Como a compra de uma pintura peruana levou à apreensão de 14 obras de arte pela PF no Rio
Fonte: veja.abril.com.br | Data: 30/09/2026 11:34:53

A Polícia Federal (PF) recuperou 14 obras de arte no Alto da Boa Vista, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 30. A apreensão ocorre no âmbito da Operação Peabiru, que apura a entrada e venda ilegal de uma pintura do patrimônio cultural peruano em território brasileiro. As investigações tiveram início após a Polícia Nacional do Peru notificar a PF sobre a oferta da pintura Magnífico Señor de los Temblores – Escuela Cusqueña, Siglo XVII em uma plataforma internacional de comércio de obras de arte.
Segundo a PF, uma análise do Ministério da Cultura do Peru apontou que trata-se de uma “pintura vice-reinal peruana do século XVII, de relevante valor histórico e artístico, reconhecida como integrante do Patrimônio Cultural da Nação Peruana e não poderia ter sido retirada do território peruana sem a devida autorização estatal específica”.
As diligências, então, encontraram indícios de que a obra estava vinculada a uma empresa sediada no Rio de Janeiro, dedicada ao comércio de artes e antiguidades. Agentes da Polícia Federal cumpriram nesta quarta um mandado de busca e apreensão no Alto da Boa Vista, com o objetivo de localizar o quadro e os documentos referentes à sua aquisição, procedência, transporte, importação, oferta e comercialização.
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Os envolvidos podem responder pelos crimes de receptação qualificada e contrabando. Em nota, a PF salientou que a investigação considera os compromissos internacionais de proteção aos bens culturais estabelecidos pela Convenção da UNESCO de 1970, adotada no Brasil. Também explicou que a origem do nome da operação faz referência ao Caminho do Peabiru, antiga rede de trilhas indígenas que atravessava parte da América do Sul e estabelecia conexões entre regiões do Brasil e do interior do continente.
“A denominação simboliza, no contexto da operação, a ligação histórica entre o Brasil e a região andina e, em sentido inverso ao caminho percorrido pelo bem cultural investigado, o esforço de cooperação entre os dois países para reconstituir sua trajetória, preservar sua origem e possibilitar seu retorno ao patrimônio cultural peruano, caso confirmada a saída irregular da obra”, acrescentou.