MPE pede impugnação da candidatura de Antônio Rueda por ligações a milícias
Fonte: giropelabahia.com.br | Data: 22/09/2026 05:19:01
O Ministério Público Eleitoral mudou de posição e afirma que Antônio Rueda se beneficiou da atuação de grupos paramilitares na Baixada Fluminense. A Procuradoria apresentou parecer ao TRE-RJ para rejeitar seu registro.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) mudou de posição e pediu à Justiça Eleitoral a rejeição do registro da candidatura de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Em manifestação enviada ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) na sexta-feira 18, a Procuradoria Regional Eleitoral afirmou que Rueda teria se beneficiado da atuação de grupos paramilitares com influência política e territorial na Baixada Fluminense. Segundo o parecer, lideranças locais ligadas a milícias poderiam ter usado a influência que exercem sobre determinados territórios e o poder de coerção para favorecer a candidatura de Rueda.
A manifestação do MPE, contudo, não representa decisão definitiva: caberá ao TRE-RJ decidir se Rueda poderá permanecer na disputa.
O Ministério Público havia inicialmente se manifestado a favor da liberação do registro, considerando que as acusações estavam apoiadas principalmente em reportagens e publicações de terceiros, sem provas suficientes contra o dirigente partidário. O entendimento mudou depois que o TRE-RJ suspendeu o julgamento do registro de Rueda, em 11 de setembro, e requisitou informações à Polícia Federal, à Agência Nacional de Aviação Civil, à Justiça Estadual e à Prefeitura de Belford Roxo.
Documentos enviados pela prefeitura confirmaram que Luiz Eduardo Santos de Araújo, conhecido como Eduardo Araújo, e Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão, ocuparam secretarias municipais durante 2025. Ambos foram impedidos pela Justiça Eleitoral de disputar as eleições municipais de 2024 por condenações relacionadas à participação ou articulação de organizações paramilitares ou milícias.
De acordo com a procuradoria, mesmo fora dos cargos públicos, Eduardo Araújo e Fabinho Varandão teriam continuado a atuar politicamente na promoção da dobradinha eleitoral entre Rueda e Márcio Canella, candidato a deputado estadual pelo União Brasil. Para o MPE, autorizar a candidatura de Rueda nessas circunstâncias poderia representar uma forma indireta de contornar a proibição constitucional à interferência de organizações paramilitares no processo eleitoral; o parecer menciona a possibilidade de
“fraude”
A defesa do candidato negou irregularidades. Segundo a defesa, não existem provas de que Rueda tenha praticado atos ilícitos e os apoiadores teriam agido por iniciativa própria em seus perfis pessoais nas redes sociais. Os advogados destacaram que Rueda não foi condenado, denunciado nem indiciado criminalmente e invocaram o princípio da presunção de inocência, argumentando que a atuação de terceiros não poderia impedir o registro eleitoral.
As defesas também afirmaram que informações prestadas pelas 153ª, 154ª e 155ª Zonas Eleitorais de Belford Roxo não apontaram ameaças, violência, impedimento de propaganda, imposição de exclusividade territorial, coação de eleitores ou emprego de homens armados em favor de Rueda ou Canella.
A Prefeitura de Belford Roxo informou que Eduardo Araújo e Fabinho Varandão foram exonerados em 30 de setembro de 2025 e não mantinham vínculo com o município em 2026. Os advogados ressaltaram ainda que Rueda nunca ocupou cargo na prefeitura e negaram relação entre a campanha do dirigente partidário e as nomeações dos dois ex-secretários.
A aliança entre Rueda e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) ocupa posição central no processo. Rueda disputa pela primeira vez um cargo eletivo: pernambucano, transferiu o domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro em janeiro de 2026 e concentrou a estratégia eleitoral na Baixada Fluminense, onde Canella construiu sua carreira política. Rueda passou a participar com frequência de agendas ao lado do ex-prefeito e se apresentou como
“o federal do Canella”
Há registro de que, em 2025, Rueda teria se reunido com pessoas suspeitas de ligação com milícias enquanto preparava a entrada na disputa fluminense. Em 26 de agosto, durante um encontro de campanha em Belford Roxo, ele declarou que pretendia representar o município na Câmara dos Deputados.
Canella foi preso em julho, durante operação da Polícia Federal que investigava uma suposta rede de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis, e também chegou a ser detido por porte ilegal de arma de uso restrito depois que um fuzil foi encontrado em seu carro. Posteriormente, deixou a prisão. O registro de Canella para deputado estadual também está sob análise do TRE-RJ, que busca esclarecer as relações políticas e administrativas dele com pessoas apontadas como associadas a grupos paramilitares.
Se o cenário for revertido pelo TRE-RJ, Rueda fará sua estreia nas urnas. O dirigente declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 75,6 milhões, o maior informado até então entre os candidatos a deputado federal pelo Rio de Janeiro.
