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BOLETIM VOZ TRABALHADORA – Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Fonte: voztrabalhadora.substack.com | Data: 29/09/2026 16:41:26

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Informação para compreender o mundo e força para transformá-lo

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📌 139 dias sem explicação: as relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro continuam sem resposta suficiente.

🔴 Multidão em Fortaleza: Lula chama mulheres, idosos e trabalhadores para decidir a eleição.

⌚ Presentes, despesas e lobby: ex-sócio apresenta mensagens e documentos sobre o círculo de Flávio.

🏦 Master e poder: conversas de Hugo Motta com Vorcaro mencionam “sociedade”, empréstimo e projeto de lei.

👷 Emprego: desemprego permanece em 5,3%, com 103,5 milhões de pessoas ocupadas.

🎰 Bets: custos sociais chegam a quase quatro vezes o valor arrecadado pelo Estado.

✊ Assédio eleitoral: Ministério Público do Trabalho já recebeu 583 denúncias.

🌍 Internacional: negociações sobre Ormuz, novos ataques em Gaza e cooperação entre China e Cuba.

🏹 Povos indígenas: 191 candidaturas disputam espaço nas eleições de 2026.

⚽ Esporte é direito: futebol feminino torna-se prioridade permanente da política esportiva.

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São 139 dias desde que vieram a público as relações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sem que o candidato da extrema direita tenha oferecido uma explicação completa ao país.

Flávio negociou com o então controlador do Banco Master um aporte de US$ 24 milhões para Dark Horse, projeto cinematográfico destinado a transformar Jair Bolsonaro em personagem heroico. Depois, surgiram informações sobre imóveis utilizados pelo senador, encontros, viagens, articulações empresariais e integrantes de seu círculo político conectados ao banqueiro.

Nesta terça-feira, o quadro ganhou novos elementos. Um ex-sócio de Flávio entregou mensagens, fotografias e documentos sobre presentes de luxo, despesas pessoais pagas por pessoas próximas e um alegado pedido de lobby junto ao ministro Kassio Nunes Marques. Em outra frente, conversas extraídas do celular de Vorcaro mostraram a proximidade do banqueiro com o presidente da Câmara, Hugo Motta.

Os novos fatos não podem ser transformados em condenação antecipada. Alegações precisam ser investigadas, documentos precisam ser periciados e todas as pessoas citadas têm direito de responder. Mas esse cuidado elementar não autoriza o silêncio.

Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República. Por isso, deve explicar o que negociou com Vorcaro, quem financiou despesas de seu círculo, quais interesses foram levados a autoridades públicas e que compromissos foram construídos ao redor do Banco Master.

A contagem continua porque as perguntas permanecem.

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Faltando cinco dias para o primeiro turno, Lula voltou às ruas nesta terça-feira, em Fortaleza, para transformar a reta final da campanha numa convocação direta ao eleitor.

A Praça da Bandeira recebeu uma multidão. Segundo estimativa divulgada pelos organizadores, aproximadamente 100 mil pessoas participaram do ato. Ao lado do governador e candidato à reeleição Elmano de Freitas, de Camilo Santana, Cid Gomes, Luizianne Lins e outras lideranças do campo democrático, Lula procurou falar especialmente com os segmentos que podem decidir a eleição: mulheres, idosos, trabalhadores e eleitores que ainda não definiram se comparecerão às urnas.

O presidente pediu que seus apoiadores não tratem a eleição como resolvida. A principal tarefa, afirmou, é conversar com quem ainda está em dúvida, enfrentar as mentiras e garantir que as pessoas compareçam no próximo domingo.

A preocupação possui fundamento concreto. Mesmo quando a intenção de voto está definida, abstenção, dificuldade de deslocamento e desmobilização podem alterar o resultado. Lula chamou atenção especialmente para os eleitores mais velhos, muitos dos quais enfrentam obstáculos físicos, econômicos ou familiares para chegar à seção eleitoral.

Ao dirigir-se às mulheres, o presidente voltou a falar sobre o feminicídio e a responsabilidade do Estado no combate à violência. Não apresentou o tema como problema privado das famílias, mas como questão política que exige prevenção, proteção, investigação e punição.

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Lula também respondeu à controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Reafirmou que respeita católicos, evangélicos, religiões de matriz africana e pessoas sem religião.

A fala ocorre depois da circulação de uma afirmação falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Não há prova de que o candidato tenha apresentado essa proposta.

O dever de enfrentar uma mentira não elimina outro fato político: Flávio atacou a CNBB, tentou atribuir a adversários a fabricação da notícia e recorreu à Justiça para retirar publicações. A religião foi transformada em instrumento de campanha enquanto diferentes ministros passaram a disputar os limites da atuação da Justiça Eleitoral.

A resposta democrática não pode ser uma competição para saber quem se apresenta como mais religioso. O compromisso público deve ser com a liberdade de crença, a liberdade de não crer e a proteção de todas as comunidades religiosas contra intolerância, violência e instrumentalização eleitoral.

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Outro eixo do discurso foi a proibição das bets. Lula voltou a afirmar que a regulamentação não resolveu o problema e que o Estado não pode continuar assistindo à destruição de famílias pela dependência do jogo.

O presidente criticou também a reação de dirigentes de clubes de futebol. Parte dos clubes das quatro divisões nacionais ameaçou não comparecer à reunião convocada pelo governo para discutir os efeitos da medida provisória. O encontro acabou remarcado.

A resistência não surpreende. As casas de apostas ocuparam espaços nas camisas, transmissões, estádios e programas esportivos. Para muitos clubes, o dinheiro das bets transformou-se em receita imediata. Mas essa entrada de recursos possui uma origem social: o salário, o benefício e a renda de milhões de pessoas convencidas de que uma aposta pode resolver problemas que o trabalho mal remunerado não resolve.

Lula lembrou que o futebol brasileiro construiu sua grandeza antes da expansão das plataformas. A sobrevivência dos clubes não pode depender do adoecimento da população.

Em Fortaleza, Lula também retomou a defesa da soberania nacional. A eleição brasileira é acompanhada por uma ofensiva internacional da extrema direita, pelo alinhamento de Flávio Bolsonaro a Donald Trump e por disputas envolvendo minerais estratégicos, petróleo, indústria, tecnologia e relações com a China.

Não se trata apenas de decidir quem ocupará o Palácio do Planalto. O voto definirá se o Brasil tentará construir uma política industrial própria, fortalecer o mercado interno e negociar com outros países a partir de seus interesses — ou se voltará a aceitar a posição de subordinado aos Estados Unidos.

Ao colocar a campanha nas ruas, Lula procura responder à máquina financeira, digital e internacional organizada ao redor da candidatura de Flávio. A vantagem não será garantida apenas por programas de televisão. Dependerá de organização popular, presença nas periferias, diálogo nos locais de trabalho e participação efetiva no dia da eleição.

A multidão de Fortaleza não encerra a disputa. Mostra, porém, que a campanha de Lula chega à última semana com capacidade de mobilização e uma tarefa definida: transformar presença nas ruas em comparecimento às urnas.

