Entenda como funciona a coleta de lixo em São Paulo
Fonte: ultimosegundo.ig.com.br | Data: 25/09/2026 13:04:18

Caminhão de coleta de lixo em São Paulo
A cidade de São Paulo recolhe, todos os meses, cerca de 360 mil toneladas de lixo, quantidade equivalente a 12 mil toneladas de lixo diárias.
Para lidar com um um volume tão grande, o município conta com um sistema de coleta de lixo “porta a porta”, presente em 100% das vias públicas dos 96 distritos do município, mobilizando aproximadamente 6 mil funcionários e 842 veículos.
Na coleta, a capital paulista depende da divisão das 32 subprefeituras e das duas concessionárias que atendem a cidade, cada uma com contrato de concessão de 20 anos para a prestar os serviços de coleta, atendendo diferentes regiões e suas respectivas subprefeituras.
A Logística Ambiental de São Paulo S.A. (Loga) é responsável pelo agrupamento Noroeste da cidade, que reúne as regiões Central, Norte e Oeste. A concessionária atende a 13 subprefeituras, sendo elas: Butantã, Casa Verde, Freguesia do Ó, Jaçanã/Tremembé, Lapa, Mooca, Penha, Perus, Pinheiros, Pirituba/Jaraguá, Santana/Tucuruvi, Vila Maria/Vila Guilherme e Sé.
A Ecourbis Ambiental atende o agrupamento Sudeste, formado pelas regiões Sul e Leste, cobrindo as subprefeituras de Aricanduva/Formosa, Campo Limpo, Capela do Socorro, Cidade Ademar, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo, Guaianases, Ipiranga, Itaim Paulista, Itaquera, Jabaquara, M’Boi Mirim, Parelheiros, Santo Amaro, São Mateus, São Miguel, Vila Mariana e Vila Prudente.
Cada área atendida tem seus horários e datas de coletas específicas, variando de acordo com o atendimento daquela região. De acordo com a SP Regula, para determinar a frequência e os horários das coletas, são realizados estudos técnicos e considerados critérios baseados nas características de cada região, como a quantidade de volume residual gerado e crescimento urbano e populacional, além de eventuais obras nas vias e otimização logística da operação

