CFM desconhece técnica de malha lingual usada para perda rápida de peso no exterior
Procedimentos estéticos invasivos e sem comprovação científica têm levado brasileiros a buscar alternativas de emagrecimento em países vizinhos como o Paraguai. Entre as práticas adotadas está a aplicação da chamada “malha lingual”, uma técnica que consiste em suturar uma tela de polipropileno sobre a língua do paciente sob anestesia local, impedindo a ingestão de alimentos sólidos devido à dor e à limitação mecânica dos movimentos. O método obriga a pessoa a manter uma dieta exclusivamente líquida por até 40 dias, apresentando riscos graves de rompimento de pontos e infeções severas que podem colocar a vida em risco.
Procurado para avaliar a prática, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que desconhece a técnica da malha lingual e não reconhece o procedimento no país. Especialistas e cirurgiões brasileiros alertam que a intervenção é inadequada, pois além do perigo de complicações de saúde, não promove reeducação alimentar efetiva, levando à recuperação do peso assim que a malha é removida.
Relatos de pacientes que se submeteram ao procedimento em clínicas no exterior expõem o sofrimento físico e psicológico causado pela busca por padrões estéticos rígidos. Após enfrentarem semanas de dores extremas e isolamento alimentar, ex-adeptas do método buscam conscientizar a população sobre os riscos das dietas milagrosas e defendem o acompanhamento médico seguro e focado na saúde integrativa, longe de intervenções mutilantes e sem respaldo do CFM.