Anvisa aprova remédio para verminose que causa ‘barriga d’água’ em crianças
Fonte: veja.abril.com.br | Data: 30/09/2026 15:00:47

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Farmanguinhos Arpraziquantel (arpraziquantel), indicado para o tratamento da esquistossomose em crianças de 3 meses a 6 anos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 30.
Considerada um problema de saúde pública no Brasil, a condição é uma doença tropical negligenciada, nome dado a um grupo de enfermidades que afetam predominantemente populações de baixa renda em áreas tropicais e subtropicais.
O medicamento é indicado para a esquistossomose causada pelo parasita Schistosoma mansoni ou Schistosoma haematobiu, adquiridos ao nadar ou entrar em contato com água doce contaminada com caramujos infectados pelos vermes causadores da esquistossomose.
No hospedeiro, esses vermes vivem e copulam dentro da bexiga ou do mesentério, órgão responsável por manter os intestinos presos na parede do abdômen.
Alguns ovos penetram na mucosa intestinal ou da bexiga e são eliminados nas fezes ou na urina, enquanto outros permanecem no órgão hospedeiro ou são transportados para o fígado e, algumas vezes, para outros locais, como pulmões, sistema nervoso central e medula espinhal.
Os ovos excretados eclodem na água doce, liberando miracídios (primeiro estágio larval dos vermes), que penetram nos caramujos. Depois de se multiplicarem nos animais, milhares de cercárias de vida livre são liberadas.
Essas larvas penetram a pele humana em questão de minutos após a exposição, perdem a cauda bifurcada e se transformam em esquistossômulos, que se deslocam pela circulação sanguínea até o fígado, onde amadurecem e se tornam adultos.
Os adultos, por sua vez, migram para seu local definitivo, nas veias intestinais ou no plexo venoso do trato geniturinário, um conjunto de veias interconectadas que drenam os órgãos dos sistemas urinário e reprodutor.
Na forma aguda, que ocorre entre duas e seis semanas após o contato com a água contaminada, a doença causa coceira e vermelhidão no local onde o verme entrou, além de febre, dor de cabeça, tosse e fraqueza.
Também pode causar acúmulo de líquido no abdome devido ao aumento do fígado e do baço, motivo pelo qual a esquistossomose é popularmente conhecida como “barriga d’água”. Provoca ainda emagrecimento acentuado e fraqueza.
Já a forma crônica da doença se manifesta meses ou anos após a infecção inicial. As infecções tendem a ocorrer em áreas rurais onde caracóis de água doce estão presentes.
As crianças desempenham um papel central no ciclo de transmissão do parasita devido a uma combinação de comportamentos de risco, baixa imunidade e fatores socioambientais, incluindo:
- Maior exposição a águas contaminadas;
- Sistema imunológico em desenvolvimento;
- Hábito de evacuar próximo ou diretamente dentro de corpos d’água.
Como age o remédio
O arpraziquantel é absorvido pelos vermes nos vasos sanguíneos do paciente e causa espasmos musculares e paralisia nos parasitas, o que interrompe sua fixação na região.
Segundo a Anvisa, o medicamento também danifica o tegumento, uma barreira que protege o parasita do sistema imunológico. Com isso, o corpo consegue destruir os vermes.
Tradicionalmente, o medicamento padrão (Praziquantel) para a doença era indicado apenas para crianças maiores de 4 anos. Por isso, o tratamento pediátrico ampliado a partir de 3 meses até 6 anos de idade é visto como um caminho para preencher uma lacuna importante no atendimento infantil.