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Mensagens, fotografias e documentos reunidos por Alexandre Santini, ex-sócio e antigo amigo de Flávio Bolsonaro, acrescentaram novas perguntas sobre a relação do candidato presidencial com pessoas que pagaram despesas pessoais, compraram presentes de luxo e circularam entre negócios privados e autoridades públicas.

O conjunto foi revelado inicialmente pelo PlatôBR e repercutido por outros veículos. Entre os registros está a nota fiscal de um Rolex Submariner Date de ouro branco, comprado em fevereiro de 2022 por R$ 305 mil. O documento está em nome do advogado Alan Belaciano, pessoa próxima a Flávio.

Segundo as mensagens examinadas pela reportagem, o relógio teria sido adquirido para o senador. Quando a compra apareceu publicamente, Flávio afirmou que o objeto havia sido adquirido por um amigo como um “empréstimo pessoal” que estava sendo pago.

A explicação não resolve todas as perguntas. É necessário saber quais parcelas foram quitadas, por qual meio, em que datas e se a operação foi declarada. Um relógio de R$ 305 mil não pode ser tratado como gentileza trivial entre amigos quando o beneficiário exerce mandato no Senado e disputa a Presidência.

Belaciano também teria desembolsado mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia instalados na residência de Flávio em Brasília, além de pagar consertos e outras despesas. Novamente, a existência de pagamentos não comprova sozinha uma contrapartida política. Mas exige transparência sobre sua natureza.

Santini manteve negócios com Flávio numa franquia da Kopenhagen. A relação terminou em disputa judicial. Em 2023, o ex-sócio cobrou aproximadamente R$ 1,47 milhão por lucros que afirma não terem sido compartilhados e por despesas supostamente não reembolsadas.

A disputa empresarial é parte do contexto no qual o material veio a público. Esse histórico exige cautela: Santini possui conflito declarado com Flávio e interesse próprio no desfecho das controvérsias. Isso não torna automaticamente falsos os documentos apresentados, mas aumenta a necessidade de perícia e confirmação independente.

O material inclui ainda relatos sobre festas privadas e a vida pessoal do senador. A Voz Trabalhadora não tratará detalhes íntimos como espetáculo. Eles só possuem interesse jornalístico quando ajudam a compreender pagamentos, dependências financeiras, possíveis formas de pressão ou contradições entre a prática privada e o discurso político utilizado para conquistar votos.

A dimensão institucional mais grave aparece nas mensagens que, segundo as reportagens, sugerem que Flávio poderia atuar junto ao ministro Kassio Nunes Marques em favor do interesse de um cliente.

O material divulgado não comprova que Kassio tenha recebido qualquer pedido, aceitado uma intermediação ou praticado ato em consequência dela. Também não demonstra, por si só, a ocorrência de crime.

O que existe é o relato de Alexandre Santini, acompanhado de mensagens cuja autenticidade e contexto precisam ser examinados pelas autoridades competentes. A alegação é suficientemente grave para exigir apuração. Flávio deve esclarecer se foi procurado, se conversou com Kassio, qual assunto estaria em discussão e se tomou alguma iniciativa.

O episódio surge quando o ministro ocupa posição central na Justiça Eleitoral e seu nome aparece em outras controvérsias relacionadas ao Banco Master e ao entorno político de Flávio Bolsonaro. Essas circunstâncias ampliam o interesse público da apuração, mas não autorizam concluir antecipadamente que houve favorecimento.

Até o fechamento, os principais citados não haviam apresentado respostas detalhadas capazes de esclarecer o conjunto dos fatos.

A investigação deve avançar sem sensacionalismo, mas também sem indulgência. O candidato que pretende governar o Brasil precisa explicar quem pagou suas despesas, qual era a natureza desses pagamentos e se seu mandato foi colocado a serviço de interesses privados.

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As mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro revelaram uma relação próxima entre o ex-controlador do Banco Master e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

As conversas não apresentam apenas cumprimentos ou contatos institucionais. Vorcaro e Motta tratavam-se como “amigo” e “irmão”. Em diferentes momentos, discutiram negócios, financiamento, projetos em tramitação no Congresso e o uso de bens do banqueiro.

Uma das frentes envolve um terreno de aproximadamente 400 hectares em João Pessoa, adquirido por R$ 45 milhões. A avaliação fiscal da área ultrapassava R$ 101 milhões.

O negócio foi registrado em nome de empresa ligada à cunhada de Hugo Motta e recebeu financiamento de pelo menos R$ 22 milhões do Banco Master. Nas conversas, aparecem referências a uma “sociedade” e à participação de Motta na articulação.

A palavra utilizada numa mensagem não comprova a existência de sociedade formal. Para isso seriam necessários contratos, registros societários, transferências financeiras e identificação dos beneficiários finais. Mas a combinação entre mensagens, parentesco, empréstimo e atuação direta do presidente da Câmara torna indispensável esclarecer quem eram os sócios econômicos do negócio.

As mensagens indicam que Vorcaro também pediu a Motta acompanhamento de um projeto de lei sobre o mercado de carbono que havia passado pelo Senado. A regulamentação movimenta interesses bilionários relacionados a terras, florestas, créditos e ativos ambientais.

Outro assunto mencionado foi o Fundo Garantidor de Créditos. O FGC seria posteriormente chamado a cobrir prejuízos bilionários causados pela quebra do Master. Conhecer as tentativas de influência do banco sobre autoridades políticas é essencial para reconstruir como a instituição tentou proteger seus negócios antes da liquidação.

A proximidade incluía ainda a disponibilização de aeronave e o uso de uma casa de Vorcaro no Lago Sul, em Brasília. Registros indicam pelo menos seis visitas de Motta ao imóvel entre junho e novembro de 2025.

Não há informação pública sobre o conteúdo de todos esses encontros ou sobre quem mais estava presente. O uso autorizado de uma residência privada não constitui crime. O interesse jornalístico decorre da soma: casa, avião, empréstimo, terreno, projeto legislativo e mensagens sobre sociedade.

Em nota, Hugo Motta negou irregularidades, afirmou manter diálogo com diferentes setores e rejeitou interpretações de favorecimento indevido. Disse também confiar nas instituições responsáveis pela investigação.

A resposta não elimina a necessidade de divulgação dos documentos. O presidente da Câmara controla a pauta legislativa e participa de decisões que afetam bancos, fundos, empresas e mercados regulados. A sociedade precisa saber se interesses de Vorcaro encontraram acesso privilegiado à presidência da Casa.

O caso Master não é apenas a história de um banco que quebrou. É a história de uma rede que circulou entre campanhas, Congresso, Judiciário, Banco Central e grandes negócios. As mensagens de Hugo Motta abrem mais uma janela para compreender o funcionamento dessa rede.

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O desemprego permaneceu em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE.

É o menor resultado registrado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. O contingente de desempregados caiu para 5,78 milhões de pessoas, enquanto a população ocupada alcançou o recorde de 103,5 milhões.

Entre junho e agosto, 774 mil pessoas ingressaram no mercado de trabalho. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o número de ocupados aumentou em 1,1 milhão.

