Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Adoção responsável: o amor é enorme, mas o compromisso também

Fonte: blog.fernandozamboni.com | Data: 28/09/2026 03:53:55

🔗 Ler matéria original

Tempo de leitura: 14 minutos

Visualizações: 5

Ooi turma, leitores dessa coisa aqui!!!

Hoje o assunto veio por sugestão da minha mãe, a Alice: adoção responsável de animais de estimação. Ela me deu a ideia e eu fiquei pensando em como a conversa costuma começar pelo lado mais fácil. A gente vê uma foto, conhece um cachorro abanando o rabo ou um gato que resolve escolher nosso colo e pensa: “Pronto, é esse!”. Aí o bichinho chega em casa, e junto com ele vêm os potes, o pelo, as despesas, os horários e uma criatura que depende da gente de verdade.

Antes que alguém entenda errado: eu adoro a ideia de dar um lar a um animal. Justamente por gostar deles, acho que a pergunta mais importante não é “que fofinho, posso levar?”, mas “consigo cuidar dele também quando não estiver tudo fofinho?”. Vamos conversar principalmente sobre cães e gatos, mas também dar uma espiada nos peixes, coelhos, hamsters e aves. Porque tamanho pequeno, silêncio ou capacidade de xingar em italiano ou espanhol não dispensam ninguém de responsabilidade, aaa.

Índice

O compromisso dura muitos anos

Adotar um cachorro ou um gato é assumir uma responsabilidade que pode atravessar uma boa parte da nossa vida. Muitos vivem mais de 15 anos. Isso varia conforme a espécie, o porte, a saúde e os cuidados, claro, mas pense no tamanho desse período: o filhote que chega hoje pode estar ao seu lado depois de mudanças de emprego, de casa, de cidade, de rotina e de composição da família.

Eu comparo, no tamanho do compromisso, a ter uma criança pequena ou até um bebê durante muito tempo. Não porque cão e gato sejam crianças humanas: cada espécie tem suas necessidades. A comparação serve para lembrar que eles não vão abrir o aplicativo do banco, marcar a própria consulta e comprar ração quando acabar. Até velhinhos, continuam dependendo de alguém. E, na velhice, podem precisar ainda mais de ajuda.

Também não dá para adotar pensando só na fase de filhote. Filhotes aprendem, fazem bagunça, mordem o que não devem e exigem paciência. Adultos têm personalidade, rotina e talvez alguma história difícil. Idosos podem precisar de remédios, adaptações e consultas mais frequentes. O compromisso é com o animal inteiro, em todas as fases, inclusive nas menos fotogênicas, digamos assim…

Voltar ao índice

A Ayla, a Pitoka e o Fofão

Se eu insisto tanto na parte dos muitos anos, é porque vivi isso de perto. A Ayla viveu 17 anos e 4 dias; a Pitoka, 17 anos e 7 meses. As duas eram completamente diferentes. A Ayla, por ser poodle, às vezes parecia um bichinho de pelúcia. Só que o bichinho de pelúcia tinha uma brabeza que vou te contar, aaa! Uma vez eu e a mãe estávamos provocando ela de brincadeira e, sei lá por quê, ela escolheu morder o meu queixo. Tenho a marca até hoje. E tem o Fofão, que agora está velhinho. Eu digo que foi ele que me comprou, e não eu que comprei ele: apareceu naquela gaiolinha com aquele monte de pelo, dois orelhões, um rabão e ainda me deu uma mordida. Pronto, estava comprado, aaa. Cada um com seu jeito, suas histórias e muitos anos de vida compartilhada.

E, em matéria de cachorro, sou cachorreiro de carteirinha! Junto com a Ayla e a Pitoka, tínhamos a Fofa, que “herdamos” da minha avó e era um grude com a Aninha. Até 2025, também tínhamos uma gatinha que viveu 15 anos. Eu a chamava de “Almofada” porque, além de gordona, era peludona… aaa!

