A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos da Câmara Municipal de Goiânia aprovou, por unanimidade, o seu relatório final após dez meses de investigações e oitivas. O documento, com mais de 100 páginas, aponta a responsabilidade e indica o indiciamento do diretor-presidente da Equatorial Goiás, Lener Silva Jayme, propondo providências ao Ministério Público de Goiás, à Polícia Civil, à Aneel e à Anatel.
A investigação teve como um dos pontos centrais a morte de Náthaly Rodrigues do Nascimento, de 17 anos, eletrocutada em setembro de 2025 no Setor Central após pisar em uma poça d’água energizada por um cabo rompido da rede elétrica. Segundo a reconstrução, o cabo de alumínio se rompeu durante um temporal, e laudos indicaram que o religamento automático da energia havia sido desabilitado manualmente. Além disso, a fornecedora restabeleceu o serviço sem verificação presencial, mantendo o cabo rompido energizado em água.
O relator da CEI, vereador Geverson Abel, afirmou que a investigação identificou um “jogo de empurra” entre a Equatorial Goiás e mais de 110 empresas de telecomunicações e provedores de internet. Segundo o relator, a distribuidora obtém rendimentos com o aluguel da infraestrutura de postes, mas não assume a fiscalização de campo nem a remoção de fiações irregulares. O relatório prevê ainda o envio de uma minuta do Código Municipal de Gestão da Infraestrutura Aérea Urbana ao prefeito Sandro Mabel, estabelecendo multas de até R$ 40 mil e metas para remoção de cabos obsoletos.