O emprego com carteira no setor privado permaneceu no maior nível da série, com 39,5 milhões de trabalhadores. A indústria incorporou aproximadamente 265 mil pessoas e a construção, 306 mil.

Esses números importam porque indústria e construção não geram apenas vagas diretas. Movimentam cadeias de fornecedores, serviços, comércio, transporte e tecnologia. A recuperação desses setores amplia a capacidade produtiva e ajuda a criar empregos com maior proteção.

Mas a melhora não autoriza esconder os problemas.

A informalidade chegou a 37,5%, correspondendo a 38,8 milhões de trabalhadores. A subutilização da força de trabalho ficou em 13,1%, alcançando aproximadamente 15 milhões de pessoas. Dentro desse grupo, 4,3 milhões trabalhavam menos horas do que desejavam.

O desalento recuou 11,9% em um ano, mas ainda atinge 2,4 milhões de brasileiros que desistiram de procurar trabalho porque não acreditam que encontrarão uma vaga.

O retrato, portanto, combina avanços reais e desafios estruturais. Há mais pessoas ocupadas, menos desempregados e um contingente recorde de trabalhadores com carteira. Ao mesmo tempo, quase quatro em cada dez ocupados estão na informalidade.

É nesse ponto que a disputa eleitoral chega ao local de trabalho. Não basta contar quantas pessoas conseguiram uma ocupação. É preciso discutir salário, jornada, descanso, estabilidade, proteção previdenciária, negociação coletiva e segurança.

Segundo análise publicada pela CUT, o programa de Flávio Bolsonaro amplia o espaço para acordos individuais e não apresenta compromissos com o fim da escala 6×1, com uma política permanente de valorização do salário mínimo, com a igualdade salarial ou com a proteção dos trabalhadores de aplicativos. O projeto defendido por Lula, por sua vez, associa emprego à política industrial, ao investimento público, à redução da jornada e ao fortalecimento do mercado interno.

A taxa de desemprego mostra que o Brasil pode avançar. A escolha política é decidir se esse avanço será utilizado para elevar o poder dos trabalhadores ou para ampliar formas precárias de contratação.

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A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal chegou nesta terça-feira ao Tribunal Superior do Trabalho depois de 13 rodadas de negociação sem acordo.

A paralisação começou em 10 de setembro. O principal impasse envolve o Saúde Caixa, plano de autogestão responsável pelo atendimento de empregados da ativa, aposentados e dependentes.

Os trabalhadores afirmam que as mudanças propostas transferem custos crescentes para as famílias e podem consumir o reajuste salarial obtido pela categoria, de 0,6% acima da inflação.

Entre as alternativas discutidas apareceram mensalidades de até R$ 900 para dependentes, mudanças na coparticipação e divisão dos custos na proporção de 60% para a Caixa e 40% para os beneficiários.

A representação dos empregados reivindica a retomada do modelo 70/30, pelo qual a empresa assume a maior parcela do custeio. Essa proporção foi alterada durante o governo Temer.

Outro ponto de conflito é o teto de participação da Caixa sobre a folha. Nas negociações, o banco chegou a apresentar ampliação de 6,5% para 9% a partir de 2027, o que poderia representar cerca de R$ 1 bilhão adicional por ano. No processo judicial, porém, a empresa relativizou o compromisso, sustentando que havia aceitado apenas estudar alternativas.

A diferença não é semântica. Para milhares de famílias, significa saber se haverá recursos suficientes para manter o plano ou se mensalidades e coparticipações continuarão aumentando.

Trabalhadores também relatam cobranças indevidas, despesas por materiais não utilizados, dificuldade de acesso a especialistas, deslocamentos para outras cidades e demora nos reembolsos. A Caixa afirma apurar denúncias e prestar contas aos representantes dos empregados.

Antes do julgamento, o ministro Mauricio Godinho Delgado determinou que 60% dos trabalhadores permanecessem em atividade em cada agência, presencialmente ou a distância. A multa fixada foi de R$ 100 mil por dia para cada entidade sindical que descumprisse a ordem. Ao mesmo tempo, a liminar preservou o direito de greve e manteve provisoriamente o acordo coletivo anterior.

A Caixa pediu ao TST que declarasse o movimento abusivo e autorizasse o desconto dos dias parados. A Contraf-CUT solicitou o reconhecimento da legitimidade da greve, o abono ou compensação dos dias sem desconto e garantias contra retaliações.

O conflito já afeta o atendimento e a formalização de financiamentos habitacionais. Estimativas divulgadas por representantes do mercado imobiliário falam em dezenas de milhares de contratos represados. O número deve ser tratado como estimativa do setor, não como balanço oficial.

Até o fechamento desta edição, o resultado definitivo do julgamento ainda não havia sido divulgado. O fato essencial, porém, já está demonstrado: trabalhadores de um banco público precisaram entrar em greve para impedir que o direito à saúde fosse reduzido por uma transferência crescente de custos.

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O argumento mais repetido em defesa das bets é o da arrecadação. As plataformas pagariam impostos, patrocinariam clubes e movimentariam a economia.

Os números mostram outra realidade.

Estudo sobre os efeitos das apostas estima que o setor gere aproximadamente R$ 9,95 bilhões em arrecadação e provoque R$ 38,8 bilhões em custos sociais. Para cada real arrecadado, a sociedade paga quase quatro.

Somente os impactos sobre a saúde foram estimados em R$ 30,6 bilhões. A conta envolve tratamento da dependência, transtornos mentais, afastamentos do trabalho, conflitos familiares, endividamento, perda de produtividade e situações extremas de suicídio.

O governo federal ajuizou ação contra 17 operadoras. Pede ressarcimento ao SUS, devolução de valores a pessoas diagnosticadas com ludopatia e indenização coletiva de pelo menos R$ 1 bilhão.

Também foram derrubados 506 sites que continuavam oferecendo apostas. O próximo alvo são anúncios, perfis e formas de intermediação mantidas por plataformas digitais.

A medida provisória assinada por Lula proíbe exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa, tanto esportivas quanto jogos on-line. A vedação alcança autorizações estaduais e distritais, mas não extingue as demais modalidades lotéricas previstas em lei.

As empresas recorreram ao STF. Entidades do setor sustentam que a proibição seria desproporcional, destruiria investimentos e estimularia operadores clandestinos.

O argumento não enfrenta a questão central: por que o Estado deveria preservar uma atividade cujo lucro depende da repetição da perda por milhões de pessoas?

O futebol tornou-se uma das bases de sustentação econômica e simbólica das bets. Marcas de apostas aparecem em camisas, placas, transmissões, entrevistas e programas esportivos.

O governo convocou clubes das Séries A, B, C e D e federações estaduais para discutir a transição. Parte das equipes ameaçou boicotar a reunião, que acabou remarcada.

Dirigentes argumentam que os contratos garantem dinheiro imediato, enquanto alternativas oferecidas pelo governo — como renegociação de dívidas — não substituiriam a receita de patrocínio.

O problema existe e exige solução. Clubes empregam trabalhadores, sustentam categorias de base e movimentam economias locais. Mas não é aceitável financiar salários milionários, contratações e comissões com a destruição financeira de torcedores.