Durante a infância, também tive outros “bebês peludos”: a Tuti, a Sasha, que era filha da Tuti, e, antes delas, a Shana. Nós éramos crianças e, quando brincávamos de esconde-esconde, a Shana entrava na brincadeira pra valer. Ela sabia se esconder e também ser a “pegadora”: esperava todo mundo gritar “deu!” e saía procurando um por um, aaa…

Voltar ao índice

A “fábrica de pets”: minha opinião

Eu entendo que há gente que vive da criação de animais; o próprio Fofão entrou na minha vida por uma compra, como acabei de contar. Mas, quando penso na produção de filhotes como se fosse uma fábrica, fico desconfortável. Com tantos bichos sem dono, esperando alguém que cuide deles, é difícil para mim concordar com a ideia de produzir cada vez mais animais para vender. Essa é minha opinião pessoal, não um julgamento de quem já comprou um pet. Só acho justo que, antes de procurar um filhote à venda, a gente conheça os animais disponíveis para adoção e pense no que está acontecendo com os que ainda esperam um lar.

E pra facilitar essa procura, reuni alguns lugares onde dá para conhecer cães e gatos à espera de uma família. Comece pelos portais que permitem buscar por cidade; depois, se houver um projeto perto de você, vale conversar diretamente com ele. A disponibilidade dos animais e as regras de adoção mudam, então confira as informações com quem está cuidando do bichinho:

  • Adotar.com.br — anúncios de cães e gatos de várias cidades do Brasil, com busca por localização.
  • Adote Petz — reúne animais de ONGs e protetores parceiros em diferentes regiões do país.
  • Projeto Bicho de Rua — o site que eu lembrava; divulga animais para adoção no Rio Grande do Sul. O endereço atual é bichoderua.org.br.
  • Me Adota — plataforma da Prefeitura de Porto Alegre (RS) para cães e gatos acolhidos pelo município.
  • Gatos da Corte — adoção de gatos em Novo Hamburgo (RS).
  • Rede de Proteção Animal de Curitiba — cães e gatos do serviço municipal, de ONGs e de protetores da cidade (PR).
  • AdotaBH — animais anunciados pela Prefeitura, por organizações e por protetores em Belo Horizonte (MG).
  • Adoção de Animais do IVISA-Rio — orientações para adotar cães e gatos acolhidos pelo município do Rio de Janeiro (RJ).
  • Adota Pet Recife — perfis de cães e gatos disponíveis na plataforma da Prefeitura do Recife (PE).
  • Centro Municipal de Adoção de Cães e Gatos — informações da Prefeitura de São Paulo (SP).
  • Adote um Gatinho — gatos resgatados na Grande São Paulo (SP).
  • Instituto Ampara Animal — conheça os cães e gatos divulgados pela instituição e suas orientações para adoção.

Voltar ao índice

Antes de levar o bichinho para casa

A primeira conversa precisa acontecer com quem mora com você. Todo mundo aceita conviver com o animal? Há alergias, restrições do imóvel, outros bichos ou crianças pequenas? Quem vai alimentar, limpar, passear, levar ao veterinário e cuidar quando você não puder? A promessa “a criança vai fazer tudo” costuma durar menos que o pacote de ração. Criança pode ajudar e aprender; a responsabilidade final é dos adultos.

Depois vem a pergunta sobre o espaço. Um cão grande e ativo pode precisar de uma rotina bem diferente da de um cão mais tranquilo. Gato não é objeto de decoração para ficar largado num canto: precisa de ambiente seguro, lugares para explorar, brincar, descansar e se esconder. Para cães e gatos, portões, janelas e sacadas também merecem atenção. No caso dos gatos, telas e barreiras que impeçam fugas e quedas são especialmente importantes. Aquele “ele só vai dar uma voltinha” pode acabar em briga, atropelamento ou desaparecimento.

