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Relatório parcial aponta frota desgastada, multas e dívidas

Fonte: diariodigital.com.br | Data: 26/09/2026 08:05:59

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Documento relata ainda que serviços tecnológicos trabalhavam irregularmente, trazendo riscos de segurança

Trabalho de análise realizado pela prefeitura busca restabelecer a confiança da população no transporte público. (Foto: Roberto Ajala/PMCG)

Frota desgastada, dívidas, multas, seguro vencido. Estes são alguns dos apontamentos mais graves do Relatório Preliminar da Comissão Interventora do Consórcio Guaicurus, que atua no transporte público de Campo Grande (MS). O documento foi entregue à Câmara Municipal de Campo Grande na semana passada.

O documento apresentado conta com 177 páginas aponta várias irregularidades no serviço prestado. Alguns dos problemas encontrados já eram apontados  pelos cidadãos de Campo Grande que utilizam a frota de ônibus, como envelhecimento e precariedade na manutenção dos veículos.

Além disso, o relatório pontuou que determinados cargos, principalmente os de liderança, atuavam com sobrecarga de trabalho, podendo causar riscos de colapsar. A figura de coordenador operacional, por exemplo, organizava compras, estoques, manutenções e controlava as frota.

Uma das preocupações citadas no documento, foi a pouca utilização, variando de 5% a 40%, do sistema ERP Globus, desenvolvimento especificamente para empresas de transporte de passageiros. A infraestrutura de tecnologia foi criticada, visto que determinadas informações eram armazenadas em nuvens, enquanto outras dependiam de servidores, gerando riscos de segurança, como perda de dados e paralisia operacional.

Outra questão pontuada pela Prefeitura foi a estrutura de controle do Consórcio Guaicurus. Segundo o documento, domínio estava unificado em uma mesma coordenação, comprometendo a confiabilidade das informações passadas e a independência da empresa, motivo pelo qual também dificultava a fiscalização por parte dos órgãos reguladores.

Vereador Dr Lívio, presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Municipal,  recebeu o relatório e está analisando (Foto: Divulgação)

Situações contratuais – As inúmeras reclamações públicas, como a do desgaste dos veículos, confirmada pelo relatório – frota de idade média superior ao dobro do padrão – gerou inúmeras multas. Somente por danos morais coletivos, a empresa é condenada a pagar R$30 milhões, fator que indica a deterioração da qualidade do serviço.

Em processos públicos, como  processos trabalhistas e ações cíveis, estima-se que o prejuízo financeiro para o Consórcio é de aproximadamente  R$22,5 milhões. O relatório também aponta ausência de uma revisão contratual efetiva desde 2019.

Outro ponto foi o elevado endividamento do consórcio e o comprometimento de mais de 95% das linhas de crédito. Segundo o interventor, as dívidas estão sendo renegociadas, enquanto a prioridade tem sido garantir o pagamento dos funcionários, o 13º dos motoristas e cobradores e os insumos necessários para manter o serviço, como diesel e manutenção.

Recomendações futuras – Diante de todas as observações feitas no relatório, é recomendado que seja investido em qualificação da governança, fortalecimento dos controles internos, renovação da frota e melhorias na gestão de recursos humanos e tecnologia, com foco na sustentabilidade do sistema.

A Prefeitura de Campo Grande deve permanecer operando o Consórcio Guaicurus até que os 180 dias previstos inicialmente acabem. O relatório afirma que algumas medidas já estão sendo adotadas, como – centralização de compras, reforço na governança local, fortalecimento dos controles patrimoniais, padronização de processos operacionais e tecnológicos, além de planos de modernização da infraestrutura de TI e uso pleno do ERP Globus após a intervenção.

Todas as atividades realizadas até o momento visam favorecer o usuário de transporte público, para que a sua confiança nas frotas seja reestruturada e o transporte público da Capital volte operar corretamente.