O futebol brasileiro existia antes das bets e continuará existindo depois delas. A transição deve envolver responsabilidade dos dirigentes, novas regras de financiamento, transparência e valorização de receitas sustentáveis.

A proibição não encerra automaticamente o problema. Será necessário bloquear operações clandestinas, impedir publicidade disfarçada, fiscalizar influenciadores e proteger usuários endividados.

O primeiro passo, no entanto, foi dado: reconhecer que arrecadação nenhuma justifica uma atividade que retira renda das famílias e transfere seus custos para o SUS e para toda a sociedade.

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O Ministério Público do Trabalho já recebeu 583 denúncias de assédio eleitoral em 2026.

O crescimento foi acelerado. Eram 463 registros em 21 de setembro e 473 no dia seguinte. Até 24 de setembro, o número havia aumentado em 110 denúncias.

Assédio eleitoral ocorre quando o empregador usa sua posição econômica para tentar controlar o voto do trabalhador. Pode aparecer como ameaça de demissão, promessa de promoção, oferta de dinheiro, mudança de escala, convocação obrigatória para reuniões políticas ou constrangimento público.

Não é assédio o simples debate político entre colegas. A ilegalidade surge quando o poder empresarial é usado para interferir na liberdade do voto.

O Conselho Superior da Justiça do Trabalho adotou um protocolo específico para enfrentar essas práticas. Até agosto, já havia 738 processos sobre assédio eleitoral em tramitação na Justiça do Trabalho.

Quem sofrer pressão deve preservar:

  • mensagens de WhatsApp;

  • e-mails;

  • comunicados internos;

  • áudios;

  • fotografias;

  • nomes de testemunhas;

  • promessas de pagamento ou vantagem;

  • ameaças de demissão ou perda de benefícios.

A denúncia pode ser apresentada ao Ministério Público do Trabalho, à Justiça Eleitoral e ao sindicato da categoria. A identidade do trabalhador pode ser mantida sob sigilo.

O voto é pessoal e secreto. O empregador compra a força de trabalho durante a jornada; não compra a consciência política de ninguém.

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A participação na eleição poderá ser utilizada pelo INSS como prova de vida automática.

O procedimento faz parte do cruzamento de informações públicas usado para confirmar que o beneficiário realizou algum ato pessoal recente. Isso reduz a necessidade de deslocamento até uma agência bancária ou unidade do INSS.

O segurado não precisa pagar intermediários nem fornecer senhas para que o voto seja registrado como prova de vida. A confirmação ocorre pelo sistema público.

Em caso de dúvida, a consulta deve ser feita pelo aplicativo ou site Meu INSS ou pelo telefone 135.

É importante desconfiar de mensagens pedindo fotografias de documentos, reconhecimento facial por aplicativos desconhecidos ou pagamentos para “regularizar” o benefício. O INSS não cobra pela prova de vida.

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Uma afirmação falsa colocou a padroeira do Brasil no centro da disputa eleitoral e abriu nova crise entre STF e TSE.

A mensagem dizia que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do país. Não há prova de que o candidato tenha apresentado essa proposta.

A campanha de Flávio recorreu à Justiça Eleitoral para retirar conteúdos. André Mendonça determinou a suspensão de publicações. Flávio Dino reviu a decisão e defendeu que o debate fosse examinado pelo plenário. Luiz Fux voltou a autorizar a retirada.

Agora, o presidente do STF, Edson Fachin, pretende levar o tema ao plenário. Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, reclama de interferência do Supremo na Justiça Eleitoral.

O combate à desinformação é necessário. Uma mentira sobre religião pode produzir medo, intolerância e manipulação do voto. Mas decisões amplas de remoção também podem alcançar críticas, sátiras e comentários legítimos.

A CNBB rejeitou os ataques de Flávio, que tentou responsabilizar setores católicos pela crise. Lideranças de diferentes campos políticos cobraram respeito à fé popular.

Em Fortaleza, Lula afirmou respeitar católicos, evangélicos, religiões de matriz africana e pessoas sem religião. Disse também que, enquanto estiver na Presidência, Nossa Senhora Aparecida continuará sendo a padroeira do Brasil.

O Estado brasileiro é laico. Isso não significa hostilidade à religião. Significa que nenhuma crença pode controlar o Estado e que todas devem receber proteção igual.

A fé de milhões de brasileiros não pode ser reduzida a instrumento de campanha, moeda judicial ou fábrica de medo.

LEIA TAMBÉM ARTIGO DE JORGE FOLENA SOBRE O TEMA PUBLICADO AQUI NO SUBSTACK DA VOZ TRABALHADORA

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Em julgamento realizado no início de setembro e recuperado na varredura desta edição, o Tribunal Superior Eleitoral fixou critérios para identificar deepfakes nas eleições, mas rejeitou uma ação contra Flávio Bolsonaro pelo uso da imagem e da voz de Jair Bolsonaro produzidas com inteligência artificial.

O vídeo foi exibido durante a convenção do PL e transmitido pela internet. Jair Bolsonaro aparecia declarando apoio ao filho.

Por cinco votos a dois, o TSE definiu como deepfake o conteúdo sintético produzido ou alterado por inteligência artificial que apresente realismo suficiente para criar, reproduzir ou modificar imagem, voz ou manifestação.

Em outra votação, por quatro a três, a Corte concluiu que o vídeo não configurou propaganda eleitoral antecipada. O relator, Kassio Nunes Marques, sustentou que a convenção era voltada às decisões internas do partido e não continha pedido explícito de voto.

A decisão estabeleceu que a transmissão pela internet não transforma automaticamente uma manifestação partidária em propaganda antecipada. Será necessário examinar linguagem, público, conteúdo e contexto.

O resultado abre uma zona de risco. Uma imagem artificial pode alcançar milhões de pessoas mesmo quando nasce num evento formalmente interno. Em eleições marcadas por redes coordenadas, impulsionamento e conteúdo sintético, a distinção entre convenção e comunicação de massa torna-se cada vez mais difícil.

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O chanceler iraniano Abbas Araghchi reuniu-se com mediadores do Catar para discutir uma proposta de redução das tensões no Estreito de Ormuz.

O plano permitiria reabrir temporariamente a passagem em troca do alívio do bloqueio naval estadunidense e da retomada de conversas. O governo de Donald Trump rejeitou a proposta inicial e condicionou qualquer acordo mais amplo à negociação sobre o programa nuclear iraniano.

Teerã afirma que não existe negociação direta formalmente acertada com Washington. O que ocorre são contatos indiretos conduzidos por intermediários.

A distinção é importante. Trump anunciou publicamente que esperava retomar conversas, enquanto o governo iraniano negou que houvesse encontro combinado. Apresentar contatos diplomáticos como negociação consolidada poderia servir a Washington para demonstrar uma vitória política que ainda não ocorreu.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas energéticas do mundo. A interrupção ou restrição da passagem afeta imediatamente os preços do petróleo, o transporte internacional, os fertilizantes e a inflação de diferentes países.

O Irã sustenta que possui capacidade militar para impedir que outras potências controlem a região. Os Estados Unidos mantêm forças, bases e alianças ao redor do território iraniano.

