MPCE instaura investigação sobre setor de radiologia
Fonte: opovo.com.br | Data: 29/09/2026 20:36:40
Relatos apontam falta de inspeção sanitária, falhas estruturais e interrupção de exames no Hospital Municipal Maria Idalina Rodrigues de Medeiros, na região central do município
Notícia
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Atualizado às 20:15, 29/09/2026
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Publicado às 20:15, 29/09/2026
Crédito: Leitor via Whatsapp O POVO
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Resumo
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Funcionários do Hospital Municipal Maria Idalina Rodrigues de Medeiros, no Ceará, relatam falta de inspeção sanitária, falhas estruturais e paralisação de exames no setor de radiologia.
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Devido a defeitos no raio-X fixo, o hospital passou a utilizar de forma contínua um aparelho móvel, contrariando normas da Anvisa e mesmo após o equipamento ser classificado em “Nível de Restrição” em testes de qualidade.
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Técnicos em radiologia atuam sem dosímetros para monitorar a radiação, enquanto a sala de atendimento apresenta piso inadequado, ausência de aterramento elétrico e estrutura física deteriorada.
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As falhas operacionais exigem a repetição frequente de exposições radiológicas em pacientes e profissionais, além de impedirem a realização de exames específicos, como de crânio e bacia.
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Apesar das notificações enviadas à gestão municipal, ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e ao Conselho Regional de Radiologia, os órgãos procurados não responderam aos questionamentos da reportagem.
Funcionários denunciam problemas no setor de radiologia do Hospital Municipal Maria Idalina Rodrigues de Medeiros (HMMI), no Centro de Icapuí, extremo leste do estado do Ceará. Entre as situações relatadas estão a falta de inspeção sanitária, falhas estruturais e a interrupção de exames oferecidos à população.
A situação no setor ficou documentada em um ofício ainda em 2025, quando técnicos de radiologia encaminharam à gestão uma solicitação de manutenção corretiva do aparelho de raio-X fixo. Dois meses após o primeiro alerta, o serviço de radiologia estava sem operação.
Crédito: Leitor via Whatsapp O POVO
Segundo um funcionário, chamado nesta reportagem de Roberto, nome fictício adotado a pedido dele por motivos de segurança, a direção do hospital e a Secretaria Municipal de Saúde já haviam sido notificadas. Conforme o relato, os problemas se intensificaram nos últimos dois anos.
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Equipamentos de raio-X
Um dos principais problemas relatados envolve as diversas falhas no aparelho de raio-X fixo. Diante disso, a unidade passou a utilizar de forma contínua um equipamento de raio-X móvel. No entanto, um estudo de controle de qualidade realizado em 2024 detalha falhas no equipamento móvel e conclui que o aparelho se encontra em situação de “Nível de Restrição”.
Roberto afirma que nenhum outro estudo foi realizado e que os profissionais do hospital estariam sendo coagidos a operar o equipamento móvel como substituto da estrutura fixa.
A legislação sanitária, descrita na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 611/2022, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proíbe o uso de equipamentos móveis (portáteis) de radiologia como se fossem aparelhos fixos.
Outro ex-funcionário da unidade, que também preferiu não se identificar, afirmou ao O POVO que a sala está inadequada para o atendimento aos pacientes do município. Segundo ele, desde sua demissão, em março deste ano, o equipamento fixo não estava funcionando.
“Um absurdo ele colocar uma sala para fazer raio X sem nem uma segurança, paramentação do profissional e do paciente”, relatou.
Em imagens obtidas pela reportagem, é possível observar problemas na porta da sala, que apresenta acentuado desgaste e deterioração, com a madeira visivelmente gasta. Também são aparentes pontos de reboco desprendido, piso inadequado e ausência de aterramento elétrico em uma área da sala.
