Acidente em ônibus de turismo mata três e deixa 44 feridos em Ibatiba (ES)
Fonte: diariodoestadogo.com.br | Data: 28/09/2026 08:06:22
Um acidente que chocou a região. Em Ibatiba (ES) — Um ônibus de turismo tombou na noite deste domingo (27) na BR-262, resultando na morte de três pessoas e deixando 44 feridos, segundo o Corpo de Bombeiros. A tragédia mobilizou equipes de resgate das cidades vizinhas e colocou em alerta autoridades do Espírito Santo e de Minas Gerais.
O veículo fazia o trajeto entre Contagem, em Minas Gerais, e Itaoca, distrito de Itapemirim, localizado no litoral Sul capixaba. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus tinha permissão para transportar até 47 passageiros e operava sob o regime de fretamento turístico. A viagem estava regularizada, com documentação emitida na sexta-feira (25), segundo informações oficiais obtidas nos sistemas da ANTT.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou que a ocorrência foi registrada por volta das 22h, em um trecho conhecido como Curva da Ferradura, local histórico de acidentes graves na BR-262. Dois passageiros morreram ainda no local, localizados fora do veículo, enquanto outra vítima faleceu durante o atendimento médico. Os feridos foram levados para hospitais em Ibatiba, Venda Nova do Imigrante e Cachoeiro de Itapemirim. A BR-262 foi parcialmente interditada até o início da manhã desta segunda-feira, provocando congestionamento e atrasos no trânsito regional.
Por que o trecho da BR-262 em Ibatiba é considerado perigoso?
Segundo frequentadores e moradores da região do Caparaó capixaba, a Curva da Ferradura, onde o acidente ocorreu, é um dos pontos de maior risco da estrada federal. Este trecho já foi palco de diversos acidentes, principalmente envolvendo veículos pesados e ônibus de turismo, devido à combinação de pista sinuosa, declive acentuado e ausência de áreas de escape. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o local registra um índice significativo de acidentes, sendo alvo frequente de operações de fiscalização.
Além disso, dados da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo apontam que, apenas em 2022, foram contabilizados 18 acidentes graves na mesma extensão da BR-262, muitos relacionados à imprudência, excesso de velocidade e falta de manutenção de veículos. Técnicos do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) reforçam que o histórico da rodovia exige atenção redobrada dos motoristas, principalmente à noite e sob chuva ou neblina, condições comuns na região serrana.
Familiares das vítimas relataram à equipe do Diário do Estado o desespero no momento do acidente e o cenário de pânico vivido por quem estava dentro do ônibus e por motoristas que passavam pelo local instantes depois. O acidente de Ibatiba reacende debates sobre políticas públicas para segurança viária e fiscalização em rotas turísticas do estado.
Como foi a dinâmica do acidente e qual a situação dos feridos em Ibatiba?
O ônibus, de acordo com o relatório da PRF, seguia viagem rumo a Minas Gerais após uma excursão no litoral Sul do Espírito Santo. Por razões ainda sob investigação, o veículo teria perdido o controle em uma curva fechada e tombou na pista. Testemunhas que residem na região ou estavam em automóveis próximos relataram que o ônibus realizou movimentos bruscos antes do tombamento, indicando possível tentativa do motorista em evitar uma saída de pista ou colisão com outro veículo. O laudo pericial inicial descarta a presença de óleo na pista ou chuva intensa naquele horário.
Segundo o Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, 45 pessoas ficaram feridas, incluindo crianças, adolescentes e idosos, todos membros do grupo turístico oriundo de Contagem (MG). As vítimas foram socorridas em ambulâncias do SAMU, com apoio de equipes dos Bombeiros e voluntários da própria região. Boa parte dos feridos permanece internada em estado grave e os hospitais de Ibatiba e Venda Nova do Imigrante estabeleceram plantões de emergência para lidar com a demanda excepcional. O governo estadual decretou apoio logístico e psicológico para parentes, e equipes de assistência social foram enviadas aos hospitais de referência.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a carência de políticas de prevenção real de acidentes em rodovias federais cortando o Espírito Santo, especialmente onde o trânsito turístico é intenso. Conforme dados do Ministério da Justiça, o trecho da BR-262 liderou índices de acidentes fatais nos últimos cinco anos no estado, e episódios similares marcaram a história rodoviária capixaba nesse período. O Ministério reforça a necessidade de reforço no patrulhamento e implantação de dispositivos de segurança adicionais.