A disputa nuclear é apenas uma parte do conflito. Washington pretende limitar a capacidade tecnológica e militar do Irã, preservar a superioridade de Israel e manter influência sobre as rotas energéticas do Oriente Médio. Teerã busca garantir sua sobrevivência, preservar soberania e impedir que sua economia seja estrangulada por bloqueios e sanções.

Dentro dos próprios Estados Unidos, parlamentares republicanos pressionam Trump para encerrar a guerra antes das eleições de novembro. A preocupação não nasce apenas da defesa da paz. Inclui o preço do petróleo, o impacto econômico e o risco de novas baixas militares.

O próximo passo dependerá da resposta levada pelos mediadores do Catar. Até aqui, existe uma possibilidade de conversa — não um acordo. E enquanto a diplomacia avança lentamente, trabalhadores e povos da região continuam pagando a conta da guerra.

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Novos ataques israelenses mataram palestinos em Deir al-Balah e na Cidade de Gaza nesta terça-feira.

Ahmed Abu Mour foi morto por disparos das forças de ocupação na rua Salah al-Din, no centro da Faixa de Gaza. Outra pessoa morreu e várias ficaram feridas quando uma aeronave atingiu um apartamento residencial no bairro Al-Nasr, a oeste da Cidade de Gaza.

Segundo a agência palestina Wafa, o número de mortos desde o início da ofensiva chegou a 74.022. O total de feridos alcançou 175.980.

A contagem não inclui apenas pessoas atingidas diretamente por bombas e tiros. Milhares permanecem sob escombros. Outras morreram de fome, doenças, falta de medicamentos e colapso do atendimento hospitalar.

As Nações Unidas estimam que Gaza acumula mais de 60 milhões de toneladas de destroços. Casas, escolas, hospitais, universidades, redes de água, sistemas de esgoto e espaços culturais foram destruídos.

A ofensiva também avança na Cisjordânia ocupada. Colonos atacaram aldeias, incendiaram casas e agrediram moradores. Tropas realizaram incursões e prisões em diferentes cidades. Organizações islâmicas e governos da região denunciaram ainda novas agressões contra a Mesquita de Al-Aqsa.

A separação entre “guerra em Gaza” e “conflito na Cisjordânia” esconde a unidade do projeto de ocupação. Em Gaza, a população é submetida a bombardeio, fome e deslocamento. Na Cisjordânia, terras são tomadas por colônias, estradas são fechadas e comunidades são fragmentadas.

A Assembleia Geral da ONU voltou a expor a distância entre o discurso do direito internacional e a capacidade real de impedir o genocídio. Delegações deixaram o plenário durante a fala de Benjamin Netanyahu, mas Israel continua recebendo armas, proteção diplomática e financiamento.

Gaza demonstra que uma ordem internacional incapaz de proteger crianças, trabalhadores, jornalistas e profissionais de saúde não pode reivindicar legitimidade.

O reconhecimento do Estado palestino é necessário, mas insuficiente sem cessar-fogo, retirada das forças de ocupação, reconstrução e responsabilização pelos crimes cometidos.

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China e Cuba celebraram 66 anos de relações diplomáticas reafirmando cooperação econômica, política e tecnológica.

Pequim voltou a condenar o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e declarou apoio ao direito cubano de escolher seu próprio caminho de desenvolvimento.

A parceria envolve alimentos, energia, infraestrutura e intercâmbio tecnológico. Essas áreas tornaram-se ainda mais importantes diante do cerco energético que limita a capacidade cubana de importar combustíveis, equipamentos e peças de reposição.

Washington apresenta o bloqueio como instrumento de pressão contra o governo cubano. Na prática, a política atinge diretamente a população: dificulta transporte, produção de alimentos, funcionamento de hospitais e geração de eletricidade.

A relação com a China não elimina os problemas internos de Cuba nem substitui a necessidade de aperfeiçoar a gestão econômica. Mas amplia a margem de soberania de um país submetido há mais de seis décadas à coerção da maior potência do continente.

A solidariedade internacional não deve ser tratada como gesto simbólico. Para Cuba, acesso a crédito, combustível, alimentos e tecnologia pode significar a diferença entre ampliar serviços públicos ou enfrentar novos apagões.

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O JPMorgan reduziu sua projeção para a economia argentina e passou a prever nova recessão sob o governo de Javier Milei.

O diagnóstico acompanha indicadores de queda na indústria, no comércio e no consumo. A política de austeridade derrubou despesas públicas, reduziu investimentos e pressionou salários e aposentadorias.

Milei apresenta o corte do Estado como prova de eficiência. Para os trabalhadores, o ajuste significa renda menor, serviços públicos enfraquecidos e maior dificuldade para comprar alimentos, medicamentos e produtos básicos.

A estabilização de determinados indicadores financeiros não compensou a destruição da demanda interna. Sem consumidores, a indústria reduz produção. Com menor atividade, empresas cortam empregos. O desemprego e a perda salarial reduzem ainda mais o consumo, alimentando o ciclo recessivo.

A Argentina serve como advertência para o Brasil. Flávio Bolsonaro reivindica proximidade com Milei e defende um modelo de redução de direitos, privatizações e enfraquecimento das políticas públicas.

O debate eleitoral brasileiro não ocorre no vazio. Há um laboratório funcionando do outro lado da fronteira. Seus resultados aparecem no fechamento de empresas, na pobreza e na perda de perspectivas para milhões de argentinos.

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realiza até 3 de outubro o Mutirão em Defesa da Natureza e da Democracia.

A mobilização combina plantio de árvores, produção de alimentos saudáveis, organização comunitária e diálogo sobre as eleições.

A iniciativa integra o Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis, lançado em 2020 com a meta de alcançar 100 milhões de árvores até 2030.

Os plantios ocorrem em assentamentos, acampamentos, escolas do campo, cooperativas, praças, parques e comunidades urbanas.

A ação apresenta uma concepção de meio ambiente ligada à reforma agrária, à produção de alimentos e à soberania. Preservar florestas não significa expulsar trabalhadores do território, mas reorganizar a produção de maneira social e ambientalmente responsável.

Ao associar natureza e democracia, o MST também chama atenção para os efeitos eleitorais sobre a política ambiental. O governo Bolsonaro promoveu desmonte da fiscalização, avanço do garimpo e abertura de territórios à exploração predatória. Flávio representa a continuidade desse campo.

A eleição decide quem ocupará o governo, mas também qual projeto será aplicado à terra, à água, às florestas e à produção de alimentos.

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As eleições de 2026 registram 191 candidaturas de pessoas que se declaram indígenas.

O levantamento foi organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil com base nos dados do TSE. A chamada Bancada Indígena reúne candidaturas a assembleias estaduais, Câmara dos Deputados, Senado e governos.

A presença indígena nas urnas responde a uma realidade concreta: grande parte das ameaças aos territórios nasce no Congresso.

Levantamento do Conselho Indigenista Missionário examinou votações realizadas entre janeiro de 2019 e junho de 2026. Das votações nominais relacionadas aos direitos indígenas, 76 — equivalentes a 69% — tratavam diretamente de territórios.

