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Rio realiza primeiro transplante duplo de coração e pulmão

Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 01/10/2026 08:00:56

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Márcia Branquinho, de 51 anos, foi a primeira paciente do estado do Rio de Janeiro a passar por um transplante duplo de coração e pulmão. A cirurgia, que durou mais de 12 horas, foi realizada no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul da cidade. Ela recebeu alta em agosto.

Diagnosticada aos 15 anos com hipertensão arterial pulmonar e cardiopatia congênita, Márcia tinha o quadro acompanhado por médicos ao longo de toda a vida. Nos últimos dois anos, a piora das condições de saúde comprometeu progressivamente sua qualidade de vida. Inicialmente relutante diante da complexidade da cirurgia, ela acabou aceitando o transplante após receber o apoio da equipe multiprofissional.

— Demorei um ano para aceitar a cirurgia. É de alta complexidade e fiquei com medo de não suportar. Mas com o tempo o meu quadro foi se agravando, fui deixando de fazer atividades cotidianas e aumentando os remédios. Foi quando decidi encarar o desafio — explica Márcia.

A paciente era acompanhada pelo Copa D’Or havia mais de 16 anos, segundo Martha Pinheiro, chefe de arritmologia da Rede D’Or e responsável pelo caso. Nesse período, chegou a sofrer uma parada cardíaca e foi socorrida na emergência do hospital. Com o agravamento das condições cardíaca e pulmonar, a substituição dos dois órgãos passou a ser necessária.

O transplante cardiopulmonar substitui simultaneamente o coração e os pulmões e é indicado, segundo os médicos, em casos nos quais as funções cardíaca e respiratória estão irreversivelmente comprometidas. A cirurgia de Márcia mobilizou cerca de 20 profissionais, que se revezaram durante mais de 12 horas no centro cirúrgico. Os órgãos do doador chegaram de helicóptero diretamente ao heliponto do hospital.

Bruno Marques, cirurgião cardiovascular da Rede D’Or e integrante da equipe, afirma que o procedimento possui uma complexidade maior do que a de transplantes isolados de órgãos. O bloco cardiopulmonar tolera poucas horas fora do corpo, e o implante exige reconstruir a traqueia, o átrio direito e a aorta com o paciente em circulação extracorpórea.

O procedimento ainda é raro. Em 2025, os Estados Unidos realizaram 61 transplantes combinados de coração e pulmão. Segundo dados apresentados pela Columbia University Irving Medical Center, no mundo, a estimativa é de cerca de 100 procedimentos assim por ano.

Ao deixar o hospital, Márcia vestia uma camisa com a frase “Doe órgãos, salve vidas” e foi recebida por familiares e amigos. Além de retomar a rotina, a paciente passou a usar a própria experiência para incentivar a doação de órgãos. De acordo com dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) citados no levantamento divulgado pelo hospital, quase 50 mil pessoas aguardam por um órgão no país.