Converse com o abrigo, protetor ou responsável pela adoção sobre idade, porte provável, temperamento, histórico de saúde, vacinas, castração e adaptação. Não existe garantia de que o animal será exatamente como imaginamos depois de se acomodar na casa nova. Ele também está conhecendo gente, cheiros, barulhos e regras. Tempo e paciência entram no pacote.

E presente surpresa? Melhor não. Um bicho não é um embrulho para entregar a alguém que não participou da decisão. Uma adoção feliz começa com a concordância de quem vai cuidar dele.

Voltar ao índice

A conta não termina na primeira sacola de ração

Adoção pode não ter preço de compra, mas manutenção tem custo. Todo mês aparecem ração adequada, areia sanitária no caso dos gatos, produtos de higiene e, às vezes, medicamentos de uso contínuo. Em outros momentos chegam vacinas, consulta, exames, prevenção de parasitas, castração quando indicada, banho ou tosa quando necessários, brinquedos, coleira, caixa de transporte e consertos daquela coisa que o filhote resolveu transformar em arte moderna.

O tamanho do cachorro muda a quantidade de comida; necessidades de saúde mudam os gastos; a idade também. E emergência veterinária não costuma esperar o orçamento melhorar. Não vou inventar um valor mensal universal porque ele seria enganoso: preços variam conforme a cidade, o animal, o alimento e os serviços disponíveis. O jeito mais honesto é pesquisar os custos na sua região antes de adotar e tentar manter uma reserva para imprevistos.

Isso não quer dizer que só gente rica possa amar animais. Quer dizer que amor precisa vir acompanhado de planejamento. Em algumas cidades há campanhas públicas de vacinação e castração e serviços a preços sociais; vale pesquisar o que existe onde você mora. Mesmo assim, alguém precisa organizar o transporte, os horários e o acompanhamento. A ração não aparece sozinha no pote por força do pensamento, infelizmente.

Voltar ao índice

Comida de gente não é cardápio de pet

“Mas ele me olhou com aquela cara enquanto eu comia!” Eu sei. Eles fazem um curso avançado de expressão pidona. Só que nem tudo que está no nosso prato é seguro para cães e gatos. Chocolate, cebola, alho e álcool podem trazer problemas graves. Para os cães, uvas, passas e xilitol também são perigosos. Xilitol é um adoçante que pode estar em alguns chicletes, balas e outros produtos “sem açúcar”. Ossos e restos temperados também oferecem riscos. E dar sempre “só um pedacinho” muda a dieta, pode provocar mal-estar e ainda ensina o pet a fiscalizar cada refeição da casa, aaaa…

O alimento precisa ser adequado à espécie, à idade e às condições de saúde do animal. Cão não é gato, filhote não é idoso, e uma dieta para um bicho com doença renal ou outra condição exige orientação própria. Se você quiser oferecer alimentação caseira como dieta principal, monte o plano com um médico-veterinário capacitado em nutrição: improvisar a partir do que sobrou da janta não equivale a uma alimentação equilibrada.

Água limpa e disponível também faz parte do básico. Se o pet ingerir algo suspeito, procure orientação veterinária logo e informe o que ele comeu e, se souber, a quantidade. Nada de esperar a internet decidir se “foi só um pouquinho”.

Voltar ao índice

Vacinas, doenças e veterinário

O veterinário não deve entrar na história apenas quando o animal já está mal. Uma avaliação logo após a adoção ajuda a conhecer a saúde dele e a planejar vacinação, controle de vermes, pulgas e carrapatos, cuidados dentários e, quando couber, a castração. O calendário não é um papel igual para todos: idade, histórico, ambiente e estado de saúde influenciam as recomendações. Guarde a carteirinha e siga o esquema orientado pelo profissional, incluindo a proteção contra a raiva conforme a orientação local.