Entre os temas estão marco temporal, licenciamento ambiental, consulta prévia e autorização para atividades econômicas em terras indígenas.

O CIMI lançou também uma plataforma para monitorar projetos, partidos e parlamentares que atuaram contra os direitos originários. A ferramenta permite que o eleitor examine não apenas discursos de campanha, mas o comportamento efetivo de cada legenda.

A Constituição reconhece que os direitos dos povos indígenas sobre suas terras são originários: não foram concedidos pelo Estado e existem antes da formação do próprio Estado brasileiro.

Por isso, a demarcação não constitui benefício ou privilégio. É dever constitucional, proteção da vida e garantia de diversidade cultural.

A disputa pelo Congresso pode definir se esses direitos avançarão ou se uma maioria ligada ao agronegócio, à mineração e à extrema direita abrirá novas frentes de invasão.

Votar para presidente é decisivo. Mas eleger deputados e senadores comprometidos com os povos indígenas também é parte da defesa da democracia e da soberania nacional.

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O Ministério da Saúde negocia condições para uma eventual incorporação ao SUS de medicamentos utilizados no tratamento da obesidade.

Segundo a pasta, as medidas regulatórias e negociações com fabricantes podem reduzir os preços em até 90%. A projeção inicial indica que uma política nacional poderia exigir aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano.

A incorporação ainda não está decidida. Antes disso, os medicamentos precisam ser avaliados segundo eficácia, segurança, custo e impacto orçamentário.

A obesidade não pode ser tratada apenas como falha individual ou problema estético. Está relacionada a alimentação, renda, jornada de trabalho, acesso a espaços públicos, predisposição genética, saúde mental e disponibilidade de atendimento.

A chegada de novos medicamentos oferece possibilidades reais de tratamento, mas também abre uma disputa bilionária. Grandes empresas farmacêuticas procuram transformar as chamadas canetas em produtos de consumo permanente e altamente lucrativos.

Uma política pública responsável precisa estabelecer critérios clínicos, acompanhamento médico e prioridade para quem mais necessita. Também deve negociar preços, estimular a produção nacional e impedir que o orçamento do SUS seja capturado por fabricantes.

O acesso não pode ficar restrito a quem possui milhares de reais para comprar o medicamento no mercado privado. Mas a universalização também não pode ocorrer a qualquer preço imposto pela indústria.

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O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior apresenta em Manaus, nesta quarta-feira, o documentário Educação e Ciência por um Brasil que dá certo.

A produção integra uma campanha em defesa das universidades, institutos federais e centros públicos de pesquisa.

Durante o governo Bolsonaro, essas instituições enfrentaram cortes, ataques ideológicos e tentativas de deslegitimar o conhecimento científico. A pandemia demonstrou o preço desse obscurantismo.

Universidades públicas formam profissionais, produzem vacinas, desenvolvem tecnologias, mantêm hospitais e ajudam a compreender os problemas do país.

Defender educação e ciência não é defender privilégio acadêmico. É proteger um patrimônio construído pelos trabalhadores e financiado pela sociedade.

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29 de setembro — A história dos povos também é a história daqueles que enfrentaram a exploração, o colonialismo, o fascismo e todas as formas de opressão. Nesta edição, a Memória dos Povos percorre África, Europa, Ásia e Brasil para recordar revolucionários, escritores, artistas, trabalhadores e acontecimentos que marcaram as lutas pela emancipação humana.

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Em 29 de setembro de 1933, nascia Samora Moisés Machel, uma das grandes figuras da libertação africana do século XX, dirigente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e primeiro presidente do país após a independência.

Filho de uma família camponesa, Machel cresceu sob o domínio colonial português. Formou-se como enfermeiro e, em 1963, ingressou na FRELIMO, participando diretamente da luta de libertação. Depois do assassinato de Eduardo Mondlane, em 1969, ascendeu à direção do movimento.

A guerra em Moçambique integrava um processo mais amplo de enfrentamento ao colonialismo português na África, que alcançava também Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde. O desgaste dessas guerras contribuiu para a crise do regime português e para a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974.

Em 25 de junho de 1975, Moçambique proclamou sua independência e Machel tornou-se presidente. Seu governo buscou romper com estruturas herdadas do colonialismo, ampliando educação e saúde e nacionalizando setores importantes da economia.

Machel também vinculou a soberania moçambicana à luta contra o colonialismo e o apartheid na África Austral. Morreu em 19 de outubro de 1986, quando o avião presidencial caiu próximo à fronteira com a África do Sul, em circunstâncias que permaneceram controversas.

Sua trajetória permanece ligada à ideia de que a independência política deveria caminhar junto com a transformação social, a soberania nacional e a solidariedade entre os povos.

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Em 29 de setembro de 1935, realizou-se em Barcelona o congresso de unificação que deu origem ao Partido Operário de Unificação Marxista (POUM). A organização nasceu principalmente da união entre o Bloco Operário e Camponês, ligado a Joaquín Maurín, e a Esquerda Comunista, dirigida por Andreu Nin.

O partido surgiu numa Espanha atravessada por enormes conflitos sociais. Trabalhadores e camponeses enfrentavam grandes proprietários, setores conservadores, parte da Igreja e forças militares, enquanto diferentes correntes disputavam os caminhos da transformação social.

Quando setores das Forças Armadas liderados por Francisco Franco se levantaram contra a República, em julho de 1936, trabalhadores responderam em várias regiões com greves, ocupações, milícias e coletivizações. Na Catalunha, a resistência ao golpe adquiriu também características de uma revolução social.

Militantes do POUM integraram as milícias antifascistas e participaram desse processo revolucionário. Mas profundas divergências atravessavam o próprio campo republicano. Crítico à direção soviética sob Stalin, o POUM entrou em choque com setores alinhados à Internacional Comunista.

Após os confrontos de Barcelona de maio de 1937, a organização sofreu forte repressão. Andreu Nin foi preso e posteriormente assassinado.

A história do POUM permanece como parte das grandes experiências e contradições da Revolução Espanhola, da resistência internacional ao fascismo e dos debates estratégicos que dividiram o movimento operário no século XX.

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Em 29 de setembro de 1914, nascia Moni Guha, revolucionário bengali cuja trajetória atravessaria alguns dos grandes processos políticos da Índia no século XX: a luta contra o colonialismo britânico, a organização comunista, o movimento sindical e as mobilizações camponesas.

Ainda adolescente, Guha ingressou no movimento pela independência e aproximou-se da Anushilan Samiti, organização revolucionária que combatia o domínio britânico. Aos 16 anos, foi preso por suas atividades políticas.

Na prisão, entrou em contato com militantes comunistas e aprofundou seus estudos do marxismo. Posteriormente ingressou no Partido Comunista da Índia (CPI) e passou a atuar na organização política dos trabalhadores.

Um dos momentos fundamentais de sua trajetória foi a participação no movimento Tebhaga, poderosa mobilização camponesa desenvolvida principalmente em Bengala durante os anos 1940. Os trabalhadores rurais reivindicavam permanecer com dois terços da produção agrícola, em vez de entregar metade da colheita aos proprietários.

