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De carro e sem sair de MS, turistas encontram natureza para todos os roteiros

Fonte: oestadoonline.com.br | Data: 27/09/2026 19:12:16

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Bonito e Bodoquena lideram procura, enquanto acesso por estrada, custo e variedade de passeios pesam na escolha de quem transforma feriado e fim de semana em viagem

Para conhecer lugares diferentes, nem sempre é preciso cruzar a fronteira de Mato Grosso do Sul. Em um Estado que concentra rios de águas cristalinas, cachoeiras, grutas, balneários, áreas de Pantanal e parques, parte das viagens começa na própria estrada e termina a poucos quilômetros de casa.

Quando o preço da passagem aérea sobe e o calendário se aproxima dos feriados e da alta temporada, destinos dentro do Estado entram na conta de quem procura descanso sem transformar a viagem em uma operação de vários dias.

Na experiência de quem vende viagens, essa procura tem dois nomes recorrentes: Bonito e Bodoquena. Proprietária da agência Vai Voando – Vai de Avião, Arlene Fortes Rodigheri afirma que os dois destinos estão entre os mais procurados pelos clientes. “Bonito e Bodoquena são os mais procurados, pela proximidade com a nossa Capital”, afirma.

A facilidade de chegar de carro pesa também na escolha de outros roteiros. Arlene cita os parques aquáticos localizados na divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo como alternativa para famílias que procuram lazer e descanso sem necessariamente depender de avião. Segundo ela, a possibilidade de usar carro próprio ou alugado ajuda a tornar a viagem mais acessível.

O comportamento aparece nos dados do Observatório do Turismo de Mato Grosso do Sul. No levantamento mais recente de perfil do turista, o carro foi o principal meio de transporte, utilizado por 47,1% dos entrevistados. Outros 18,66% chegaram de avião até Campo Grande e seguiram de carro, enquanto 13,3% utilizaram avião até Bonito.

Não é apenas a maneira de chegar que aparece na pesquisa. Na hora de escolher o destino, o turista olha primeiro para aquilo que encontrará quando chegar. O ambiente natural foi apontado por 34,6% dos entrevistados como fator de escolha. A diversidade de atividades veio logo depois, com 33,02%. Qualidade dos espaços e dos serviços apareceu em 10,49%.

A combinação ajuda a explicar a força dos destinos de natureza no Estado. Entre as cidades visitadas pelos entrevistados, Bonito concentra 58%, seguido por Bodoquena, com 10%. Jardim aparece com 7%; Campo Grande e Miranda, com 6% cada; Aquidauana, com 4%; e Dourados e Corumbá, com 3% cada.

Uma viagem pode ter vários destinos

A força de Bonito não está concentrada em um único tipo de passeio. No painel de visitações de Bonito e da Serra da Bodoquena, os balneários somam 1,88 milhão de visitas no período analisado. As atividades de flutuação chegam a 1,26 milhão, enquanto aventura registra 890 mil. Cachoeiras somam 764 mil visitas e grutas, 693 mil.

Os números ajudam a mostrar por que a região consegue atender públicos diferentes. Quem procura água pode escolher entre balneários e flutuações; quem prefere trilhas e paisagens encontra cachoeiras e grutas; e há ainda opções de aventura, contemplação e observação de aves.

É uma característica que interfere na decisão de viagem. O turista não precisa escolher apenas um atrativo para justificar o deslocamento. A mesma região oferece diferentes atividades, o que permite montar roteiros para casal, família ou grupos de amigos.

A pesquisa do Observatório confirma o peso desse tipo de experiência: 91,78% das atividades informadas pelos entrevistados estão relacionadas ao ecoturismo e ao turismo de natureza. Turismo cultural e gastronômico representa 5,08%, seguido pelo turismo rural, com 1,11%.

O feriado vira oportunidade

O calendário também ajuda a definir o tamanho da viagem. Os feriados prolongados aparecem como o principal período escolhido pelos entrevistados, com 27,5%. Férias de dois anos representam 18,56%, férias em outros períodos, 17,5%, e finais de semana, 8,06%.

É nesse intervalo menor que a distância passa a ter um peso ainda maior. Para quem dispõe de apenas dois ou três dias, gastar parte do tempo em aeroporto ou em longos deslocamentos pode reduzir o período efetivamente aproveitado no destino. Uma viagem de carro permite transformar o próprio caminho em parte menor da conta e concentrar o tempo no passeio.

Para Arlene, esse é um dos motivos que tornam os destinos regionais uma alternativa especialmente interessante na alta temporada, quando fatores externos podem elevar o preço das passagens aéreas.
“Com a proximidade do final do ano e o início de altíssima temporada, além do aumento das passagens aéreas por fatores externos, os destinos aqui no Mato Grosso do Sul são uma ótima opção para dias de descanso”, afirma.

A procura pelo turismo regional também aparece na origem dos visitantes pesquisados. Mato Grosso do Sul representa 30,07% da procedência no levantamento atual, à frente de São Paulo, com 21,36%, e Paraná, com 9,73%. O dado representa a participação dos moradores do Estado entre os entrevistados e não significa, isoladamente, que 30% dos sul-mato-grossenses viajam dentro de MS.

Ainda assim, mostra que o mercado turístico estadual também recebe uma parcela expressiva de quem já vive aqui. Para esse público, a escolha pode partir de uma lógica diferente daquela do visitante que atravessa Estados ou países para conhecer o destino: distância, combustível, hospedagem e quantidade de atividades entram juntos na conta.

Natureza que cabe no roteiro

A diversidade de atrativos também aparece fora do eixo Bonito-Bodoquena. O painel de visitação registra 1,2 milhão de visitantes no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, e 310 mil no Parque Municipal Salto do Sucuriú, em Costa Rica. O Monumento Natural da Gruta do Lago Azul, em Bonito, registra 436,7 mil visitas, enquanto o Monumento Natural Rio Formoso soma 150,5 mil.Em diferentes regiões, a oferta muda, mas a natureza permanece como um dos principais elementos do produto turístico sul-mato-grossense. Para quem mora no Estado, isso significa que uma viagem curta pode ter características muito diferentes sem exigir uma longa distância.

A escolha, portanto, não passa apenas por “para onde ir”. Envolve também quanto tempo há disponível, quanto custa chegar, o que existe para fazer e quantas pessoas dividirão a viagem. Em um cenário de alta temporada, esses cálculos ganham ainda mais peso.

Na agência, Arlene percebe esse movimento principalmente quando o cliente procura uma alternativa para os dias de folga. Bonito e Bodoquena aparecem entre as opções, mas os parques aquáticos na divisa com São Paulo também entram no roteiro por uma razão simples: podem ser alcançados de carro e oferecem estrutura para passar alguns dias com a família.

“Nestes locais temos opções de lazer, descanso e hospedagens incríveis que vão proporcionar uma experiência excelente para toda a família”,conclui.

Djeneffer Cordoba