Existem doenças infecciosas que podem ser muito sérias, além de problemas de pele, ouvido, dentes, intestino e vias urinárias. Mais tarde podem aparecer artrite, doença renal, diabetes, tumores e outras condições que pedem exames e tratamento. Alguns animais passarão a vida com poucos sustos; outros precisarão de acompanhamento frequente. Adoção responsável é estar presente nos dois cenários.

Repare em mudanças de apetite, sede, comportamento, respiração, urina, fezes ou disposição. Animal que se esconde, para de comer ou parece sentir dor merece atenção. E remédio de gente, mesmo aquele que você tem em casa e usa sem problema, não é receita para cachorro ou gato. A dose e a segurança são outras: tratamento é assunto de veterinário.

Vale conversar também sobre castração e prevenção de ninhadas indesejadas. A decisão sobre momento e procedimento é individual, feita com orientação profissional. O importante é não descobrir, no susto, que agora você é responsável por uma família inteira de filhotes.

Voltar ao índice

Banho, tosa, higiene e o trabalho de todo dia

Tem a parte que não fica tão bonita na foto: lavar potes, trocar água, recolher cocô, limpar xixi, higienizar a caixa de areia, cuidar da cama, escovar pelos quando necessário e observar pele, unhas, orelhas e dentes. Dependendo do tipo de pelagem, um cão pode precisar de escovação frequente, banho e tosa com regularidade. A frequência de banhos e a necessidade de tosa variam; banho demais ou corte inadequado também podem fazer mal. Pergunte ao veterinário e a um profissional de banho e tosa de confiança o que faz sentido para aquele animal.

Gatos saudáveis geralmente cuidam bem da própria limpeza e não precisam de banho rotineiro. Isso não dispensa escovação, caixa de areia limpa e atenção a alguma dificuldade para se limpar, especialmente na velhice ou em caso de doença. Tentar dar banho em gato por esporte pode render uma história interessante, mas provavelmente não a história que você gostaria de viver, aaa.

E há uma diferença entre ter a casa arrumada e fingir que um ser vivo não deixa vestígios. Pelo aparece, areia se espalha, brinquedo surge debaixo do pé. Dá para organizar a rotina e reduzir a bagunça; não dá para exigir que o pet funcione como um bichinho de pelúcia com botão de desligar.

Voltar ao índice

Cachorros: passeio não é só a voltinha do xixi

Para muitos cães, passear é exercício, oportunidade de farejar, conhecer o ambiente e gastar energia. Aquela descida de dois minutos para fazer as necessidades resolve uma necessidade, mas não substitui uma rotina adequada de atividade e interação. Quanto e como passear depende da idade, do porte, da saúde e do temperamento. Um filhote em fase de vacinação, um cão idoso e um atleta de quatro patas não devem receber a mesma programação.

E cachorro também tem seus talentos domésticos, aaa. Tem o que “lê” as cartas e “paga” as contas antes de você: a correspondência entra por baixo da porta e sai em confete. A Ayla, quando chegava alguma coisa pelo vão da porta, preferia “devolver com as patinhas”; o Toquinho já escolhe o método da trituradora, aaa. Há ainda aquela mijada no sofá que a gente só descobre quando senta e a segunda campainha da casa: a Ayla também cumpria esse papel, e o Toquinho segue a tradição, latindo tão alto quando alguém chama que mal dá para ouvir o interfone. A gente ri contando depois, mas na hora tem limpeza, susto e o trabalho de ensinar outro jeito.

Educação também dá trabalho. Ensinar com paciência onde fazer as necessidades, como ficar sozinho, como se comportar perto de pessoas e de outros animais leva tempo. Se houver medo intenso, agressividade ou sofrimento quando a família sai, procure orientação qualificada. Gritar ou abandonar o cão porque ele não nasceu sabendo as regras da casa não resolve.

Na rua, use guia e equipamento adequado e recolha as fezes. Em casa, garanta segurança, água, abrigo e contato com a família. Cachorro que vive esquecido no pátio, sem passeio e sem interação, não recebeu uma vida boa só porque ganhou um endereço. Pior ainda é deixá-lo amarrado a uma cordinha de um metro, sem espaço para explorar ou brincar. Se não há como cuidar dele direito, é melhor procurar um novo lar responsável do que obrigá-lo a viver assim.