Guha também desenvolveu atividade política entre trabalhadores industriais de Calcutá e permaneceu durante décadas ligado ao movimento comunista.

Sua trajetória recorda uma dimensão frequentemente esquecida da independência indiana: ao lado das grandes lideranças mundialmente conhecidas existiram greves, organizações revolucionárias, movimentos camponeses, sindicatos e milhares de militantes que relacionavam a libertação colonial à transformação das estruturas sociais.

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Em 29 de setembro de 1935, nascia em Santos Plínio Marcos de Barros, dramaturgo, escritor, ator, jornalista e cronista que levou para o centro do teatro brasileiro personagens quase sempre relegados às margens da sociedade.

Antes de se tornar dramaturgo, Plínio trabalhou como palhaço de circo e ator. A experiência das ruas, dos trabalhadores e dos personagens marginalizados acompanharia toda sua produção artística.

Sua primeira peça, Barrela, escrita em 1958 e ambientada numa cela de prisão, antecipou o universo que marcaria sua obra. Vieram depois trabalhos fundamentais como Dois Perdidos numa Noite Suja, Navalha na Carne e Abajur Lilás.

Em seus palcos aparecem prostitutas, presidiários, trabalhadores pobres, desempregados e personagens empurrados para as periferias sociais. Não como cenário exótico, mas como sujeitos atravessados pelas relações de violência, exploração e poder.

Depois do golpe de 1964, e particularmente durante o endurecimento da ditadura, sua obra tornou-se alvo recorrente da censura. Barrela, por exemplo, permaneceu proibida durante mais de duas décadas.

Sua linguagem direta e marcada pela oralidade popular também confrontava uma concepção elitizada de cultura.

Plínio Marcos morreu em 1999. Sua obra, entretanto, continua interrogando o Brasil. As prisões, a desigualdade, a violência e aqueles que a sociedade prefere não enxergar continuam presentes — nos palcos e fora deles.

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Em 29 de setembro de 1908, morria no Rio de Janeiro, aos 69 anos, Joaquim Maria Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros.

Nascido em 1839 no Morro do Livramento, filho de Francisco José de Assis e Maria Leopoldina Machado de Assis, Machado teve origem social modesta e não realizou uma formação escolar regular. Construiu uma trajetória extraordinária como tipógrafo, jornalista, cronista, contista, poeta, dramaturgo e romancista, tornando-se também fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.

Recordá-lo na Memória dos Povos significa olhar especialmente para a capacidade de sua literatura de revelar as contradições da sociedade brasileira.

Em obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro, assim como em numerosos contos e crônicas, Machado construiu um olhar marcado pela ironia sobre as elites, o dinheiro, o favor, as aparências sociais e as relações de poder.

Homem negro nascido numa sociedade escravista, atravessou o Império, a Abolição e a proclamação da República. Sua literatura registrou, muitas vezes através da ironia e das entrelinhas, as hierarquias e contradições daquele Brasil.

Mais de um século depois de sua morte, Machado permanece não apenas como um gigante da literatura, mas como um autor capaz de colocar o Brasil diante de seu próprio espelho.

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Em 29 de setembro de 1904, nascia Nikolai Ostrovsky, escritor soviético cuja trajetória ficou profundamente associada à experiência revolucionária iniciada em 1917.

Sua obra mais conhecida, Assim Foi Temperado o Aço, transformou Pavel Korchagin em um dos personagens mais difundidos da literatura soviética, representando uma geração formada pela guerra civil, pelo trabalho e pela militância revolucionária.

Gravemente enfermo e posteriormente cego, Ostrovsky continuou escrevendo. Seu principal romance alcançou enorme circulação dentro e fora da União Soviética e tornou-se uma das obras emblemáticas do realismo socialista, associando literatura, experiência coletiva e construção de uma nova sociedade.

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Em 29 de setembro de 1902, morria em Paris, aos 62 anos, o escritor francês Émile Zola, um dos grandes nomes do naturalismo.

Para a memória da classe trabalhadora, sua obra mais emblemática é Germinal, publicada em 1885. Ao retratar os mineiros do norte da França, Zola construiu uma poderosa representação literária das condições de trabalho, da pobreza das famílias operárias, da greve e do desenvolvimento da solidariedade entre trabalhadores.

Zola também marcou a história política francesa ao intervir no Caso Dreyfus. Em seu célebre J’Accuse…!, denunciou publicamente a perseguição e o antissemitismo envolvidos na condenação do capitão Alfred Dreyfus.

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Em 29 de setembro de 1941, começava um dos maiores massacres do Holocausto perpetrados em tão curto espaço de tempo.

Nos dias 29 e 30 de setembro, unidades nazistas e forças auxiliares assassinaram 33.771 judeus em Babyn Yar, uma ravina nos arredores de Kiev, ocupada pelas forças alemãs.

As vítimas foram conduzidas ao local, obrigadas a entregar seus pertences e roupas e executadas em grupos. Durante a ocupação nazista, Babyn Yar continuaria sendo utilizado para assassinatos de judeus e de outros grupos perseguidos, incluindo prisioneiros de guerra soviéticos, resistentes e ciganos.

Recordar Babyn Yar significa preservar a memória das vítimas e também da luta histórica contra o nazismo, o fascismo, o racismo e o antissemitismo.

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Em 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados autorizou, por 441 votos a 38, com uma abstenção, a abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.

A votação foi precedida por grandes manifestações populares. Estudantes que ficaram conhecidos como caras-pintadas, organizações sindicais, entidades da sociedade civil e movimentos sociais ocuparam as ruas em diferentes cidades brasileiras.

O processo ultrapassava, assim, os limites do Congresso: expressava também a pressão produzida por uma ampla mobilização social num país que havia recuperado poucos anos antes o direito de escolher diretamente o presidente da República.

Collor seria afastado da Presidência após a instauração do processo pelo Senado.

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Em 29 de setembro de 2010, trabalhadores de diversos países participaram do Dia Europeu de Ação contra a austeridade, convocado pela Confederação Europeia de Sindicatos.

Uma grande manifestação ocorreu em Bruxelas, enquanto diferentes formas de mobilização foram organizadas em vários países. Na Espanha, centrais sindicais realizaram uma greve geral.

As manifestações ocorreram no contexto da crise econômica internacional iniciada em 2008 e das políticas de austeridade adotadas por diversos governos europeus.

Sindicatos denunciavam cortes sociais, desemprego e reformas que transferiam para os trabalhadores parte dos custos da crise financeira. A mobilização sintetizava uma disputa que marcaria a década seguinte: quem deveria pagar pela crise — os trabalhadores ou aqueles que haviam se beneficiado do sistema financeiro que a produzira?

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A nova Lei nº 15.522 transforma o desenvolvimento do futebol feminino em prioridade permanente da política esportiva brasileira.

O texto estabelece diretrizes para:

  • formação de atletas;

  • fortalecimento das categorias de base;

  • apoio às equipes profissionais;

  • combate à discriminação;

  • igualdade de oportunidades;

  • proteção à gravidez e à maternidade;

  • ampliação da participação de meninas.

