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O que vale pouco no Brasil pode valer milhões na China: mercado de miúdos é aberto ao país

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 28/09/2026 06:37:27

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ABPA / Divulgação
Expectativa da ABPA é de que a novidade possa adicionar uma receita de US$ 100 milhões por ano para o Brasil.

A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.

Nem tudo que sai de um frigorífico tem o mesmo valor em todos os mercados. Na China, o hábito de aproveitar o suíno praticamente “do nariz ao rabo” faz com que partes que têm pouca procura ou menor remuneração no Brasil encontrem demanda e maior valor do outro lado do mundo. E é justamente esse mercado que o Brasil acaba de ampliar, com a assinatura do protocolo que autoriza a exportação de miúdos suínos brasileiros para a China.

A abertura era aguardada pelo menos há três anos pelo setor produtivo e pode adicionar uma receita de US$ 100 milhões por ano para o Brasil. Até então, Santa Catarina era o único Estado autorizado a enviar determinados miúdos externos à China, como pés, orelhas e rabos. Os miúdos internos, como fígado, coração e estômago, no entanto, ainda não tinham acesso ao mercado — e agora passam a ter.

— Era uma abertura muito esperada, há muito tempo — resume Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (Sips).

Secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cleber Soares reforçou:

— Os chineses pagam muito bem pelos miúdos, que para o nosso mercado não têm um preço tão competitivo e tão atrativo para os produtores, e, claro, para o frigorífico.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ter como destino o mercado chinês. Só do Rio Grande do Sul, o potencial é de que saiam mais de 40 mil toneladas anuais de miúdos suínos para o mercado chinês, além das oportunidades relacionadas à carne suína com osso. 

— Certamente o Paraná também será beneficiado, mas o Rio Grande do Sul é o Estado com o maior número de plantas habilitadas para esse mercado — acrescenta Kerber, do Sips.

O Estado já reúne oito plantas habilitadas para exportações à China.

A assinatura do protocolo, porém, não significa que todos os frigoríficos brasileiros que exportam carne suína já possam embarcar miúdos para a China. Agora começa o processo de habilitação das plantas — e que não tem prazo estabelecido.

Mas a movimentação já começou. Na última semana, uma missão técnica chinesa esteve no Rio Grande do Sul e visitou uma unidade da Alibem, em Santo Ângelo, com foco justamente na produção de miúdos.

A expectativa do Sips é de que o Ministério da Agricultura possa apresentar uma lista ao governo chinês com indicações de plantas para exportarem a matéria-prima. O chamado pré-listing.

Saiba mais

A abertura do mercado chinês para os miúdos brasileiros ocorre depois de um avanço sanitário importante. Em junho deste ano, a China reconheceu o Brasil como livre de febre aftosa, ampliando as possibilidades de comércio de produtos de origem animal.

Além disso, vale lembrar que o Brasil mantém uma relação consolidada com o mercado chinês de carne suína. Entre 2013 e 2024, o país exportou 2,7 milhões de toneladas do produto para a China, segundo a ABPA. É um dos principais destinos da proteína produzida em território nacional.

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