Voltar ao índice

Gatos: independentes, mas nem tanto

O gato pode passar parte do dia dormindo como se fosse proprietário do imóvel e nós, os inquilinos. Ainda assim, precisa de cuidado e companhia. Brinquedos, arranhadores, locais altos e esconderijos ajudam a deixar a casa interessante. O tempo de interação deve respeitar o jeito dele: há gatos de colo e gatos que preferem negociar o carinho em horário comercial.

Caixa de areia limpa é assunto sério. Uma recomendação prática do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) é ter uma caixa por gato e mais uma, em locais adequados. Também é importante manter água fresca, comida apropriada, ambiente protegido contra fugas e quedas e plantas tóxicas fora do alcance. O lírio, por exemplo, é perigoso para gatos. Se ele mudar de hábito e deixar de usar a caixa, não conclua automaticamente que é “pirraça”: pode haver estresse ou problema de saúde.

Quem pensa que gato dá menos trabalho só porque não precisa sair para passear pode ser surpreendido às três da manhã por uma maratona no corredor, um vaso no chão, um pedido urgente de atenção ou o barulho de alguma coisa despencando lá de cima. A minha “Almofada” aprontava dessas quando era novinha; depois de velha resolveu fazer jus ao apelido, aaa. É outro tipo de rotina, não ausência de rotina.

Voltar ao índice

Peixes, coelhos, hamsters e aves: pequenos ou discretos também dão trabalho

Peixes: o aquarião é lindo, mas dá um trabalhão

Um aquário bonito não nasce pronto no dia em que você compra os peixes. É preciso escolher espécies compatíveis, tamanho adequado, filtro, temperatura quando necessária e alimentação certa. Antes de receber os animais, o aquário precisa passar por um processo de estabilização biológica. Depois vêm os testes da água, as trocas parciais e a manutenção dos equipamentos. Água transparente não garante água segura. Um peixe não reclama em voz alta quando a qualidade da água piora; por isso cabe a nós observar e medir.

Também não adianta imaginar que um potinho pequeno é a versão econômica de um lar. Dependendo da espécie, ele pode ser inadequado para o espaço, a filtragem e a estabilidade da água. O aquarião é bonito, sim. E, se você cuidar direito, vai merecer até aplauso da plateia subaquática, aaa.

Coelhos: fofura, feno e fios em perigo

Coelho é fofo, mas precisa de espaço para correr, abrigo seguro, água, feno disponível, alimentação apropriada, limpeza e acompanhamento veterinário. Vive anos, pode precisar de companhia de outro coelho compatível e gosta de explorar, cavar e roer. Cabos, móveis e objetos ao alcance podem virar projeto de reforma não autorizado. Dá para preparar o ambiente e reduzir a bagunça; prendê-lo o tempo inteiro numa gaiola pequena não é solução.

Hamsters: a gaiolinha não faz o serviço sozinha

Esse pequeno especialista em escapar exige mais que uma gaiolinha qualquer. Precisa de recinto seguro e adequado à espécie, material para cavar, esconderijos, alimentação, água, limpeza e observação da saúde. Algumas espécies vivem melhor sozinhas; não dá para juntar dois por achar que ficarão “amiguinhos”. E, se um escapar, começa a operação de busca embaixo de móveis, atrás de caixas e, provavelmente, no único cantinho da casa que você não lembrava que existia.

Papagaios e outras aves: conversa longa, compromisso mais longo ainda

Uma ave pode ser divertida e inteligente. Imaginar um papagaio aprendendo a xingar em espanhol ou italiano rende piada, mas cuidar dele exige bem mais que ensinar palavras. Aves precisam de alimentação própria, espaço adequado, atividades, interação e atendimento de profissional que conheça a espécie. Algumas vivem muitas décadas; certos papagaios e araras podem chegar perto dos 70 anos. Nesse caso, vale pensar até em quem cuidará do animal se o tutor não puder mais fazê-lo.