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Registros apontam falhas e risco de exposição à radiação
Conforme registros no livro de plantão feitos por diferentes técnicos em radiologia no início de setembro, aos quais O POVO teve acesso, foram relatados problemas que vão desde o mau funcionamento do equipamento até situações de exposição de usuários à radiação.
“O equipamento de raios X continua apresentando ‘erro filamento’, os valores exibidos no painel de comando estão totalmente divergentes dos valores das técnicas radiográficas […] sendo necessária a repetição de exposições radiológicas para se obter uma imagem com qualidade mínima, contrariando normativos e diretrizes de radioproteção, expondo a riscos ainda maiores profissionais e usuários”, registra um profissional em 8 de setembro.
Além do risco de superexposição radiológica, os relatos indicam que o hospital esteve impossibilitado de atender a determinadas demandas médicas. Em 2 de setembro, por exemplo, um registro aponta que o aparelho não conseguia realizar exames radiográficos.
“Nesta data, a sala de raio X está funcionando de forma parcial, ainda precisa-se organizar a reforma da mesma. […] Alguns exames não poderão ser feitos por motivos de baixa qualidade. Ex: crânio, bacia e biotipos maiores”, anotou outro plantonista no livro de registros do setor, no dia 3.
O POVO procurou o prefeito Kleiton Pereira, o chefe de gabinete Eduardo de Bayma e a Secretaria Municipal da Saúde de Icapuí na última semana para questionar a situação atual do serviço de radiologia e as medidas adotadas ou previstas para solucionar os problemas apontados. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.
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Falta de dosímetros
Segundo Roberto, a denúncia aponta ainda irregularidades relacionadas às diretrizes de radioproteção. Os técnicos em radiologia, conforme o relato, atuam sem dosímetros, dispositivos individuais utilizados para monitorar a exposição ocupacional à radiação.
“Os profissionais técnicos em radiologia devem ser expostos a níveis seguros de radiação. Ao se usar um equipamento sem testes de constância e reprodutibilidade, estes podem ser exposto à radiação de forma danosa, onde o ônus pode ser maior que o bônus”, alertou.
Conforme apuração do O POVO, o aparelho fixo de raio-X foi entregue ao hospital em meados de 2018, mas permaneceu guardado por cerca de cinco anos e só foi instalado em 2023.
Durante o período em que o equipamento fixo esteve inoperante, a unidade dependia de um aparelho de raio-X móvel. No entanto, o uso do equipamento foi suspenso após ele ser reprovado em um teste de qualidade realizado em 2024, em razão da falta de manutenção periódica e corretiva.
“Devido a este tempo todo guardado, o equipamento ja foi instalado com muitos problemas e avarias, pois se degradou devido às condições de armazenamento”, completou Roberto.
Uma falha simultânea no aparelho de raio-X e na processadora automática de películas levou à interrupção total dos exames em setembro de 2025. O atendimento ao público só foi retomado um ano depois. Embora a processadora tenha sido substituída, o equipamento de raio-X fixo continua, segundo os relatos, operando em condições inadequadas e sem passar por intervenções técnicas ou testes de constância.
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MPCE instaura investigação sobre setor de radiologia
A reportagem entrou em contato com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e, por meio da Promotoria de Justiça Vinculada de Icapuí, informou que há um procedimento em andamento para apurar as condições estruturais do Hospital Municipal Maria Idalina Rodrigues de Medeiros, verificadas em inspeção do Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec).
Sobre o setor de radiologia, o MPCE informou que, embora a Promotoria não tenha recebido, até o momento, denúncias da comunidade, foi instaurado um procedimento específico para averiguar a situação.
“O órgão também informou que a população pode encaminhar denúncias à Promotoria por meio do e-mail [email protected] ou pelo telefone (85) 3106-5805″, ressaltou.
O POVO também procurou o Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Ceará (CRTR-CE), acionado pelos profissionais responsáveis pela denúncia, mas, até o fechamento desta matéria, o Conselho não havia respondido aos questionamentos.