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Fotojornalistas retêm imagens de Trump e ampliam boicote Fotojornalistas retêm imagens de Trump e ampliam boicote à Casa Branca; disputa vai à Justiça

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 22/09/2026 05:23:06

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O cerco à cobertura do presidente Donald Trump se ampliou nesta segunda-feira para além das câmeras de televisão. Agências de fotografia e grandes jornais retiveram as imagens das aparições do presidente, enquanto a recusa das emissoras de indicar um substituto para o pool mantinha os eventos presidenciais sem transmissão de TV. A disputa, que já chegou à Justiça, passou a envolver também o fotojornalismo.

A reação dos fotógrafos foi rápida. Profissionais do The New York Times, da Associated Press, da Agence France-Presse, da Reuters e da Getty Images — todos escalados para o plantão fotográfico de segunda-feira — decidiram reter as imagens produzidas durante o dia. Nem todos os veículos divulgaram publicamente a adesão, mas pessoas ouvidas pela CNN descreveram a resposta como quase unânime entre os fotógrafos. O grupo registrou a partida de Trump a bordo do Marine One, mas as fotos não circularam pelas redes de distribuição.

A adesão dos jornais veio em seguida. O The New York Times informou que não publicaria nem distribuiria as imagens do plantão de segunda-feira, em apoio às redações alvo do governo. O The Washington Post, que não estava escalado para o plantão fotográfico, também decidiu reter fotografias das aparições de Trump até a meia-noite do horário da costa leste americana. A Associated Press confirmou participação e defendeu que nenhum veículo ou profissional deve sofrer retaliação do governo pelo que publica.

O gesto amplia uma reação em cadeia iniciada um dia antes, quando as emissoras de TV que dividem a cobertura da Casa Branca comunicaram que não forneceriam equipe substituta para o veículo barrado, movimento detalhado na suspensão do pool da Casa Branca pelas redes de TV.

Frente judicial avança em paralelo

Enquanto o boicote se alastrava, o confronto migrou para os tribunais. Os veículos atingidos pela restrição acionaram a Justiça americana com uma ação baseada na Primeira Emenda da Constituição, contestando o bloqueio do acesso. A escalada começou na sexta-feira, quando o presidente anunciou o veto, e, no sábado pela manhã, repórteres das organizações barradas foram impedidos de entrar no complexo da Casa Branca.

Na manhã de segunda-feira, Trump voltou ao tema em publicação no Truth Social, na qual repetiu que baniu as organizações de imprensa da Casa Branca, ao lado de uma notícia sobre o assunto.

Eventos presidenciais ficam sem câmera

O efeito prático do boicote apareceu no primeiro compromisso público do dia. A cerimônia de inauguração do novo heliporto de Trump foi exibida apenas no site da Casa Branca, sem equipe de TV do pool, e as falas do presidente ficaram inaudíveis no vídeo, abafadas pelo ruído do helicóptero. A jornalista Kaitlan Collins, da CNN, explicou que, enquanto a decisão estiver em vigor, nenhum evento do presidente terá uma câmera de televisão captando e compartilhando as imagens com o restante da imprensa e com emissoras de todo o mundo.

A suspensão, porém, não é total. A cobertura do pool de TV que não envolve o presidente segue normal, incluindo o Congresso, autoridades estrangeiras e eventos selecionados em Washington e em outras cidades do país.

Semana da ONU expõe lacuna de cobertura

A ausência de câmeras tende a ficar mais visível nos próximos dias. Como parte da rotação do pool, o veículo barrado estava escalado para chefiar a equipe de TV na segunda-feira e para acompanhar Trump a Nova York durante a Assembleia Geral da ONU. A programação de imprensa divulgada pela Casa Branca na noite de domingo, no entanto, não listou nenhuma emissora como pool principal de TV para segunda-feira.

A Hearst, que controla emissoras locais em todo o país, apareceu como equipe secundária em Washington, e a Real America’s Voice, pequena rede favorável a Trump, foi listada como equipe secundária na viagem a Nova York. A equipe secundária costuma ter acesso aos eventos do pool e pode fazer perguntas ao presidente, mas não desempenha as funções do pool principal de TV.

Um assento conquistado na Justiça há quatro décadas

A queda de braço tem precedentes. A emissora barrada garantiu seu lugar na rotação do pool de TV da Casa Branca em 1981, depois de processar a gestão de Ronald Reagan e as concorrentes ABC, CBS e NBC. O arranjo só foi ampliado mais tarde, com a entrada da Fox News.

A manutenção desse sistema interessa a toda a imprensa porque a cobertura presidencial é dispendiosa: viagens de vários dias podem custar dezenas de milhares de dólares para as empresas jornalísticas envolvidas. Em nota divulgada no sábado, a emissora vetada afirmou que continuará reportando sobre o governo americano independentemente de tentativas de restringir o acesso físico à Casa Branca e classificou o veto como um ataque ilegal ao direito constitucional de informar sem interferência do governo.