Há também a questão da origem legal. Para uma ave silvestre brasileira, não é aceitável capturar um animal da natureza ou comprá-lo sem procedência. Verifique se a espécie pode ser mantida legalmente, se o criadouro ou vendedor é autorizado, quais documentos de origem e identificação acompanham a ave e quais regras ou autorizações se aplicam ao seu caso. O órgão ambiental do seu estado e o Ibama podem orientar sobre isso. “Depois eu vejo a licença” não é um bom plano para você nem para o bicho.

Voltar ao índice

E quando a vida complica?

Perda de emprego, doença, separação, mudança, viagem: ninguém tem como prever tudo. Por isso é bom pensar desde já em uma rede de apoio. Quem poderia cuidar do animal por alguns dias se você fosse internado? Existe alguém de confiança para ajudar numa viagem? O que faria se uma despesa veterinária surgisse de repente? Planejar essas situações não atrai azar; só evita que o pet seja o último a ser lembrado numa emergência.

Se um dia você realmente não puder continuar com ele, procure ajuda de pessoas próximas, protetores, abrigo ou rede responsável de adoção para encontrar um novo lar seguro. Não o deixe na rua, não o abandone numa caixa diante de uma clínica e não passe o problema adiante sem verificar quem vai recebê-lo. Abandono é cruel e pode configurar crime. O animal não entende boleto, mudança de endereço nem crise familiar; entende que dependia de você.

Voltar ao índice

Perguntas para fazer antes de adotar

  1. Consigo assumir esse animal por muitos anos, inclusive quando ele envelhecer?
  2. Tenho tempo diário para alimentar, limpar, brincar, passear quando for preciso e observar a saúde dele?
  3. Pesquisei o custo real da alimentação, dos cuidados de rotina e de uma emergência na minha cidade?
  4. Minha casa está segura e adequada para a espécie e para o porte do animal?
  5. As pessoas que moram comigo participaram da decisão?
  6. Se eu viajar, adoecer ou mudar minha rotina, quem poderá ajudar?
  7. Estou disposto a conhecer o animal que ele é, em vez de cobrar que corresponda à fantasia que fiz dele?

Se algumas respostas ainda forem “não sei”, tudo bem esperar, pesquisar e se preparar. Adiar uma adoção pode ser um gesto de cuidado. Você também pode ajudar animais e projetos de proteção de outras formas, sem prometer uma convivência para a qual ainda não tem condições.

Voltar ao índice

Conclusão: amor se demonstra na terça-feira comum

Adotar pode ser uma das decisões mais bonitas da vida. Um animal vira companhia, muda a rotina, faz graça, bagunça a casa e, sem pedir licença, ocupa um espaço enorme no coração. Mas a prova do compromisso não acontece só no dia da foto da adoção. Ela aparece numa terça-feira qualquer, quando a ração acabou, está chovendo, o cachorro precisa sair, o gato precisa de consulta e o aquário exige atenção.

Então, se você está pensando em adotar, torço para que dê certo. Escolha com calma, pergunte, prepare a casa e faça as contas. O bichinho não precisa de uma família perfeita; precisa de uma família que não desapareça quando a vida deixar de ser fácil.

Obrigado pela sugestão, mãe! E, pra vocês que chegaram até aqui, um abraço. Até a próxima nessa coisa aqui!!!

Fernando

Voltar ao índice

Fontes para saber mais

As orientações abaixo serviram de base para os cuidados gerais mencionados no texto. Vacinas, alimentação, higiene e tratamentos específicos devem ser definidos com um médico-veterinário que conheça o animal.

Voltar ao índice

Please follow and like us:

fb-share-icon


Tweet

Pin Share