Para consultar as informações com exatidão, é possível acessar a área de coletas no site da Prefeitura de São Paulo e informar o CEP da residência. Logo após a confirmação do código postal, uma lista com os dias da semana e horários das coletas será disponibilizada.
Além da coleta porta a porta, segundo a SP Regula, a capital ainda conta com aproximadamente sete mil contêineres destinados à coleta domiciliar e 14 mil para a coleta seletiva, dos quais mais de 600 são específicos para a coleta de vidro.
Coleta Domiciliar Comum
Para que a coleta funcione de forma eficiente e sem gerar problemas de limpeza urbana, a Prefeitura orienta que a população coloque os sacos de lixo na calçada o mais próximo possível do horário de passagem do caminhão, evitando que os mesmos fiquem expostos por muito tempo nas ruas, o que aumenta o risco de serem rasgados por animais ou catadores informais; as regras variam de acordo com o turno da coleta.
Para coletas diurnas, os resíduos devem ser colocados na rua em até duas horas antes do horário previsto de passagem do caminhão. Durante as coletas noturnas, os sacos só podem ser colocados na rua a partir das 18h.
Quem descumpre esses horários e deixa sacos de lixo expostos fora do período estabelecido está sujeito a multa no valor de R$ 85,51, conforme prevê a Lei de Limpeza Urbana nº 13.478/02, em seu artigo 151.
Depois de recolhidos, os resíduos da coleta comum seguem para aterros sanitários; entre eles, estão dois destinos principais: a Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL), aterro de gestão municipal localizado no município de Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo, e o aterro privado CTR de Caieiras, localizado no município que leva o mesmo nome, também na RMSP.
Nesses aterros sanitários, cada camada de resíduo depositada é coberta por solo, o que evita a exposição a céu aberto e reduz o risco de contaminação do lençol freático, do solo e dos rios da região. Depois que um aterro se esgota, a área é totalmente coberta e, quando o nível de contaminação se aproxima de zero, o espaço pode, inclusive, ser reaproveitado como área de lazer para a população. A capital paulista não utiliza a estrutura de “lixões”.
O aterro CTR Caieiras, administrado pela empresa Essencis, abriga a usina termelétrica Termoverde Caieiras, que é considerada como a maior termelétrica do Brasil movida a biogás de aterro sanitário e uma das maiores do mundo nessa categoria. No espaço, o gás metano gerado pela decomposição dos resíduos orgânicos é aproveitado como combustível para a geração de energia elétrica, por meio de motogeradores movidos a biogás.
Já na Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL), parte do biogás gerado é direcionada a uma Estação de Queima, onde passa por combustão em “flares enclausurados”, processo que impede a liberação de metano diretamente na atmosfera. Outra parte do biogás produzido na CTL é redirecionada à Usina Termelétrica (UTE) da empresa São João Energia Ambiental S/A, também para geração de energia elétrica.
Coleta Domiciliar Seletiva
Assim como a coleta comum, o serviço de coleta seletiva está presente em 100% das vias dos 96 distritos do município, utilizando a mesma estrutura de 6 mil funcionários e 842 veículos, dividida entre Loga e Ecourbis nas mesmas regiões de atuação.
A diferença está no destino do material recolhido, com os resíduos recicláveis coletados nas residências sendo encaminhados, prioritariamente, para uma rede de 29 cooperativas de reciclagem, todas habilitadas no Programa Socioambiental de Coleta Seletiva da Prefeitura. Essas cooperativas ficam com 100% do lucro obtido através da venda dos materiais recicláveis, gerando renda para aproximadamente 940 famílias.
Diariamente, são coletadas cerca de 280 toneladas de recicláveis na cidade, o que representa uma média de 7 mil toneladas por mês.
Além da coleta porta a porta, os moradores também podem descartar recicláveis diretamente nos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) espalhados pela cidade. Atualmente, somente no agrupamento Noroeste, área atendida pela Loga, estão disponíveis 3.165 equipamentos desse tipo; já no agrupamento Sudeste, os equipamentos instalados chegam a mais de 7.860.
Centrais Mecanizadas de Triagem
O material reciclável que não segue diretamente para as cooperativas é encaminhado às duas Centrais Mecanizadas de Triagem da capital: a Carolina Maria de Jesus e a Ponte Pequena, ambas operadas pela Cooperativa Coopercaps, que é habilitada no programa Socioambiental da Prefeitura. Nessas unidades, os materiais passam por um processo completo de triagem, prensagem e pesagem antes de serem comercializados pela cooperativa por meio de leilão eletrônico.
O dinheiro arrecadado com a venda dos recicláveis é destinado ao Fundo das Centrais de Triagem Mecanizadas. Desse total, 50% do lucro retorna obrigatoriamente às cooperativas habilitadas, custeando despesas com manutenção, operação de triagem, equipamentos, espaço físico e veículos. O restante do fundo é direcionado a investimentos em capacitação profissional e auxílio aos cooperadores.
São Paulo é a única cidade da América do Sul que conta com um sistema de triagem mecanizada para separação de resíduos recicláveis. As duas centrais possuem maquinário europeu de última geração, que pode fracionar até 500 toneladas de material processado por dia, cerca de 250 toneladas em cada unidade, com capacidade de tratamento anual estimada em 80 mil toneladas. Somente entre agosto de 2018 e setembro de 2020, as duas centrais juntas já haviam reciclado cerca de 55,5 mil toneladas de materiais.

Central Mecanizada de Triagem Ponte Pequena, em São Paulo
A Central Mecanizada de Triagem Ponte Pequena foi inaugurada em junho de 2014 e foi a primeira do tipo na cidade e em toda a América Latina. Ela funciona integrada à Estação de Transbordo Ponte Pequena, formando um complexo de 19 mil metros quadrados totalmente dedicado à gestão de resíduos. A unidade é gerenciada pela concessionária Loga e tem capacidade para processar 250 toneladas por dia, o equivalente a 15 toneladas por hora.
Já a Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus foi inaugurada em 16 de julho de 2014, em homenagem à renomada escritora mineira. Administrada pela Ecourbis Ambiental, também tem capacidade para processar 250 toneladas de materiais por dia.