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Tarcísio x Haddad: o que está em jogo na reta final da disputa pelo governo de São Paulo

Fonte: ndmais.com.br | Data: 30/09/2026 19:57:17

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Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad disputam o governo de SPTarcísio de Freitas e Fernando Haddad disputam o governo de SPFoto: Caiuá Maia e Diogo Zacarias/Divulgação/ND Mais

O último debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) antes do primeiro turno da eleição para o governo de SP foi marcado pela troca de acusações e pela mistura entre temas estaduais e nacionais. Realizado na noite de terça-feira (29), na TV Globo, o confronto abordou segurança pública, saúde, educação, economia, privatizações e relações políticas dos dois candidatos.

A poucos dias da votação, marcada para domingo (4), o cenário apontado pelas pesquisas é de vantagem de Tarcísio sobre Haddad. Um levantamento Datafolha divulgado em 28 de setembro mostrou o atual governador com 50% das intenções de voto, contra 30% do candidato do PT. A pesquisa registrou ainda 3% de indecisos e 8% de eleitores que declararam voto branco ou nulo.

Debate foi marcado por estratégias diferentes

Na avaliação do cientista político e especialista em marketing eleitoral Emerson Saraiva, Haddad concentrou sua estratégia na tentativa de desconstruir a imagem da atual gestão, enquanto Tarcísio buscou apresentar um balanço do próprio mandato, além de relacionar o adversário ao governo federal.

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“Haddad seguiu o caminho da desconstrução, apontando e maximizando pontos de atenção no governo de Tarcísio, a exemplo do questionamento sobre a suposta infiltração do PCC e do crime organizado na gestão, o aumento das filas do SUS no estado, a queda da Educação de São Paulo no ranking nacional e as privatizações, principalmente do abastecimento de água”, detalha Saraiva.

“Ele insistiu na classificação de Tarcísio como ‘forasteiro’ e levou para o debate as promessas não cumpridas pelo atual governador.”

O petista também explorou episódios envolvendo aliados de Tarcísio e questionou a atuação do governo estadual em áreas como saúde e educação. O candidato do PT citou ainda a privatização da Sabesp e voltou a associar o governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Do outro lado, Tarcísio mencionou obras e números do governo e respondeu críticas do adversário. O governador também levou para a discussão a atuação de Haddad como ministro da Fazenda e temas relacionados à economia do governo Lula.

“Como é natural no caso de qualquer incumbente, Tarcísio precisou usar boa parte de seu tempo no debate para se defender das críticas de Haddad, mas também destinou alguns momentos para atacar a gestão do PT em nível nacional”, diz Saraiva.

Ataques dominaram confronto

Um momento tenso do debate ocorreu quando Haddad questionou Tarcísio sobre o apoio político à família de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo preso em setembro em uma investigação que apura suspeitas de envolvimento do PCC no transporte coletivo. Tarcísio respondeu mencionando a presença do petista em um evento na Favela do Moinho e fez acusações relacionadas a uma liderança apontada como ligada à facção.

Haddad e Tarcísio trocam críticas no último debate antes do primeiro turnoFoto: Diogo Zacarias / Divulgação/ND Mais e Douglas Gomes/Lid Republicanos/Divulgação/ND MaisHaddad e Tarcísio trocam críticas no último debate antes do primeiro turnoFoto: Diogo Zacarias / Divulgação/ND Mais e Douglas Gomes/Lid Republicanos/Divulgação/ND Mais

Saúde e educação também foram utilizadas como pontos de contraste. Haddad criticou a situação das filas do SUS e os indicadores educacionais paulistas, enquanto Tarcísio apresentou dados de sua gestão e citou avaliações positivas obtidas pelo Estado.

Na economia, os candidatos voltaram a estabelecer uma ponte entre a disputa estadual e a nacional. Haddad defendeu medidas adotadas pelo governo Lula e criticou políticas associadas ao governo Jair Bolsonaro, enquanto Tarcísio questionou o desempenho econômico da gestão federal e citou casos de empresas em recuperação judicial.

Nacionalização da eleição aparece no debate

A associação de Tarcísio e Haddad aos principais polos da disputa presidencial também esteve presente durante todo o confronto. Haddad relacionou o adversário a Jair Bolsonaro e, nas considerações finais, criticou Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Tarcísio, por outro lado, associou Haddad ao governo Lula e utilizou críticas à administração federal para atingir o adversário.