A lei chega quando o Brasil se prepara para receber a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Durante décadas, mulheres foram proibidas de jogar futebol no país. Mesmo depois do fim da proibição, enfrentaram falta de estrutura, salários baixos, campeonatos irregulares e preconceito.

Transformar a modalidade em política permanente impede que o incentivo dependa apenas da vontade momentânea de governos ou dirigentes.

O desafio agora é tirar a lei do papel. Isso exige orçamento, calendário, formação escolar, transmissões, condições de trabalho e fiscalização dos clubes.

A Copa de 2027 pode ampliar a visibilidade. Mas o legado verdadeiro será medido pela quantidade de meninas que poderão jogar, pelas atletas que viverão dignamente do esporte e pelas equipes que continuarão existindo depois do torneio.

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O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe a segunda edição do Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol de Cegas.

A competição reúne 40 atletas nos dias 29 e 30 de setembro.

O torneio fortalece uma modalidade ainda em processo de expansão e oferece experiência competitiva a jogadoras que poderão integrar a seleção brasileira.

O Brasil conquistou a medalha de prata na Copa América disputada em casa e prepara uma nova geração para o Mundial de 2027.

Também começou nesta terça-feira o maior Campeonato Brasileiro de Rugby em Cadeira de Rodas da história, com 14 equipes nas Séries Ouro e Prata.

O crescimento das modalidades paralímpicas mostra que inclusão não se produz apenas por campanhas. Exige estrutura, calendário, formação, financiamento e acesso permanente ao esporte.

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Quando um governo de direita corta direitos, parte da imprensa chama a medida de “ajuste”, “reforma” ou “modernização”. Quando um governo amplia políticas sociais, o vocabulário muda: aparecem “bondades”, “acenos”, “gastos” e “medidas eleitoreiras”.

A escolha das palavras não é inocente.

Nesta terça-feira, o IBGE mostrou desemprego de 5,3%, população ocupada recorde e número histórico de trabalhadores com carteira no setor privado. A informação é objetiva. Pode e deve ser examinada criticamente, sobretudo diante dos 38,8 milhões de informais.

Mas reduzir o resultado a um ativo eleitoral de Lula esconde a discussão central: quais políticas contribuíram para criar empregos e que projeto poderá ampliar ou interromper essa trajetória?

O mesmo ocorre com as bets. A proibição foi apresentada em parte da cobertura como jogada de campanha. O momento eleitoral é relevante, mas não explica os R$ 38,8 bilhões em custos sociais, o adoecimento, as dívidas e a pressão sobre o SUS.

Quando veículos destacam apenas o cálculo eleitoral, o drama social desaparece.

O mecanismo se repete:

  • aumento de salário vira “pressão sobre os custos”;

  • aposentadoria vira “despesa obrigatória”;

  • investimento público vira “risco fiscal”;

  • privatização vira “busca de eficiência”;

  • redução de direitos vira “flexibilização”;

  • proteção social vira “populismo”.

A cobertura não precisa apoiar Lula. Jornalismo não é propaganda de governo. Deve fiscalizar promessas, conferir números, identificar contradições e ouvir os trabalhadores afetados.

O problema aparece quando apenas um lado é interrogado em nome da responsabilidade.

Flávio Bolsonaro defende um projeto de redução da proteção coletiva, aproximação com Milei e alinhamento a Trump. Essas escolhas deveriam ser traduzidas em consequências concretas: aposentadoria mais distante, negociação individual desigual, privatização, dependência externa e perda de capacidade industrial.

Em vez disso, propostas regressivas frequentemente recebem tratamento técnico, enquanto medidas populares aparecem como concessões irresponsáveis.

A comunicação popular deve disputar esse enquadramento. Não basta compartilhar um número favorável ao governo. É necessário explicar:

  • quem criou os empregos;

  • quais setores cresceram;

  • quanto os trabalhadores recebem;

  • quais direitos estão protegidos;

  • quem ganha e quem perde com cada proposta.

A pergunta que orienta a cobertura da Voz Trabalhadora não é se uma medida ajuda ou atrapalha uma campanha.

A pergunta é outra: o que essa medida representa para quem vive do próprio trabalho?

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  • Caixa: o TST iniciou o julgamento do dissídio coletivo da greve. O resultado não havia sido divulgado no fechamento.

  • STF: Edson Fachin pretende levar ao plenário a controvérsia sobre as decisões relacionadas a Nossa Senhora Aparecida.

  • Banco Master: a Justiça determinou o arresto de ações da Itaminas depois de questionamentos sobre R$ 401 milhões pagos pela participação de Daniel Vorcaro na mineradora.

  • Campanha digital: conteúdos impulsionados por perfis sem identificação clara atacaram Lula usando o caso Master. Um anúncio contratado em moeda estrangeira teria alcançado mais de um milhão de usuários. A origem do pagamento ainda precisa ser esclarecida.

  • INSS: segue o calendário de pagamentos dos benefícios referentes a setembro. Consulte exclusivamente os canais oficiais.

  • Meio ambiente: projetos e tecnologias sociais podem ser inscritos no Fórum Brasileiro de Educação Ambiental até 30 de setembro.

  • Negociações comerciais: representantes de Brasil e Estados Unidos devem retomar presencialmente as conversas nos dias 30 de setembro e 1º de outubro.

  • Eleições: o primeiro turno será realizado no domingo, 4 de outubro.

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  • Mobilizações de Lula nas capitais e cidades do interior;

  • denúncias de assédio eleitoral nos locais de trabalho;

  • decisões do STF e do TSE sobre propaganda e desinformação;

  • resultado do julgamento da greve da Caixa;

  • fiscalização das bets e retirada dos sites;

  • anúncios impulsionados com recursos estrangeiros;

  • funcionamento dos transportes no domingo;

  • orientações para idosos e pessoas com deficiência;

  • preparação dos comitês populares para o dia da eleição.

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A eleição ainda não terminou.

Cada voto precisa chegar à urna. Isso exige mais do que compartilhar pesquisas ou acompanhar a propaganda eleitoral.

Converse com familiares, colegas e vizinhos. Pergunte se sabem onde votar. Ajude idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Mostre, com respeito, o que está em disputa.

Fale sobre emprego, salário, Previdência, SUS, educação, indústria, soberania e direitos.

Combata mentiras com informação. Não reproduza conteúdo falso nem mesmo para criticá-lo sem explicar imediatamente o que é verdadeiro.

O voto para presidente é decisivo, mas não está sozinho. Deputados, senadores e governadores definirão se propostas como o fim da escala 6×1, a defesa dos povos indígenas, a proteção ambiental e o fortalecimento dos serviços públicos poderão avançar.

A extrema direita conta com dinheiro, redes organizadas, empresários, estruturas religiosas instrumentalizadas e apoio internacional.

A classe trabalhadora possui sua própria força: organização, solidariedade e consciência.

São cinco dias para transformar essa força em voto.

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Transparência: Este conteúdo utilizou ferramentas de inteligência artificial para pesquisa, apuração e redação, sob supervisão da equipe editorial da VT

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