O que diz a empresa responsável e quais as linhas de investigação no Espírito Santo?
A Cooperativa de Transporte de Passageiros e Cargas, Turismo e Escolar de Minas Gerais Ltda., responsável pelo veículo acidentado, foi acionada pelas autoridades e pelo Diário do Estado, mas até o momento da publicação não emitiu posicionamento oficial. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) confirmou que a viagem estava regularizada, com cadastro de autorização cumprindo todos os procedimentos, incluindo seguro obrigatório de passageiros. Investigadores aguardam documentos internos da cooperativa para avaliar o histórico de manutenção do ônibus e a jornada do motorista. As perícias técnicas vão apontar se houve falha humana, mecânica ou fatores externos que possam ter contribuído — não está descartada a hipótese de cansaço ou excesso de jornada por parte do condutor, problema recorrente em fretamentos longos.
A Polícia Rodoviária Federal abriu procedimento investigativo para averiguar se todos os passageiros estavam devidamente listados e assegurados na documentação. Peritos criminais do ES, em conjunto com engenheiros do DNIT, fazem a reconstrução do acidente para identificar responsabilidades. Familiares das vítimas e sobreviventes já foram ouvidos para reunir relatos sobre as condições da viagem, eventuais paradas e problemas relatados durante o trajeto. O caso ganha repercussão não só pelas mortes, mas pelo volume de feridos e pela reincidência de tragédias semelhantes em feriados e férias escolares na região sudeste do país.
A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que essa é a quarta ocorrência grave envolvendo ônibus de turismo registrada na extensão capixaba da BR-262 desde o início do ano, reforçando o alerta para o crescente número de viagens turísticas e feiras religiosas que atraem grupos da Grande Belo Horizonte para o litoral do Espírito Santo. Em todas as situações, as investigações abordaram má conservação das estradas, excesso de passageiros e falhas na fiscalização, traçando um panorama de vulnerabilidade evidente para usuários.
Qual a reação das autoridades e como está a cidade de Ibatiba após a tragédia?
O prefeito de Ibatiba, Lindomar Junior, declarou luto oficial por três dias na cidade e liberou apoio da assistência social para atendimento às famílias atingidas. O governador do Espírito Santo afirmou que medidas emergenciais serão adotadas para reforço da fiscalização e atuação das equipes de resgate na BR-262, sobretudo em períodos de alto fluxo turístico. O diretor estadual do SAMU elogiou a rapidez dos atendimentos, destacando que ao menos cinco vítimas foram estabilizadas no local antes do transporte hospitalar, o que foi fundamental para salvar vidas.
Moradores manifestaram indignação com a falta de investimentos em melhorias estruturais na rodovia, enfatizando que curvas perigosas e ausência de áreas de escape são reclamações antigas. Comerciantes e lideranças locais organizaram uma vigília em homenagem às vítimas e cobram respostas das autoridades. O acidente impactou diretamente comunidades de Ibatiba, Itapemirim e da Região Metropolitana de Belo Horizonte, ressaltando a interdependência entre cidades mineiras e capixabas para o turismo regional.
A população está sensibilizada, pois muitos viajantes utilizam o mesmo roteiro entre MG e ES, principalmente para excursões de verão, festas religiosas e encontros familiares. A frequência de tragédias no trecho levou grupos civis a organizarem protestos pedindo reforma urgente na rodovia. O acidente reacendeu debates sobre a responsabilidade do Estado na garantia de segurança viária e no fortalecimento da fiscalização sobre empresas de transporte intermunicipal de passageiros.
O Diário do Estado esteve em Ibatiba após o acidente, conversou com sobreviventes e familiares das vítimas que narraram momentos de tensão e desespero na pista. Nossa equipe mantém contato permanente com hospitais da região e aguardará quaisquer atualizações da polícia e das autoridades sobre o avanço das investigações e o estado de saúde dos feridos.