Vereadores abrem mão do papel de fiscalizar e não comparecem à prestação de contas da saúde
Fonte: tribunadepetropolis.com.br | Data: 01/10/2026 04:53:44
A saúde vive uma crise a olhos vistos: problemas de financiamento, falta de pagamento a fornecedores, falta de insumos e medicamentos básicos, unidades em petição de miséria, como o Hospital Municipal Nelson de Sá Earp e uma dívida com o Hospital Santa Teresa que já chega a R$ 33 milhões. Ontem a Câmara, que tem a obrigação de fiscalizar o Executivo, teve a oportunidade de questionar tudo isso à equipe, que esteve presente e disponível para sanar dúvidas. Mas os vereadores abriram mão do seu papel. No plenário da Câmara, só Tiago Guel, presidente da Comissão de Saúde, e Júlia Casamasso, que nem pôde ficar muito tempo por conta da internação de sua mãe na UTI (fato, este sim, justificável). De forma virtual, apareceram no meio da audiência Aloísio Barbosa e Octávio Sampaio – e este nem sequer fez perguntas. Os outros onze, nem satisfação. A impressão que fica é a de que os vereadores só pensam naquilo: a campanha eleitoral. E o sentimento é de uma total falta de respeito.
Em reunião de apenas 53 minutos, equipe da Saúde só respondeu a dois questionamentos
A prestação de contas sobre a saúde durou apenas 53 minutos, dos quais 42 minutos foram destinados à apresentação do relatório, feito pela secretária Clarissa Rippel. A vereadora Júlia fez algumas colocações, assim como Tiago Guel (que disse “não ter nenhuma crítica ou sugestão a fazer”) e houve só duas perguntas, feitas pela presidente do Comsaúde, Andréa Freitas, sobre a avaliação a respeito do aumento do número de atendimentos em alguns setores; e do vereador Aloísio Barbosa, que questionou sobre a situação do Complexo Hospitalar de Petrópolis, novo nome do HCC, e a contratualização de leitos.
Injustificável
A ausência dos vereadores é absurda. Primeiro porque é obrigação deles trabalhar e fiscalizar. Além disso, é preciso se fazer justiça: tanto Clarissa quanto a equipe sempre demonstraram disposição em dialogar de forma técnica, sem tensionar ou partidarizar o assunto. Ou seja: era palco fértil para um bom debate. Que a Câmara se recusou a fazer. E não é caso isolado: várias audiências têm frequência muito baixa. Depois o povo fica irritado com os vereadores e acha que o Parlamento não faz a menor falta na vida das pessoas e eles ficam sem entender o porquê.

Falta mais o que?
A cada dia aumenta o caos da operação meia-sola da Turp: sem os 32 ônibus reprovados em vistoria, sem reposição desses veículos, sem alternativa pensada para repor o problema, sem qualquer satisfação ao usuário. Um dos cúmulos do absurdo tem sido no Quarteirão Brasileiro: o bairro, que não é pequeno, está sem qualquer tipo de transporte há três dias. E a intervenção não dá uma resposta. Parece ter ligado o modo avião (pra não dizer outra coisa).
Esfarelou rápido
O caos da Turp Ita é tão sério que até novidade vendida como grande coisa recentemente já esfarelou: uma das minhas que estão sofrendo com a racionalização é a 500 – Terminal Corrêas via Estrada da Saudade, que há pouco tempo passou a ter parada no Alcides Carneiro. Os pacientes (que usam o ônibus porque precisam, já que andar de Turp está longe de ser um grande prazer ou uma opção razoável) chegaram a esperar horas por um coletivo ontem. E muitos perderam consultas pela falta de coletivo para chegar à unidade.
Radical chic
Independente do que pensa o candidato, por um lado é bem positiva a vinda de Renan Santos, do Missão, a Petrópolis. É um sinal cada vez mais raro de prestígio para uma cidade que já foi casa de veraneio dos chefes máximos da República, mas que perdeu importância com o tempo – haja visto o Palácio Rio Negro, completamente escanteado e sem receber um chefe de Estado desde o já longínquo 2008.
Fatura liquidada?
Já o campo majoritário da direita na cidade deve achar que tá tudo liquidado e um abraço pro gaiteiro. Flávio Bolsonaro veio bastante ao Estado do Rio, passou por Cabo Frio, Macaé e Campos, mas ignorou completamente a Petrópolis que deu à família votações recordes em pleitos anteriores. E Douglas Ruas só esteve na cidade duas vezes, uma na pré-campanha e outro na eleição propriamente dita, ao lado de seus grandes aliados, Hingo Hammes e Bernardo Rossi.
Esquecida no rolé
Falando em esquecimento, Petrópolis foi pouco citada no talk show do Garotin… opa, quer dizer, no debate entre os candidatos a governador realizado pela TV Globo, na terça. O Léo Dias da Pelinca tirou da cartola um “Rua Teresa digital, já que o polo de modas praticamente acabou”, André Marinho lançou um “2011 nunca mais” como slogan para ações de prevenção a desastres. Nem citada como integrante da região serrana a cidade foi por parte da mediadora, que elencou “Friburgo, Teresópolis, Cantagalo”…

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