar as equipes responsáveis pela proteção do empreendimento e contribuir para a prevenção de ocorrências. Foi nesse contexto que a Avantia desenvolveu e implantou uma solução de segurança para a Usina Sol do Agreste, da Atiaia Renováveis, localizada na Região do Agreste pernambucano. O projeto teve início em março de 2025 e foi concluído no início deste ano.
O trabalho teve como foco a implementação de um sistema de detecção de intrusão adequado às características e necessidades da operação. Antes da implantação, a Atiaia Renováveis buscava uma solução que oferecesse robustez, eficiência e uma relação custo-benefício adequada para a realidade de uma usina fotovoltaica. A extensão da área de uma planta solar torna a identificação de possíveis invasões um desafio relevante, especialmente em locais com baixa presença humana e grande quantidade de ativos distribuídos pelo território. O Complexo Fotovoltaico Sol do Agreste, por exemplo, ocupa uma área de 4.400.000 metros quadrados – equivalente a cerca de 616 campos de futebol, considerando o tamanho padrão oficial da Fifa (Federação Internacional de Futebol).
De acordo com o diretor Comercial para Área Privada da Avantia, Mário Tranche, a segurança de empreendimentos de geração de energia precisa ser planejada considerando as características específicas de cada ativo. “Em parques solares, fatores como extensão territorial, localização, topografia, distância entre equipamentos e áreas de aproximação devem ser considerados no dimensionamento da proteção. Por isso, a estratégia não deve se limitar à instalação de equipamentos, mas contemplar uma arquitetura capaz de apoiar a detecção e a resposta a eventos”, diz.
A SOLUÇÃO – Em parques solares, a eficiência está na arquitetura integrada de segurança. O primeiro nível, ou primeira camada, é a proteção perimetral. Ela reúne diferentes tecnologias empregadas no cercamento dos ativos, capazes de identificar tentativas de violação e gerar os primeiros sinais de alerta.
Na sequência, entra a visualização, como segunda camada. Nesse nível, são utilizadas câmeras fixas, PTZ e, conforme a análise de risco, câmeras térmicas, que ampliam a capacidade de detecção em condições de baixa ou ausência de luminosidade e também em áreas extensas.
Outro componente importante são os sensores complementares, como radares, que podem atuar de forma integrada ao campo de visão das câmeras. Eles são especialmente relevantes em áreas nas quais existe uma grande distância entre os ativos e o perímetro ou onde variações topográficas dificultam a utilização de outras tecnologias.
Essa arquitetura também precisa contemplar controle de acesso, identificação de veículos, iluminação, comunicação, alarmes e infraestrutura de rede. Embora os investimentos em CFTV e em ativos de monitoramento tenham avançado, muitas vezes eles ainda não acompanham a necessidade real dos demais componentes que integram um sistema de segurança inteligente.
“O ponto central, portanto, é que todas essas tecnologias precisam estar conectadas a uma camada de inteligência e operação. Uma câmera isolada apenas registra um evento. Já uma arquitetura integrada é capaz de detectar uma ocorrência, classificá-la, gerar um alerta e, a partir dessas informações, iniciar um protocolo de resposta”, explica Tranche.
Para Thiago Breno Silva, Coordenador de Projetos Fotovoltaicos, Engenharia e Construção da Atiaia Renováveis, a implantação contribuiu para fortalecer a estrutura de segurança e ampliar o monitoramento da operação. “A experiência na Usina Sol do Agreste reforça uma tendência que ganha importância à medida que o setor solar cresce no país: incorporar a segurança à própria engenharia dos empreendimentos”, diz.
IMPACTO DE OCORRÊNCIAS – Para compreender melhor a importância de estruturas completas de segurança como a da Avantia, é preciso entender a dinâmica de possíveis ocorrências em usinas solares. Quando um criminoso retira cabos, por exemplo, há simultaneamente perda patrimonial, custo de recomposição da infraestrutura, mobilização de equipes, indisponibilidade do sistema e, em muitos casos, perda de geração de energia.
Dependendo do ponto atingido, uma ocorrência aparentemente localizada pode comprometer uma quantidade relevante de equipamentos e exigir intervenções elétricas e técnicas antes que a operação seja restabelecida. Isso amplia o tempo de indisponibilidade e, consequentemente, o impacto financeiro do incidente.
“Há ainda efeitos indiretos, como o aumento dos custos de manutenção, possíveis impactos sobre seguros, mobilização adicional das equipes de segurança e de operação e manutenção (O&M), além dos riscos secundários de falhas elétricas e danos a outros componentes da planta. O principal impacto, porém, está na perda de receita durante o período em que os equipamentos permanecem indisponíveis”, diz Tranche. (foto/divulgação)