O cientista político Emerson Saraiva avalia, porém, que a nacionalização não necessariamente foi determinante para a escolha do eleitorado paulista. “Este ano o que se percebe é que em estados onde os governadores concorrem à reeleição a nacionalização parece ter influenciado menos e a campanha se deu em torno da análise do gestor e da avaliação de suas políticas e ações”, pontua.

“São Paulo não foi diferente e embora Haddad tenha tentado trazer o debate nacional para a disputa e tenha contado com a presença de Lula em vários momentos da campanha, o eleitor não parece ter se interessado pela eleição estadual por esse prisma.”

Flávio Bolsonaro e Lula foram mencionados pelos candidatos ao governo de SPFoto: Lula Marques/Agência BrasilMarcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND MaisFlávio Bolsonaro e Lula foram mencionados pelos candidatos ao governo de SPFoto: Lula Marques/Agência BrasilMarcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND Mais

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril havia identificado uma forte associação dos candidatos paulistas com figuras nacionais: 54% dos entrevistados já relacionavam Haddad a Lula, enquanto 45% associavam Tarcísio a Jair Bolsonaro. O levantamento também apontava que 61% dos eleitores de Tarcísio e 57% dos de Haddad diziam não mudar mais de ideia sobre o voto naquele momento.

Os desafios das campanha na reta final da disputa pelo governo de SP

Com a votação se aproximando, as estratégias dos dois grupos partem de situações diferentes nas pesquisas. A última pesquisa Datafolha apontou Tarcísio com 50% e Haddad com 30%. Na pesquisa anterior do instituto, realizada em 14 de setembro, os números eram 49% e 29%, respectivamente.

Outros levantamentos recentes também registraram vantagem de Tarcísio. As pesquisas divulgadas em 29 de setembro mostraram o governador com 53% na RealTime Big Data e 53,3% na AtlasIntel, enquanto Haddad apareceu com 39% e 40,1%, respectivamente.

Para Saraiva, o desafio de Tarcísio nesta reta final está relacionado à manutenção de sua base, enquanto Haddad precisaria ampliar sua capacidade de atração para além do eleitorado já identificado com o PT.

Última pesquisa Datafolha apontou Tarcísio com 50% e Haddad com 30% das intenções de votoFoto: Caiuá Maia/Divulgação/ND MaisÚltima pesquisa Datafolha apontou Tarcísio com 50% e Haddad com 30% das intenções de votoFoto: Caiuá Maia/Divulgação/ND Mais

“As pesquisas e o próprio clima das ruas mostram a campanha de Tarcísio em uma espécie de voo de cruzeiro, sem qualquer tipo de solavanco ou crise aguda. O desafio para ele é justamente impedir que o clima de ‘já ganhou’ tome conta da campanha nesses últimos dias e algum tipo de dispersão na base abra espaço para um sprint final que coloque em risco a vitória no próximo domingo.”

No caso de Haddad, o especialista aponta que o espaço para uma reação seria mais limitado nos últimos dias de campanha: “A esperança da campanha do PT é que haja algum tipo de movimento espontâneo do eleitorado no sentido de afirmar apoio à esquerda, casando o voto de Lula a Haddad e às candidatas ao senado”, avalia.

Especialista avalia que o espaço para uma reação é mais limitado na reta final da campanha de HaddadFoto: Diogo Zacarias/Divulgação/ND MaisEspecialista avalia que o espaço para uma reação é mais limitado na reta final da campanha de HaddadFoto: Diogo Zacarias/Divulgação/ND Mais

Debate pode mudar o cenário?

Apesar da intensidade dos ataques, a capacidade de um debate alterar uma eleição depende de como o eleitor absorve o conteúdo apresentado e de acontecimentos capazes de romper o cenário que vinha sendo construído durante a campanha.

No caso do confronto entre Tarcísio e Haddad, o embate foi marcado por acusações sobre segurança, saúde, educação, economia e relações políticas, mas os dois candidatos também passaram boa parte do programa defendendo posições já apresentadas durante a campanha.

“De maneira geral, os debates eleitorais este ano passaram por um processo de esvaziamento e o próprio eleitor mais desconectado da política não demonstra grande interesse em acompanhar esses programas”, afirma Emerson Saraiva.

Segundo o especialista, um debate tende a ganhar maior capacidade de alterar a percepção do eleitor quando ocorre um episódio inesperado, como um erro grave ou a apresentação de uma informação nova com potencial de mudar a avaliação do adversário.

“Diante do que aconteceu especificamente no debate entre Tarcísio e Haddad, o que resta aos dois candidatos e às suas militâncias é tentar construir narrativas nas próprias redes a partir de cortes, demonstrando, cada um a seu modo, a melhor performance no debate.”